Busca sem resultado
jusbrasil.com.br
27 de Fevereiro de 2024

E aí, vamos falar do caso da Estagiária que fez Sustentação Oral no TJDF? Você está apto para idêntico feito?

Publicado por Fátima Burégio
há 6 anos

No tempo da graduação, escutei muita gente dizer: - Fátima, você é Estagiária ou Escraviária?

- Sem ‘papas’ na língua, eu dizia: - Estagiária, e com muita honra!

- Não te exploram?

Rebatia impetuosamente: - Jamais me exploraram por onde passei! Pelo contrário; fortaleci laços de amizade e agradeço aos meus queridos mestres, boa parte do aprendizado adquirido.

E assim, é duro perceber que muitos ainda entendem que ser Estagiário é um ‘saco’, vai virar expert em serviços chatos e burocráticos, entendem que os escritórios almejam mão de obra barata, não dão oportunidade, etc e tal.

Eu discordo, justifico e provo!

Na contramão de tudo isto, sigo dizendo:

- Estagie! E ainda complemento: - Em vários locais, pois Estágio não é emprego!

Para minha surpresa, tive a grata satisfação de ler uma matéria, bastante inusitada, e, por que não dizer: - Atípica mesmoooo!!!

A mídia divulgou o caso de uma Estagiária de Direito que, no dia 07 de fevereiro de 2018 fez uma Sustentação Oral diante de vários Desembargadores da 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Sim, a competente Estagiária de Direito, devidamente acompanhada de um Advogado, fez sua primeira sustentação oral, totalmente desinibida, vestida a rigor, atuou no processo 0004403-81.2016.807.0001, enfrentou diligentemente as autoridades, e o evento, sem dúvida alguma, movimentou o meio jurídico.

COMO ASSIM??? ESTAGIÁRIA????

O evento inusitado, abalou o meio jurídico. E não poderia ter sido diferente; instigando alguns a questionar: - Como pode uma ‘simples’ Estagiária de Direito ousar defender uma tese num Tribunal de Segundo Grau???

E O ESTATUTO DA OAB? O QUE ELE DIZ?

O Advogado que acompanhava a Estagiária (regularmente inscrita na OAB), que permaneceu todo o tempo ao lado da moça, fez menção à possibilidade da realização do respectivo ato, consoante artigo , § 2º, do Estatuto da Advocacia, Lei Federal nº 8906/94.

A moça cumpriu seu papel e os Desembargadores, elogiaram o feito, com a seguinte nota que faço questão de retransmitir integralmente:

Nesta quarta-feira, 07 de fevereiro, na segunda Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, pela primeira vez, viu-se um estagiário realizando uma sustentação oral perante Desembargadores.
O episódio de tão incomum gerou dúvida acerca da possibilidade de ser realizado e causou polêmica entre os servidores da mencionada turma.
A sustentação oral é um dos momentos mais importantes do processo, no qual se oportuniza aos advogados a possibilidade de apresentar, oralmente, aos magistrados de segunda instância as razões pelas quais estes devem acolher os seus pedidos.
Diante de tal fato, a sustentação oral normalmente é realizada por advogados experientes. Entretanto, no escritório Max Kolbe o tratamento dado aos estagiários é diverso, oportunizando – lhes a confecção desde petições simples a mais complexas, bem como sustentações orais, como foi o caso de hoje.
De acordo com o Dr. Max Kolbe “não há norma impeditiva nesse sentido. Pelo contrário, o artigo 3º, § 2º, do Estatuto da Advocacia, Lei Federal nº 8906/94, permite que estagiários, regularmente inscritos nos quadros da OAB, possam praticar atos privativos do advogado, desde que acompanhados por este e sob a sua responsabilidade. Sendo assim, a resistência maior não seria legal, mas a quebra do paradigma, ao se permitir que estagiários realizem, além de diligências simples, atribuições mais complexas, inclusive, aquelas outorgardas a advogados mais experientes”. Por fim, conclui que: “este fato, além de melhorar o ensino jurídico, possibilita que a finalidade do estágio acadêmico seja atingida, consistente, ressalta, na apresentação ao mercado de trabalho de profissionais mais capacitados para a realidade da advocacia.”
Assim, a equipe parabeniza a estagiária pela realização da sua primeira sustentação oral na tribuna da Egrégia 2º Turma Cível do TJDFT.

E você?

Está preparado para sua primeira sustentação oral como Estagiário em tempo oportuno?

Este caso serviu-lhe como ‘impulso’ para, no tempo certo, imitar o feito da Estagiária do DF?

  • Sobre o autorVice Presidente Comissão Bancários OAB-PE, Espec.Contratos, Resp.Civil e CPC
  • Publicações301
  • Seguidores1674
Detalhes da publicação
  • Tipo do documentoArtigo
  • Visualizações12354
De onde vêm as informações do Jusbrasil?
Este conteúdo foi produzido e/ou disponibilizado por pessoas da Comunidade, que são responsáveis pelas respectivas opiniões. O Jusbrasil realiza a moderação do conteúdo de nossa Comunidade. Mesmo assim, caso entenda que o conteúdo deste artigo viole as Regras de Publicação, clique na opção "reportar" que o nosso time irá avaliar o relato e tomar as medidas cabíveis, se necessário. Conheça nossos Termos de uso e Regras de Publicação.
Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/e-ai-vamos-falar-do-caso-da-estagiaria-que-fez-sustentacao-oral-no-tjdf-voce-esta-apto-para-identico-feito/544803357

Informações relacionadas

Artigoshá 9 anos

O princípio da Legalidade Tributária e suas exceções

Tempo de sustentação oral do advogado é de 15 minutos

Victor Borges de Jesus, Advogado
Artigoshá 2 anos

Irretroatividade Tributária e o princípio da legalidade tributária.

Bruno Bodart
Artigoshá 11 anos

Procedimento da execução fiscal - inicial, citação e penhora

Rafaela Contezini, Advogado
Artigoshá 7 anos

Minha primeira Sustentação Oral

42 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Parabéns ao escritório de advogados que oportunizou essa experiência à estagiária! Parabéns à Fátima também, por compartilhar isso com a gente! continuar lendo

Bom dia. Eu conheço um homem que nunca fez Direito, é autodidata, mas elabora peças de qualquer recurso (ordinário ou excepcional) em qualquer instância. Tem uma redação invejável e conhece os códigos quase artigo por artigo. Sempre que não pode assinar obtém a ajuda de advogados que conhecem a sua grande capacidade. E ainda fatura um trocado elaborando peças para alguns deles. Chupa essa manga! continuar lendo

Quem é esse cara? continuar lendo

Sebastião Borges Taquary, da Advocacia Borges Taquary - 61 99654-0001:
Concordo com o fato e dou meus parabéns ao advogado instrutor da estágio e à doutora Fátima Burégio, que abordou o assunto, de modo a torná-lo incentivador de outras sustentações de estagiário. continuar lendo

Um curso anual de carreiras jurídicas de um cursinho de renome, você estará mais "apto" do que muito "bacharel" em Direito. Ter o título é válido, mas não suficiente. Saber é válido, no caso dele, mas não suficiente (pois depende de outrem). Enfim... continuar lendo

Eu conheço ele também, se chama "Mike ROS" kkkkkkkkkkkk continuar lendo

Pessoal anda assistindo série achando que é documentário...

só no 'Braziu' mesmo... continuar lendo

kkkkkkkkkkkk Mike Ross foi boa continuar lendo

tambem conheci um homem que nao fez direito e impetrou varios habeas corpus com resultado positivo. nao recebe, por isso, mas apenas ajuda amigos continuar lendo

É com imensa satisfação que leio este artigo que dignifica o estagiário e sua atividade que é um misto de aprendizado dinâmico e interativo com aprofundamento de conhecimentos científicos. Lamento apenas que a realidade que se vê não vai no mesmo sentido e muito menos na mesma direção. Diariamente, vejo estagiários em Varas do Trabalho atuando como meros funcionários braçais e que muitas vezes tem na ponta da língua duas frases que lhe foram transmitidas por aqueles que deveriam ser seus orientadores.
A primeira é: "Você pode me dar uma certidão?", sempre que informamos que o processo encontra-se em conclusão apreciando - veja só - a petição formulada pelo advogado o qual tem a incumbência de orientar seu estagiário.
A segunda é: "Mas, meu chefe mandou eu ver o processo!".
Sem qualquer intenção de minimalizar a realidade apresentada no artigo, afirmo que é a tarefa mais nobre do advogado preparar as gerações futuras para enfrentamento de seu mister que é feito de "sangue, suor e lágrimas". Espero, sinceramente, ter contribuído positivamente. continuar lendo

Louvável a atitude do Dr. Max Kolbe, mas ele é a exceção das exceções à regra. Para a maioria dos escritórios estagiário é, SIM, mão de obra barata e descartável. Tive a sorte de estagiar e posteriormente ser efetivada em um local onde meu chefe sempre me incentivou a crescer profissionalmente, me passava peças complexas, me levava para assistir audiências... Pena que nem todos sejam assim! continuar lendo

Até que enfim um comentário sensato. continuar lendo