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20 de Maio de 2024

Lawtechs e Legaltechs e o futuro dos juristas brasileiros.

há 2 anos

BRUNO LUIZ CORDULA DUARTE 1

EVELLYN SANTOS SOARES 2

MARIA CLARA ALMEIDA DE SOUZA RODRIGUES 3

RUTH DAYANE RODRIGUES DA PAZ 4

VIVIA ALVES DA SILVA 5

EMERSON BARROS DE AGUIAR 6

1-Graduando em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba, Campus III, em Guarabira. E-mail: brunocordula@gmail.com

2-Graduanda em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba, Campus III, em Guarabira. E-mail:evellynsantos01092003@gmail.com

3 Graduanda em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba, Campus III, em Guarabira. E-mail:maria.clara.souza@aluno.uepb.edu.br

4 Graduanda em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba, Campus III, em Guarabira. E-mail: ruthdrpaz@gmail.com

5 Graduanda em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba, Campus III, em Guarabira. E-mail: viviaalves850@gmail.com

6 Doutorando pela Universidad de Salamanca, DEA pela Universidad de Zaragoza.


RESUMO: O presente artigo tem como objetivo diferenciar os significados dos termos Lawtech e Legaltech, além de tratar acerca da imprescindibilidade de tais ferramentas para a adaptação do Direito às inovações tecnológicas. Em primeira análise, busca-se definir a origem das expressões, a distinção desses conceitos nos países em que são utilizados e a evolução desses serviços na realidade brasileira. Em seguida, através da análise objetiva do atual cenário jurídico brasileiro, destaca a maneira com a qual as startups jurídicas atuam, como também evidencia os aspectos legais que as regulamentam. Por fim, propõe a reflexão sobre o futuro das carreiras dos profissionais do Direito, por meio da exposição das utilidades e, por uma ótica subjetiva, valores envolvidos no processo de inovação tecnológica.

PALAVRAS-CHAVE: Lawtech e Legaltech; Adaptação do Direito; Realidade brasileira.


1. Introdução

Os avanços tecnológicos estão por toda parte e participam da vida cotidiana de todos, desde os ambientes escolares até para o uso profissional, e isso não foi diferente com a área jurídica, os juristas também, em busca de celeridade e modernizar o Direito, trouxe a Lawtech e legaltech para o judiciário brasileiro.

Quando se fala em Lawtech e Legaltech, está se falando da junção entre direito e tecnologia e das possibilidades de inovação que as ferramentas tecnológicas podem trazer para o direito e a prática jurídica. Lawtechs e Legaltechs são empresas que visam explorar soluções tecnológicas que torne mais fácil a rotina jurídica. As empresas Legaltech são as que servem aos advogados e escritórios de advocacia, utilizando-se da tecnologia para tornar a prática da advocacia mais ágil e precisa, já as empresas Lawtechs auxiliam pessoas de outras áreas, desde que tenham acesso e conhecimento a respeito de processos do meio jurídico, no Brasil, as duas se resumem a um só conceito: startups.

Logo, o presente trabalho analisará, inicialmente, como se deu a evolução, a expansão e como está o desenvolvimento dessas startups no cenário brasileiro, em seguida, será discutida a realidade das Lawtechs e Legaltechs no país e quais são os objetivos da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), que atua como suporte regulamentador dessas startups, promovendo o seu crescimento e auxiliando no desenvolvimento de inovações tecnológicas que contribuam com a praxe jurídica.

Veremos que no cenário brasileiro existem 13 categorias de Lawtech atuantes, quais sejam: Analytics e Jurimetria, automação e gestão de documentos, conteúdo jurídico, educação e consultoria, extração e monitoramento de dados públicos, gestão de escritórios e departamentos jurídicos, IA – Setor Público, redes de profissionais, regtech, resolução de conflitos online, Taxtech, Civic Tech e, por fim, Real Estate Tech. Cada categoria desta refere-se a um âmbito de atuação, que vão desde o setor tributário, imobiliário e cartorário, até a utilização da inteligência artificial.

Diante disso, tendo em vista tudo que será apresentado no presente trabalho, questiona-se se a existência dessas startups poderiam significar o fim do mundo jurídico, tendo em vista todas as alterações e inovações que a tecnologia pode trazer para a prática jurídica.

2- Lawtechs e Legaltechs

Ao observar a etimologia das expressões “lawtech e legaltech”, nota-se que os seus prefixos “law e legal” remetem ao direito e, em sua tradução literal, “law” significa lei, enquanto o sufixo “tech” é a abreviatura de “technology”, ou seja, tecnologia. Esses dois termos significam a junção entre o direito e a tecnologia, unindo, dessa forma, a mestria em Direito com as possibilidades tecnológicas para inovar à prática jurídica.

Logo, as lawtechs e legaltechs são empresas focadas em pensar soluções tecnológicas que facilitem e transformem a rotina jurídica, tendo por objetivo explorar e identificar as principais necessidades do setor jurídico e, a partir disso, disponibilizar serviços e produtos que possuam capacidades de aprimorar e resolver esses imbróglios, para que os advogados e firmas jurídicas automatizem suas operações e procedimentos internos, agilizando o andamento dos processos e contribuindo com o dia a dia dos profissionais do Direito ao evitar tarefas repetitivas e que consomem muito tempo.

Em alguns países, os dois termos possuem diferentes significados, porém as diferenças entre eles são mínimas, havendo apenas uma linha tênue entre esses dois conceitos. Portanto, legaltech se trata de empresas que servem aos advogados e escritórios de advocacia sem fazer modificações no seu modelo de negócio, consentindo a utilização da tecnologia para fazer o trabalho de forma mais ágil e precisa, resultando em maiores economias financeiras ou possibilitando o aumento das receitas. Já as lawtechs são empresas que impulsionam profissionais de outras áreas, podendo ser quaisquer pessoas que tenham acesso ao conhecimento e processos do meio jurídico. No entanto, legaltech e lawtech são sinônimos no Brasil, logo, são usados para fazer referência a uma mesma conceituação: startups que desenvolvem tecnologias aplicáveis no setor jurídico para atender às suas demandas.

No cenário brasileiro, o que contribui, de fato, para a rápida evolução dessas startups jurídicas é a ascensão na modernização do setor judiciário e a formação de muitos advogados a cada ano. Além disso, existe também o setor jurídico 4.0, composto pelas startups da área do Direito: às lawtechs e legaltechs. Os números “4.0” se referem à fase industrial da humanidade que se faz presente pela automação e inteligência artificial, ficando conhecida como a 4ª Revolução Industrial.

Partindo do pressuposto de que o universo jurídico é excessivamente complexo e, por esta causa, muitos de seus processos podem ser aperfeiçoados com o uso da tecnologia, pois com o tempo só aumenta a quantidade de leis, normas e regulamentos que recaem sobre as atividades humanas.

Sendo assim, a capacidade humana de processar informações é limitada, necessitando do auxílio das máquinas e outras tecnologias, como a big data, fazendo com que esse limite seja cada vez menor e o trabalho fique mais fácil, rápido e com menor margem de erros. Outrossim, a Era da Informação é uma realidade que não beneficia apenas os trabalhadores da área do Direito e seus clientes, mas a Justiça como um todo.

De acordo com a Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), já existem centenas de startups jurídicas no Brasil, além de que no mundo, em 2018, existiam mais de 1500 startups atuando no segmento jurídico, e o rápido avanço das startups jurídicas se deve a uma necessidade do mercado de otimizar o tempo tanto nos escritórios de advocacia quanto nos departamentos jurídicos das organizações. Portanto, com a ajuda da base tecnológica é possível eliminar as deficiências do setor, pois o judiciário é comumente lembrado pelas pessoas por sua falta de agilidade. As empresas atuais já enxergam as soluções de lawtech e legaltech como indispensáveis no processo de expansão de seus negócios.

Ademais, em conformidade com o Relatório de Justiça em Números de 2020, o Brasil finalizou o ano de 2019 com cerca de 80 milhões de processos em tramitação, aguardando alguma solução. Tal fato contribui para o aumento das lawtechs no país, afinal, as demandas por uma Justiça aprimorada, mais ágil e eficaz é uma realidade.

Destarte, as circunstâncias atuais como a crise econômica, a concorrência e o nível de exigência dos clientes, fizeram com que os advogados inserirem esses recursos nas suas atividades se quisessem alcançar bom desempenho no mercado, pois as startups jurídicas trazem práticas e ferramentas inovadoras que revolucionaram a rotina dos escritórios de advocacia. Além disso, consoante aos benefícios ofertados pelas startups do Direito, tem-se como exemplo: uma maior transparência nos processos legais, alívio do judiciário, mediação de conflitos de forma online, integração de dados para facilitar tomadas de decisões, controle automático de prazos e intimações de processos e maior acesso à lei.

3. Lawtechs e Legaltechs no Brasil.

Sabe-se notoriamente que a justiça brasileira é muito morosa, prova disso é que um dos mais recentes relatórios do Conselho Nacional de Justiça, o “Justiça em números 2020”, apontou que mais de 77 milhões de processos estavam em tramitação em 2019, e para findar essas ações seriam necessários seis anos e sete meses. Essa lentidão, somada à demasiada burocracia que ainda é corrente no Judiciário, sustentada pelos defensores do Direito “no papel”, são fatores que desmotivam os cidadãos a procurarem o Judiciário. Ratificando essa tese, estudo recente feito pela Fundação Getúlio Vargas e encomendado pela Associação dos Magistrados Brasileiros confirmou que o grande entrave para que as pessoas se socorram do Judiciário é a lentidão e a excessiva burocracia, apontadas como a razão desmotivante para 64% das pessoas que participaram do estudo.

Além disso, com os avanços tecnológicos, a internet tem ocupado cada vez mais espaço na vida das pessoas, e o Direito não poderia fugir a esse movimento. Destarte, direito e tecnologia estão cada vez mais conectados, uma vez que os avanços fizeram surgir novas maneiras de lidar com as leis e normas. É nesse cenário que as lawtechs e legaltechs têm se desenvolvido, se propondo a otimizar o mercado jurídico, tornando-o mais eficiente. Para que este mercado cresça e se desenvolva, é essencial o papel da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), explanada doravante.

3.1. Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L)

Criada em meados de 2017, a AB2L se constitui como uma associação sem fins lucrativos que serve como suporte regulamentador para as lawtechs e legaltechs no Brasil, avaliando, observando, mapeando e fomentando o ecossistema jurídico formado por essas Startups. A AB2L tem se preocupado com a revolução do sistema jurídico por meio da promoção de debates e do estabelecimento de soluções para que as inovações tecnológicas estejam cada vez mais presentes nesse setor e funcionem de maneira eficaz, com resultados melhores e mais rápidos.

3.1.1. Missão e Objetivos da AB2L

A missão da AB2L é apoiar o desenvolvimento das lawtechs e legaltechs, empresas que fornecem produtos e serviços que por meio da tecnologia inovam a área jurídica, fomentando o crescimento dessas startups e estimulando as melhores práticas profissionais. Além disso, busca aproximar o Direito das pessoas, democratizando o conhecimento jurídico e ampliando o acesso à justiça com o uso da tecnologia, mas não esquecendo de estar em concordância com a Constituição Federal e com o Estatuto da OAB.

No que tange aos objetivos, a AB2L busca contribuir com o desenvolvimento de estudos e pesquisas que possibilitem a imersão das inovações tecnológicas na praxe jurídica, servindo tanto para a informação da sociedade, aproximando direito e cidadãos, quanto para a qualificação dos profissionais da área. Procura, também, implementar e aprimorar a legislação a esse novo tempo, fomentando inovações na área da Administração Pública, por exemplo. Por fim, objetiva integrar profissionais do direito e da tecnologia, promovendo o tão sonhado ecossistema de inovação.

A missão e os objetivos da AB2L podem ser encontrados no próprio site da associação, o ab2l.org.br.

3.1.2 O desenvolvimento de startups jurídicas em números

A nível mundial, em 2010, portais como o Angel List e o Crunch Base davam conta da existência de menos de 20 legaltechs. Provando o crescimento, em 2018, o mundo já contava com mais de 1500 startups atuando neste mercado jurídico.

Em se tratando do Brasil, o cenário não é diferente, os números são cada vez mais crescentes. No final de 2017, ano de criação da AB2L, registrava-se 35 legaltechs associadas. Atualmente, a AB2L conta que existem centenas dessas startups jurídicas no Brasil, e esse número não para de crescer. Com mais precisão, em 2021, segundo reportagem do Canaltech, a AB2L contava com mais de 500 associados, dos quais 115 eram startups. Desta feita, embora ainda sejam minoria no ecossistema brasileiro de startups, representando apenas 1,62% do mercado, segundo levantamento da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), é evidente o crescimento deste setor.

3.2 Lawtechs brasileiras: as 13 categorias e como funcionam cada uma delas

Em acordo com disposição da própria AB2L, as lawtechs brasileiras estão em divididas em 13 categorias, quais sejam:

Analytics e Jurimetria: são plataformas de análise e compilação de dados e jurimetria, que, por meio da coleta e análise desses dados, contribui para entender como os casos são julgados. Ademais, essa categoria consegue medir a porcentagem de um processo ser exitoso com base na jurisprudência.

Automação e gestão de documentos: responsáveis por criar softwares de automação de documentos jurídicos e gestão do ciclo de vida dos processos e contratos, auxiliando na criação e no preenchimento de documentos em escritórios advocatícios, proporcionando economia de tempo.

Compliance: empresas que fazem com que sejam cumpridas normas legais e políticas internas para atividades nas instituições.

Conteúdo Jurídico, Educação e Consultoria: portais que proporcionam informação, legislação e notícias para advogados, mantendo-os atualizados sobre a área em que atuam. São também empresas de consultoria que trabalham com serviços desde a segurança da informação até a assessoria tributária.

Extração e monitoramento de dados públicos: reunião e organização de informações públicas como publicações, andamentos processuais, legislação e documentos cartorários.

Gestão de escritórios e departamentos jurídicos: softwares de gestão para escritórios e departamentos jurídicos que proporcionam benefícios como maior produtividade e aumento do faturamento do escritório. Trazem soluções para gerir as informações e conseguir alcançar os benefícios mencionados.

IA – Setor Público: empresas que focam em soluções de Inteligência Artificial para os tribunais e o poder público. Exemplo disso é o uso de robôs nos tribunais como o Victor, utilizado pelo STF para ajudar no julgamento de causas, contribuindo na leitura dos recursos extraordinários e identificar quais dele se relacionam com temas de repercussão geral.

Redes de Profissionais: empresas que criam redes de conexão que entre profissionais do direito, permitindo que advogados conquistem clientes mais facilmente e que pessoas ou empresas consigam representantes adequados para solucionar seus casos.

Regtech: soluções que resolvem problemas oriundos de exigências de regulamentação.

Resolução de conflitos online: softwares específicos que contam com ferramentas online para resolver conflitos de forma alternativa ao processo judicial, como mediação, arbitragem e negociação de acordos.

Taxtech: oferecem tecnologias e soluções para problemáticas tributárias.

Civic Tech: soluções que focam na melhoria do relacionamento entre pessoas e instituições, visando melhorar a prestação de serviços.

Real Estate Tech: uso da tecnologia para soluções no mercado imobiliário e cartorário.

4. Legaltech e Lawtech: o fim do mundo jurídico?

Conforme citado anteriormente, Legaltech ou Lawtech são termos que possuem características parecidas e podem ser confundidos, ambos tratam de inovações tecnológicas aplicadas no âmbito jurídico. Enquanto as Legaltechs atuam facilitando a execução de atividades rotineiras para os profissionais do direito, as Lawtechs visam aprimorar o acesso da população a ferramentas jurídicas inovadoras, como, por exemplo, nos casos em que ocorrem atrasos ou cancelamentos de voos, há startups que tentam negociar com as empresas aéreas um termo de recompensa, por meio da autorização do consumidor para ceder seus direitos de processo, evitando passivos jurídicos para as companhias de aviação.

Tendo em vista a constatação de que, com o decorrer dos anos, a tendência de novas criações com o objetivo de otimizar a rotina de trabalho da sociedade em geral, o setor jurídico será impactado diretamente. Sob tal perspectiva, analisando o estágio em que as tecnologias encontram-se implantadas no direito e levando em consideração a celeridade com que ocorrem as transformações em todo o mundo, pode-se notar a necessidade de adaptação para conseguir alcançar os padrões de uma realidade hipermoderna.

Dessa forma, é esperado que inteligências artificiais realizem as funções comumente destinadas a operadores jurídicos, como exemplo: existem projetos de empresas online que podem funcionar com uma equipe reduzida e, com o auxílio de máquinas que organizam informações e processos, ser bem mais ágil do que se o corpo de funcionários fosse formado apenas por pessoas físicas, obtendo uma maior credibilidade para com os solicitantes e, consequentemente, aumentando seus lucros.

Além disso, existem alternativas de otimizar a quantidade de tempo gasto em locomoção até o local de trabalho, como a criação de plataformas onlines que conectam os cidadãos aos advogados, podendo ser acessado em qualquer lugar que o indivíduo esteja, em busca de melhorar a qualidade dos serviços, dispondo de um período maior dedicado ao cliente.

Ademais, é nítido que as invenções futuras buscarão suprir a necessidade imediata de uma sociedade consumista e individualista. Sendo assim, surgem os questionamentos: tais tecnologias terão a capacidade de analisar os aspectos sociais e econômicos dos envolvidos no processo? E serão projetadas visando a real melhoria das condições do trabalho ou apenas almejando o lucro?

Em termos gerais, as respostas são evidentes. Em um contexto de fluidez nas relações, da informalidade, da instantaneidade dos desejos e do imediatismo das recompensas, o olhar subjetivo e aprofundado para a realidade de cada indivíduo é inconcebível, principalmente quando se refere às máquinas e inovações.

No mais, o lucro prevalecerá e continuará sendo colocado acima das demais questões, o que deveria ser feito para aprimorar as ferramentas e fazer com que o profissional realize menos esforços para a conclusão de tarefas, será utilizado para substituir a mão de obra humana, causando, assim, altas taxas de desemprego. Todavia, quando a análise é feita de maneira minuciosa, levando em consideração a imprescindibilidade da investigação subjetiva no mundo jurídico, é válido ressaltar que mesmo com tantos projetos futuros, será inviável conceder a uma máquina a capacidade de entender cada aspecto social, econômico e pessoal dos indivíduos envolvidos no processo jurídico.

Portanto, conclui-se que melhorias nos meios utilizados pelos profissionais do direito são indispensáveis, visto que a sociedade presencia uma constante evolução tecnológica. No entanto, mesmo com descobertas aptas para executarem inúmeras funções desempenhadas pelo homem, há apenas uma mínima probabilidade de que as particularidades presentes nos casos sejam por elas interpretadas de melhor maneira do que se tal interpretação fosse feita por especialistas da área do direito.

Dessa forma, o fim do mundo jurídico devido às novas tecnologias, como Lawtech e Legaltech, é uma hipótese que não deve ser considerada, já que o papel social e humanizado é intrínseco ao direito.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com o avanço da tecnologia em diversos setores, tanto educacional como profissional era esperado que essa onda tecnológica também chegasse também nas áreas humanas, como é o caso do setor jurídico, dessa forma, o direito igualmente com outras áreas, visando trazer modernização e quebrar essa imagem de morosidade processual incorporou a tecnologia no seu dia a dia.

Assim criando legaltechs e lawtechs que são empresas focadas em pensar soluções tecnológicas que facilitem e transformem a rotina jurídica, são os sites que reúnem jurisprudências até as Inteligências artificiais que atuam no setor Público com empresas que focam em soluções de Inteligência Artificial para os tribunais e o poder público, como por exemplo, o uso de robôs nos tribunais como o Victor, utilizado pelo STF para ajudar no julgamento de causas, contribuindo na leitura dos recursos extraordinários e identificar quais dele se relacionam com temas de repercussão geral.

No Brasil, as expressões legaltechs e lawtechs são sinônimos, porém no meio internacional, essas expressões trazem significados, diferentes sendo que legaltech se destina a empresas que servem aos advogados e escritórios de advocacia sem fazer modificações no seu modelo de negócio, consentindo a utilização da tecnologia para fazer o trabalho de forma mais ágil e precisa, resultando em maiores economias financeiras ou possibilitando o aumento das receitas e as lawtechs são empresas que impulsionam profissionais de outras áreas, podendo ser quaisquer pessoas que tenham acesso ao conhecimento e processos do meio jurídico.

Para a regularização das empresas de tecnologia no Brasil há a Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), sem fins lucrativos, que tem a finalidade regulamentar, através de avaliação, observação, mapeamento e fomentando o ecossistema jurídico formado por essas Startups, dessa forma, pretende o crescimento dessas startups e estimulando as melhores práticas profissionais.

Com o progresso da tecnologia no meio jurídico e com a eficiência trazida pelo legaltechs e lawtechs sugiram alguns questionamentos acerca do futuro do mundo jurídico, será que a tecnologia avançaria a ponto de substituir toda a parte humana do setor jurídico? Ao analisar de maneira minuciosa, levando em consideração a imprescindibilidade da investigação subjetiva no mundo jurídico, é válido ressaltar que mesmo com tantos projetos futuros, será inviável conceder a uma máquina a capacidade de entender cada aspecto social, econômico e pessoal dos indivíduos envolvidos no processo jurídico.


REFERÊNCIAS

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MANZANO. Esther Salmerón.Legaltech e Lawtech: Perspectivas, Desafios e Oportunidades Globais. Disponível em: < https://www.mdpi.com/2075-471X/10/2/24/htm>; . acessado em 25 de fevereiro de 2022.

MAES, Jessica. O que são as “lawtechs” e como elas vão revolucionar o mundo jurídico. Gazeta do Povo, Curitiba, 25 jan. 2020. Disponível em: < https://www.gazetadopovo.com.br/economia/o-que-são-as-lawtechsecomo-elas-vao-revolucionaromundo-.... Acesso em: 07 mar. 2022.

PADRÃO, Márcio. Lawtech e legaltech: o que é este mercado e por que é tão promissor no Brasil?. Canaltech, 2021. Disponível em: < https://www.canaltech.com.br/amp/startup/lawtechelegaltechoqueeeste-mercadoepor-queetao-pr.... Acesso em: 04 mar. 2022.

Qual a diferença entre lawtech e legaltech? Disponível em: < https://fintech.com.br/blog/startup/diferenca-entre-lawtech-legaltech/>.acessado em 25 de fevereiro de 2022.

SILVA. Cristina. O que é Legaltechs/Lawtechs e quais as vantagens para a área jurídica?. Disponível em:< https://www.ultimatum.com.br/o-queelegaltechs-lawtechsequais-as-vantagens-paraaarea-juridica/&... em 25 de fevereiro de 2022.

SANTANA. Liz. Lawtech e Legaltech: 10 soluções jurídicas úteis para seu escritório de advocacia. Disponível em: < https://blog.jusbrasil.com.br/artigos/1234611550/lawtechelegaltech-10-solucoes-juridicas-uteis-par... em 25 de fevereiro de 2022.

RODAS, Sérgio. Lentidão e burocracia desmotivam pessoas a irem à Justiça, diz estudo. Consultor Jurídico, 2019. Disponível em: < https://www.conjur.com.br/2019-dez-06/lentidao-burocracia-desmotivam-pessoas-recorrer-justiça#:~:tex.... Acesso em: 04 mar. 2022.


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Perfeito! Abordagem fundamental nos dias de hoje. continuar lendo

Perfeito, como sempre, arrasaram!! continuar lendo