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1 de Março de 2024

Estudantes que se manifestam e reivindicam, não são desocupados!

há 8 anos

O estado do Rio de Janeiro está mergulhado em crise em todas as suas vertentes de atuação. Às portas de um evento mundial da magnitude das olimpíadas, os motivos e culpados pela atual situação vão de partidos políticos de esquerda e direita a São Pedro, com passagem óbvia pela má administração com o consequente sucateamento do aparelho estatal (…) Aprendemos que devemos lutar pelo Direito. Mas se há conflito entre Direito e Justiça, que prevaleça a luta pela Justiça. Lembremos que existe não outra ferramenta mais eficaz e efetiva de inclusão social que não seja a educação.

Na terça passada, me foi dada a honra e a oportunidade de visitar uma das escolas públicas “ocupadas” no Rio de Janeiro- CEMBRA- Colégio Estadual Engenheiro Moura Brasil do Amaral, na linda cidade de Paraty. A primeira coisa que percebi foi que a palavra Ocupação não cabia à situação- pelo menos não na sua totalidade- porque não se tratava, nem de longe, de algo que se assemelhasse à uma ocupação de território empreendida de forma militar.

Estudantes que se manifestam e reivindicam no so desocupados

Aliás, na grandeza e multiplicidade de nossa língua pátria, cheguei a fácil conclusão que estavam eles, os estudantes, ocupados sim, mas em manifestar seu descontentamento com o jeito do estado tratá-los e com a educacão acadêmica recebida. Estavam ocupados com o fato dos professores não receberem seus salários de forma justa e regular. Estavam ocupados em organizar alunos, pais de alunos, direção da escola e comunidade, para discutirem as questões em mesa redonda, em situação de igualdade e equidade, demonstrando a verdadeira essência da democracia e inequívoco exercício de cidadania. Atitude bem diferente dos “adultos” que empurram há décadas, de maneira nada democrática, o que há de pior, goela abaixo da população.

Há quem diga que da cabeça do jovem não sai nada que preste, que são irresponsáveis e inconsequentes, que fazem porque são desocupados (...) Estou certo que não! Conheci jovens que são o avesso desses estereótipos retrógrados, preconceituosos e ultrapassados. Trata-se de jovens imbuídos de responsabilidade social e que sabem, de forma consciente, o que querem. Não se permitem ser usados como massa de manobra. Aliás, jovens que se ouvidos, poderão ensinar muita coisa legal a todos nós. Particularmente, gosto de ver estudante, direito e movimento numa mesma frase.

Pássaros criados em gaiola, acreditam que voar é doença. Ah, mas não é mesmo! Toda minha solidariedade aos jovens que estendendo suas asas resignificam a palavra ocupação dando sentido completamente distinto de qualquer coisa que se assemelhe à balbúrdia ou confusão. Digo que lutem pelo justo reconhecimento dos seus direitos, porque desta luta todos seremos beneficiários. Estudantes, fonte de nossa inspiração, que lutem por um lugar melhor e por condições de estudo dignas. Lutem pelo que, de verdade, valha a pena lutar. Lutem juntos para que suas vozes sejam amplificadas e ouvidas. Lutem, lutem até que cordeiros virem leões.

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