Página 1636 do Diário de Justiça do Distrito Federal (DJDF) de 7 de Maio de 2021

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a parte exequente ter informado na inicial que a parte executada residia nesta circunscrição judiciária, o ato processual de citação, penhora e avaliação não se realizou (ID. 88702626). Após isso, a parte credora compareceu no feito para informar o endereço da parte devedora, ora domiciliada em Taguatinga e Ceilândia (ID. 90784818). A regra contida no artigo , I, da Lei nº 9.099/95 define como regra geral o foro de domicílio do réu, e como os autos informam ser o do executado em outra região administrativa, a ação não poderia prosseguir neste Juízo. Destarte, a competência em sede desta Justiça Especial está totalmente contida na referida norma cogente (art. 4º), que não deixa espaço para aplicação subsidiária de eventual foro de eleição, como previsto no artigo 63 do Novo Código de Processo Civil. Assim, toda a matéria tratada a respeito da arguição da incompetência no CPC deverá se adequar ao primeiro diploma legal mencionado, por ser especial. Nesse sentido, confirase jurisprudência da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do DF: "LEI 9099/95. COMPETÊNCIA TERRITORIAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS. PREVALÊNCIA DO FORO DO DOMICÍLIO DO RÉU. I. O apelante insurge-se contra a sentença que reconheceu a incompetência do juizado especial cível de Brasília para o processamento da execução do contrato de honorários advocatícios (domicílio do réu em VICENTE PIRES/DF) e extinguiu o processo sem resolução do mérito (Lei 9099/95, art. 51, II). Sustenta que as partes elegeram o foro de Brasília para dirimir eventuais questões," em prejuízo de outro por mais privilegiado que seja "(fl. 36). Invoca, ainda, a aplicação do disposto no art. , II da Lei 9099/95 (o escritório do recorrente está situado em BRASÍLIA/DF, local onde a obrigação deve ser satisfeita). Pugna pelo retorno dos autos ao 3º Juizado Especial Cível de Brasília, para regular processamento da demanda executória. II. A Lei 9099/95 estipulou regras próprias de competência, as quais devem receber interpretação diversa da dispensada às normas do direito processual comum, a fim de que seja alcançado o objetivo de prestar a atividade jurisdicional mais célere, sem dispêndio às partes. Por essa razão, o artigo 51, inciso III da Lei dos Juizados Especiais contempla a extinção do feito sem julgamento do mérito quando reconhecida a incompetência territorial. III. A competência territorial dos Juizados Especiais Cíveis é fixada, de regra, pelo domicílio da parte ré - critério prevalente (Art. , inciso I e parágrafo único da Lei 9099/95). As demais situações sucessivas abarcariam as hipóteses de relação de consumo, em que o consumidor pode optar por ajuizar a ação no foro de seu domicílio (hipossuficiência jurídica manifesta) ou nos casos de estar pendente o cumprimento de obrigação (no local onde esta deva ser necessariamente satisfeita). IV. No presente caso (execução de título extrajudicial - contrato de honorários advocatícios), nenhuma das hipóteses mencionadas se faz presente (o executado e consumidor tem domicílio em VICENTE PIRES/DF - e não evidenciada qualquer das demais situações). V. Insta salientar que, não obstante a"mens legis"ter sido direcionada ao mais amplo acesso à justiça, o objetivo último perseguido pela Lei 9099/95 é o de solucionar os litígios e as pretensões de satisfação do crédito instauradas no seio da comunidade local, a permitir ao julgador maior agilidade no processamento do feito e evitar maiores delongas (garantia ao contraditório e à ampla defesa, sobretudo no caso de eventuais embargos à execução). VI. Nesse contexto, a circunstância de ter sido eleito o foro de BRASÍLIA/DF para dirimir as pendências respectivas não está apta a justificar a propositura da ação executiva perante esse juízo, haja vista que, como dito, o ajuste de vontades, no particular, não se presta a subjugar a previsão legal. VII. MANTÉM-SE A SENTENÇA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS, E O APELANTE ARCARÁ COM AS CUSTAS PROCESSUAIS (LEI 9099/95, ARTS. 46 E 55). RECURSO IMPROVIDO. MAIORIA. VENCIDO O 2º VOGAL, QUE VOTOU PELA ANULAÇÃO DA SENTENÇA, POR ENTENDER QUE O FORO DE ELEIÇÃO, POR SE TRATAR DE LOCAL DE CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO, ATRAIRIA A COMPETÊNCIA DO JUÍZO AO QUAL FORA DISTRIBUÍDA A AÇÃO (Lei 9099/95, IV). TUDO, CONSOANTE AS NOTAS TAQUIGRÁFICAS". (20100111524033ACJ, Relator FERNANDO ANTONIO TAVERNARD LIMA, Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do DF, julgado em 25/01/2011, DJ 24/02/2011 p. 305) Outrossim, a propositura do feito na região administrativa de Samambaia se mostra inadequada, pois a parte executada terá excessiva dificuldade para exercitar o direito constitucional de ampla defesa. Além disso, a Lei de regência dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais disponibiliza um processo menos oneroso tanto para as partes como para o Estado (art. da Lei nº 9.099/95). Como o endereço da parte devedora situa-se em Taguatinga e Ceilândia, onde há Juizado Especial Cível, obviamente que a ação deve ser ajuizada perante o referido Juízo, mas no procedimento da Lei nº 9.099/95 não há como declinar para o juízo competente, impondo-se a extinção do processo. Ademais, a lide não envolve relação de consumo (em relação ao exequente), nem tampouco reparação de danos de ato ilícito extracontratual, casos que autorizariam o autor a escolher o foro do seu domicílio, daí resultando, também por isso, incompetente este Juízo para apreciar a demanda, ficando facultado à parte exequente propor o feito no foro de domicílio da parte devedora. Com essas razões, EXTINGO o processo com fulcro no art. 51, inciso III, da Lei nº 9.099/95. Sem custas nem honorários advocatícios (art. 55,"caput", da LJE). P.R.I.

N. 0702900-81.2021.8.07.0009 - PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL - A: FAGNER PIMENTEL PEREIRA GOMES. Adv (s).: DF65660 - HANNA LOUISE GONCALVES SILVA. R: BUSER BRASIL TECNOLOGIA LTDA.. Adv (s).: SP266795 - GUILHERME KASCHNY BASTIAN. Poder Judiciário da União TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS 1JECICRSAM 1º Juizado Especial Cível e Criminal de Samambaia Número do processo: 0702900-81.2021.8.07.0009 Classe judicial: PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL (436) AUTOR: FAGNER PIMENTEL PEREIRA GOMES REQUERIDO: BUSER BRASIL TECNOLOGIA LTDA. SENTENÇA Narra o autor, em síntese, que em 16/01/2021, adquiriu uma passagem por meio do aplicativo Buser para realizar uma viagem do trecho SÃO PAULO ? BSB, no dia 16 de janeiro de 2021, às 20h00, no valor de R$ 149,90. Alega que ao entrar no site da ré, logo chamou a atenção uma propaganda que consistia no direito de ter a primeira viagem gratuita, conforme printscreen da tela inicial do aplicativo da ré. Afirma que não estava explícito na página inicial do site qualquer tipo de regra referente ao anúncio, apenas a oferta de que a primeira viagem seria gratuita. Explica que, visando realizar sua primeira viagem gratuitamente e confiando na oferta anunciada no site da empresa, informou o seu local de partida e destino e induzido pela propaganda, digitou os números de cartão de crédito conforme solicitado, tendo em vista que era um requisito exigido pelo site no momento do cadastro, mas acreditou que valor não seria cobrado em sua fatura, pois no anúncio dizia que tal passagem sairia grátis. Destaca que diferente da oferta, se deparou com a cobrança do valor integral da passagem cobrado em seu cartão de crédito. Pretende a restituição do valor pago; indenização por danos morais. A ré, em resposta, esclarece que a Promoção de Primeira Viagem Grátis (também chamada de ?Promoção Boomerang?) obedece a algumas regras específicas para sua utilização, as quais, ao contrário do que alega o Autor, estão TODAS explicitadas no site da BUSER5. Explica que a primeira regra para utilização da promoção é que seja realizada a compra de passagem de ida e de volta em conjunto, e não apenas para um único trecho. Ressalta que o autor realizou a compra do trecho São Paulo/SP para Brasília/DF, motivo pelo qual, de fato, não teria sido aplicada a promoção. Assevera que o autor apenas realizou a compra de um trecho, qual seja, São Paulo/SP para Brasília/DF, motivo pelo qual não cumpria os requisitos para a promoção de primeira viagem grátis. Sustenta que antes de finalizar a compra da passagem, o usuário deve confirmar estar de acordo com os Termos de Uso da BUSER, sendo que, tendo em vista que o autor realizou a compra da passagem e dela usufruiu normalmente, descabida a alegação de que desconhecia as regras da promoção, as quais deveriam ter sido lidas antes da finalização da compra. Pugna pela improcedência dos pedidos. É o relato do necessário, conquanto dispensado consoante previsão do art. 38, caput, da Lei nº 9.099/95. Inexistindo questões processuais a serem apreciadas e estando presentes as condições da ação e os pressupostos de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo, passa-se ao exame do mérito. MÉRITO A relação jurídica estabelecida entre as partes é de consumo, visto que as requeridas são fornecedoras de serviços e produtos, cujos destinatários finais são os requerentes (arts. e do Código de Defesa do Consumidor). O feito comporta julgamento antecipado, nos termos do artigo 355, I, do Código de Processo Civil, pois os documentos colacionados aos autos são suficientes para o deslinde da causa, afigurando-se prescindível a produção de prova oral. A controvérsia reside em se aferir a existência da propalada propaganda enganosa, a respaldar o direito da parte consumidora quanto à restituição do valor pago pela passagem e indenização por danos morais. A parte autora não se desincumbiu, nos termos do art. 373 I do CPC, no sentido de comprovar que a oferta não foi cumprida, conforme anúncio. Isso porque não há qualquer vício de consentimento quando da adesão da oferta e sequer falha no dever de informação, porquanto a tela anexada pelo autor somente traz a informação de que a primeira viagem é grátis, entretanto não comprova que a adesão é o único requisito para garantir a oferta, notadamente porque o requerente não impugnou a informação trazida pela ré de que a promoção não foi ativada face à não adesão ao trecho de volta, conforme tela (id. 88951349). Em que pese, o autor ter anexado tela com a informação de que a primeira viagem é grátis, as demais telas