Durante o período em que tramitou na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), o PLC 122/06, que criminaliza a homofobia, foi debatido em uma acalorada audiência pública. Nem mesmo as rosas brancas distribuídas na ocasião por militantes da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) arrefeceram a polêmica.
Presente ao debate, Ivair Augusto dos Santos, representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, defendeu a aprovação da proposta argumentando que os homossexuais convivem rotineiramente com a discriminação e a violência. A cineasta Tizuka Yamasaki, que tem um filho gay, também argumentou que a proximidade afetiva tem o poder de cortar a barreira da discriminação.
Mesmo condenando atos discriminatórios contra homossexuais, representantes de grupos católicos e evangélicos defenderam a rejeição do projeto. Para o assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Paulo Leão, além de inconstitucional, o projeto atentaria contra a liberdade de opinião. Opinião semelhante foi manifestada pelo reverendo Guilhermino Cunha, para quem a livre manifestação de afeto por homossexuais em locais públicos, como garante o projeto, feriria a Constituição e o Código Penal.
Na ocasião, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) sustentou que as desigualdades não serão superadas se as diferenças não forem encaradas com fraternidade e respeito. Para a senadora Patrícia Saboya (PSB-CE), quem discrimina homossexuais deve ser punido com rigor. Também se declararam a favor do projeto os senadores Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) e Serys Slhessarenko (PT-MT).
Contrário à aprovação do texto, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) defendeu a revisão de alguns pontos a partir de negociação entre as partes. O senador Magno Malta (PR-ES) avaliou a proposta como "draconiana", afirmando que a mesma seria inconstitucional.
Enquanto o projeto tramita no Congresso, as manifestações favoráveis e contrárias à proposta ganharam a internet. Diversos espaços de discussão foram criados na rede mundial de computadores, entre os quais os sites do movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros ( https://www.naohomofobia.com.br ) e o da União dos Blogueiros Evangélicos ( http://www.ubeblog.com/2007/11/pl-1222006-votem-contra-todos-os.html ).
Ari Pinheiro August 8, 2009 - 8:55:18 AM
Se a constituição diz que todos são iguais perante a lei, todas as vezes que legislamos para determinado grupo acabamos por criar desigualdades, mesmo que seja com a melhor das intenções.
Se continuarmos nessa faina de fazer leis para tudo, em breve teremos tantas leis que acabaremos em uma babel jurídica, onde tudo é crime, e ao mesmo tempo, tudo é permitido, dependendo do grau de poder aquisitivo para impetrar os miles de recursos que lei brasileira já permite. Os homosexuais já são protegidos pela constituição, assim como evangélicos, budistas, espiritualistas, católicos, portadores de necessidades especiais, negros, imigrantes e etc.
Disponível em: http://www.jusbrasil.com.br/politica/2844396/debates-acalorados-marcam-tramitacao-de-proposta-contra-homofobia