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13 de Abril de 2024

Os meus erros na advocacia

Errar é humano, aprender com eles é indispensável.

há 10 meses

https://www.artetributaria.com.br

 Saudações!

 Tenho muita satisfação em integrar hoje a presidência da comissão de tributário de Guarulhos, estou satisfeito com minha trajetória mas não dá pra esquecer os erros que já cometi. Eles é que me ajudam a ser um profissional melhor. Vamos por ordem de impacto (o que mais impactou em mim e portanto deve impactar em qualquer advogado):

1. Confiar 100% na história do seu cliente.

 O Cliente sempre vai te contar a versão dele, o que ELE acha que está errado. Ele NÃO vai te contar o que ele NÃO FEZ, ou FEZ errado ou ESQUECEU. Vou contar 3 casos aqui que arrepiam os cabelos de qualquer advogado:

 A) Um dos primeiros processos da minha carreira foi uma indenização. O cliente pediu pra sair do imóvel porque a prefeitura exigia licença de funcionamento, e a licença não saia porque o proprietário do imóvel não tinha vários documentos (habite-se, AVCB, etc). O meu cliente saiu mas teve perdas com a mudança e mancha na reputação. Até ai qualquer advogado pegaria o caso. O QUE EU NÃO perguntei e o cliente NÃO DISSE foi se havia algum tipo de ação, algum acordo pendente, etc.. Dai, peguei documentos, procuração, provas, peticionei. A resposta na contestação: já havia coisa julgada. O cliente não me contou que já tinha ido a um CEJUSC e feito acordo lá (já homologado). PRA ELE um advogado é capaz de derrubar QUALQUER ACORDO. Claro que não era o caso, perdemos por minha incapacidade de perguntar algo óbvio. E esse caso aqui foi só o aperitivo. Aperta o cinto para o próximo.

B) A mãe me procura querendo pensão do ex-marido. A historia: "a gente era casado, ele começou a ficar agressivo, nos separamos e fizemos acordo para minha filha ficar comigo, mas ele nunca pagou pensão". Direito de família?Hmm.. Eu estava iniciando então vamos lá: o que pode dar errado? O cara não pagar? Pouca margem de erro certo? CERTO? ERRADO. Peguei documentos, peticionei pedindo a pensão e ela ficou me devendo o tal do ACORDO que ela disse que tinha com ele. Veja: a palavra "acordo" varia de pessoa pra pessoa. Na cabeça do advogado é um "acordo formal". Algo escrito, lavrado e documentado. Mas pra ela era um pedaço de papel de caderno onde eles escreveram como ficariam as coisas. Era uma união estável. Mas Ok, ela tem direito a pensão certo? Bom, o cara ficou indignado quando recebeu a citação e no dia de visita da menina com ele, sequestrou a menina :0 !!! Sequestro é uma palavra forte, mas o que ele alegou é que a mãe não tinha condições e que ele é que teria direito a GUARDA. Como não tinha nenhum acordo em lugar nenhum foi um corre corre de fórum pra poder devolver a menina pra mãe. Foram duas semanas inteiras dedicadas a isso. Consertar uma coisa que se eu tivesse tido mais atenção, não teria acontecido.

C) Inventário: é normal fazer parcerias no inicio, mas cuidado! Fiz uma parceria com um contador, que estudava Direito e que tinha uma cliente alegando que na divisão de bens dos pais falecidos a irmã dela teria sonegado um imóvel no valor de R$ 220.000,00. Como ela ficou fora do país, supostamente a irmão teria auferido R$ 80.000,00 em alugueis. O tal imóvel teria uma matricula de IPTU (era toda a prova que ela tinha). Fui pessoalmente ao lugar. Era um cortiço, uma dessas vilas sabe? Que nem no programa do Chaves. As casas eram uma em cima da outra, desorganizado. Supostamente era uma casa lá que realmente não tinha no inventário. MAS na verdade era apenas um desmembramento de um mesmo imóvel. Avisei essa possibilidade ao contador. A tal cliente estava impassível, dizendo que eu estava errado e que a irmã tinha passado ela pra trás. Ok. Peticionamos. Valor da causa: R$ 300.000,00. Não ganhou e ainda teve que pagar 10% de honorários de sucumbência. R$ 30.000,00 ! De quem foi a culpa? Claro, minha, por não ter me "esforçado" o suficiente.

Como se dependesse de mim. Essas questões todas precisam passar por um filtro. Seu filtro. Se tiver alguma coisa incompleta, errada, já avisa logo. Porque depois sobra pra você, pobre advogado.

Hoje dou palestras na OAB na área tributária. Essa aqui foi final do ano passado e hoje posso dizer que meu "filtro", meu "faro" pra cretinice de cliente está muito mais apurado. Fiquem com a palestra de

"Oportunidades do direito tributário": https://youtu.be/qwlcnjpvzHE

Mais informações em https://www.artetributaria.com.br

(Aguardem a parte 2 desse artigo. Vale a visita)

Paciência e força sempre!

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2 Comentários

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Estou passando por uma situação deveras amarga!
Sempre tive o costume de pedir desistência nos processos em que o cliente não tem o interesse de prosseguir.
Ocorre que, recentemente, a juíza negou um pedido de assistência judiciária para uma cliente e eu, como de costume, requeri a desistência do processo.
Qual não fora minha surpresa quando a juíza, ao homologar o pedido de desistência, condenou a cliente em custas finais. Fiquei, e estou estarrecida!
A juíza ainda disse (em atendimento agendado por mim para tentar resolver a problemática) que eu deveria simplesmente ter abandonado o processo ao invés de requerer desistência... Como explicar isso ao cliente? Eu terei que pagar, e caro! por um erro que eu nem sabia que era de fato um erro. continuar lendo

Dra., que situação! Dependendo da situação tem algumas possibilidades. Fico a disposição no email contato@artetributaria.com.br caso queira conversar a respeito. continuar lendo