Os 11 presos nesta sexta-feira (11) por envolvimento em uma nova máfia dos fiscais na região do Brás, Centro de São Paulo, atuavam em dois setores diferentes. Segundo o promotor responsável pelo caso, José Carlos Blat, um grupo exigia propina dos camelôs e outro do setor de alimentação ilegal, como carros de cachorro quente.
"Identificamos duas grandes quadrilhas que funcionavam dentro da subprefeitura (Mooca). Qualquer pessoa que quisesse fazer uma atividade do tipo era obrigada a entregar valores, senão não conseguiria trabalhar e teria a sua mercadoria apreendida", afirmou.
De acordo com o promotor, é provável que mais pessoas estejam envolvidas e outros focos de corrupção são investigados dentro das subprefeituras, além da Mooca. "Infelizmente, esse tipo de criminalidade não foi combatido a contento. As pessoas envolvidas sofisticaram o crime, não colocam mais as mão. Os camelôs têm medo de denunciar, mas todas da existência."
Ainda segundo o promotor, os envolvidos extorquiam cerca de R$ 560 mil por mês.
Pedido de prisão
A Justiça pediu a prisão de 13 pessoas envolvidas no esquema. São fiscais ligados à subprefeitura da Mooca, camelôs e um advogado.
As denúncias foram feitas por camelôs ao Ministério Público (MP). As prisões aconteceram depois de uma investigação que durou três meses. Durante esse tempo todo, os produtores do SPTV trabalharam junto com os camelôs no Brás e flagraram a ação dos fiscais corruptos. O recolhimento de propina acontece a céu aberto e é comandado pelos fiscais da subprefeitura.
Observação
Por três meses, produtores da TV Globo começaram a trabalhar no Brás. Um deles se fez passar por ajudante de um camelô que tem licença para montar uma banca na região. Assim, foi possível observar como funciona o esquema entre ambulantes sem licença e fiscais corruptos da prefeitura de São Paulo.
Na banca, o produtor ajudou a vender meias de lã. Nesse ambiente, foi flagrado o recolhimento de dinheiro. Um dos camelôs, menor de idade, aparece com um saco plástico na mão. É a sacola da propina. Ele pede dinheiro aos camelôs para entregar ao fiscal. Alguns ambulantes se negam a pagar.
Na rua onde o ambulante é responsável pela arrecadação, os camelôs são mais receptivos. Eles colaboram. Imagens mostram o momento em que o ambulante se encontra com o fiscal que, de acordo com a investigação, recebe a propina. O encontro é em uma lotérica, no Brás, a poucos metros de onde o comércio ilegal prospera.
Ligações
... ver notícia completa em: G1 - Globo.com
Disponível em: http://www.jusbrasil.com.br/noticias/59070/mafia-dos-fiscais-atuava-em-dois-segmentos-diz-promotoria
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