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1 de Março de 2024

O Voto e o Exercício de Votar. Nem Obrigatório nem Facultativo, mas Consciente!

há 8 anos

Dias atrás fui parado nos corredores do fórum por um amigo querido que enxergou em mim, vejam só, a possibilidade de ser um propagador da ideia da não votação em massa por demonstração de liberdade em estado puro… "a mais alta demonstração da magia democrática”.

Enquanto eu ainda tentava entender minha real posição em sua vontade, ele metralhava seus argumentos contrários à obrigatoriedade absurda do ato de votar em um país que se diz democrático (…)

Pensei rapidamente sobre o assunto, e, de imediato, me posicionei no sentido de que o voto facultativo traria ao pleito eleitores com maior motivação em fazer escolhas certas. Seriam eleitores, em regra, com maior grau de consciência e que isso deveria redundar em candidatos mais bem preparados, e que no frigir dos ovos, o país sairia lucrando com isso. Sem falar que os partidos políticos teriam uma preocupação maior para fazer com que o cidadão fosse exercer seu direito de voto, em sendo assim, penso que nos traria candidatos com discursos menos enfadonhos e mentirosos, promoveriam campanhas educativas para despertar o interesse e qualificar também os eleitores (...) Isso criaria um círculo virtuosíssimo e em pouco tempo estaríamos dando aula de cidadania e organização para os países do primeiro mundo. Será?

Pois é, pensei um pouco mais e vi que em se tratando de Brasil nenhuma regra é absoluta. Será que de fato haveriam campanhas educativas visando qualificar o eleitorado ou os políticos picaretas manteriam um silêncio sepulcral visando não alardear para não despertar o eleitor consciente? Será que os votos não seriam vendidos no atacado com precinho camarada nos rincões mais carentes tipo “mala direta”? Andaríamos para trás ou para frente? Seria loucura dizer que corre o risco de nenhum partido político utilizar os meios de comunicação para divulgar suas idéias e projetos e que nosso país seria fatiado e rifado na surdina? O horário eleitoral obrigatório seria mais silencioso que mosteiro Tibet e os ricos partidos teriam suas chapas vitoriosas por um tipo torto de aclamação!

Winston Churchill dizia que “a democracia é a pior forma de governo que existe... Depois de todas as outras”.

Voto, que no dicionário, é substantivo masculino que significa “promessa solene feita à divindade, aos santos…” e “oferenda que visa pagar essa promessa.” Enquanto que o ato de Votar, é emitir ou ter direito de emitir voto; é sinônimo de deliberar, de opinar- e por minha conta, de decidir, influenciar e de determinar. A verdade é que os que querem nosso voto, em regra, não se fazem merecedores de voto de confiança. Acho que devemos e precisamos votar em todos os pleitos, porque se não fizermos eles continuarão a fazer por nós o que fazem e do jeito que fazem.

Quanto a ser obrigatório ou facultativo, acho que a discussão sobre a obrigatoriedade ou facultatividade do voto terá fim quando as escolas forem alçadas à condição de templos e os professores tiverem status de ministros do STF, porque onde a educação se perpetua, os frutos, inquestionavelmente, são bons. Pessoas bem educadas tem maior possibilidade de exercerem seu poder através do voto; não se vendem porque sabem que a pessoa que se vende sempre recebe pagamento maior do que merece; gente bem educada pensa que suas atitudes singulares influenciam no coletivo e com isso não olham somente para seu próprio umbigo.

Uma sociedade apta ao discernimento produz políticos avessos ao ridículo de nos fazerem de idiotas, como governar uma cidade de dentro da cadeia pública, despacharem de tornozeleira eletrônica prisional ou a serem presos com dinheiro na cueca ou ainda que intentem que acreditemos que aqueles milhões de dólares no trust na Inglaterra ou nos bancos da Suíça nasceram lá ou que nada tem a ver com a influência de seus mandatos frente às empreiteiras ou à “comissões” recebidas através das Emendas por votarem de acordo com este ou aquele interesse (...) Aliás, uma sociedade apta ao discernimento produz aptos mandatários interessados em cumprir os nossos anseios.

Recorrentemente, digo que propagar educação é vislumbrar a possibilidade de ver cordeiros virarem leões, e nada provoca mais medo em maus políticos que um povo atento e conhecedor de seus Direitos. Voto com consciência!

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2 Comentários

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Adorei seu artigo, parabéns pela brilhante forma de abordagem. Genial! continuar lendo

Gostei do artigo, muito interessante e reflexivo. No entanto ele me parece um pouco utópico. Infelizmente a maioria de nós é muito cética quanto a real melhoria da educação pública. Eu gostaria apresentassem bons argumentos sobre o que é melhor na realidade em que vivemos atualmente: voto obrigatório ou facultativo. Ou a questão seria "qual é menos pior"? continuar lendo