Página 49 da Caderno Judicial do Tribunal de Justiça do Diário de Justiça do Estado do Mato Grosso (DJMT) de 29 de Julho de 2021

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penais em curso podem ser utilizados como fundamento para afastar a causa especial de diminuição de pena prevista no artigo 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006. 3. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no AREsp 1784892/DF, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 30/03/2021, DJe 06/04/2021) Desse modo, deve ser aplicado o referido verbete sumular quanto à suposta violação artigo 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, visto que o entendimento exposto no acórdão recorrido se encontra em sintonia com a orientação sedimentada no Superior Tribunal de Justiça, o que impede o seguimento do recurso. Ante o exposto, inadmito o recurso especial, nos termos do art. 1.030, inc. V, do CPC. Publique­se. Cumpra­se. Desembargadora Maria Aparecida Ribeiro Vice­Presidente do Tribunal de Justiça

Intimação Classe: CNJ­53 AGRAVO DE INSTRUMENTO

Processo Número: 1013923­98.2020.8.11.0000

Parte (s) Polo Ativo: ANTONIO CARLOS IENERICH (AGRAVANTE)

IURI FRANCO ROCHA (AGRAVANTE)

BR COMERCIO DE CEREAIS LTDA (AGRAVANTE)

BR PARTICIPACOES E INVESTIMENTO LTDA (AGRAVANTE)

BR COMERCIO DE PRODUTOS AGRICOLAS LTDA (AGRAVANTE)

GILBERTO BELINATO (AGRAVANTE)

Advogado (s) Polo Ativo: ROSANE SANTOS DA SILVA OAB ­ MT17087­A (ADVOGADO)

ANTONIO FRANGE JUNIOR OAB ­ MT6218­O (ADVOGADO)

Parte (s) Polo Passivo: SINAGRO PRODUTOS AGROPECUARIOS S.A (AGRAVADO)

Advogado (s) Polo Passivo: JOSE ERCILIO DE OLIVEIRA OAB ­ SP27141­ O (ADVOGADO)

ADAUTO DO NASCIMENTO KANEYUKI OAB ­ SP198905­O (ADVOGADO) Outros Interessados: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO (CUSTOS LEGIS)

ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA VICE PRESIDÊNCIA Tribunal de Justiça de Mato Grosso PJe ­ Processo Judicial Eletrônico Recurso Especial no Agravo de Instrumento n. 1013923­ 98.2020.8.11.0000 Recorrentes: Antônio Carlos Ienerich e outros Recorrido: Sinagro Produtos Agropecuários S.A. Vistos. Trata­se de recurso especial (id 82031454) interposto por Antônio Carlos Ienerich e outros, com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição Federal, contra o acórdão da Segunda Câmara de Direito Privado, assim ementado (id 57990994): “RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO – RECUPERAÇÃO JUDICIAL – PRODUTOR RURAL – EMPRESÁRIO INDIVIDUAL – AUSÊNCIA DE UNIFORMIZAÇÃO DA JURISPRUDENCIA – REDAÇÃO EXPRESSA DO ARTIGO 51 DA LEI Nº 11.101/2005 ­ DESCUMPRIMENTO DO ARTIGO 48, CAPUT, DA LEI DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL ­ REGISTRO PÚBLICO DE EMPRESÁRIOS INDIVIDUAIS EFETUADO CERCA DE TRÊS MESES ANTES DO PEDIDO DE RECUPERAÇÃO ­ BIÊNIO LEGAL NÃO COMPROVADO – NATUREZA CONSTITUTIVA DA INSCRIÇÃO PARA O EMPRESÁRIO RURAL – ENUNCIADO 202/CJF ­ EXIGÊNCIA CONTIDA NOS ARTIGOS 966, 967 E 971, TODOS DO CC/2002 C/C OS ARTS. 48, E 51, INCISO V, AMBOS DA LRF – EXTENSÃO DA RECUPERAÇÃO PARA A SUSPENSÃO/NOVAÇÃO DE DÉBITOS CONSTITUÍDOS E/OU GARANTIDOS POR PESSOAS FÍSICAS – VEDAÇÃO – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DO ART. 170, IV, DA CF; DOS ARTS. 49­A E 50, §§ 2º E 3º E 422, TODOS DO CC; E DO ART. 198, III, DA LEI Nº 9.279/1996 ­ EMPRESA QUE NÃO POSSUI NENHUMA ATIVIDADE OPERACIONAL – NÃO SUJEITA À RECUPERAÇÃO JUDICIAL – ARTIGO 47 DA LEI Nº 11.101/2005 ­ DECISÃO REVOGADA EM PARTE ­ RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE. Até que sobrevenha a uniformização de entendimento no STJ, impõe­se a aplicação, ipsis literis, do artigo 51, inciso V , da Lei nº. 11.101/05, o qual estabelece que a recuperação judicial somente poderá ser utilizada por quem for empresário ou sociedade empresária, e regularmente inscrito no Registro Público de Empresas ou Junta Comercial para o caso do empresário se pessoa física há mais de 02 (dois) anos. O artigo 971 do Código Civil faculta ao empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, requerer o Registro Público de Empresas Mercantis, situação em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os fins, ao empresário sujeito a registro, sendo a natureza dessa inscrição constitutiva. Inteligência do Enunciado 202 do Conselho de Justiça Federal, aprovado na III Jornada de Direito Civil. Para postular a Recuperação Judicial, a Lei 11.101/2005 exige do devedor (artigo 1º) a comprovação do exercício de atividade empresarial de forma regular nos dois anos anteriores ao pedido, cujo prazo se demonstra com a juntada de certidão expedida pela Junta Comercial no caso do empresário individual, seja ele rural ou não rural (artigos. 48 e 51 da LREF). Caso dos autos em que os empresários, sócios de pessoas jurídicas do agronegócio, efetuaram seu registro como empresários individuais a menos de dois anos do pedido de recuperação judicial, faltando­lhes, pois, o requisito temporal legal para o acolhimento de seu pedido recuperacional. Logo, não se revela admissível a extensão da suspensão de ações/execuções e a novação dos débitos constituídos ou garantidos por sócios da recuperanda na condição de pessoas físicas. Afinal, ao se comprometer ao pagamento de um débito na condição de pessoa física, o contratante gera no credor a justa expectativa de que, em caso de ser necessária a execução, não correria o risco de ter frustrada a excussão regular para a satisfação de seu crédito por um possível pedido recuperação judicial. Além disso, admitir a suspensão das dívidas também em relação ao sócio significaria negar vigência ao artigo 422 do Código Civil, ante a necessária observância da boa­fé que deve imperar nas relações contratuais, ao novel artigo 49­A, caput, do Código Civil, bem como à possibilidade de o credor se valer da tese de confusão patrimonial a permitir a desconsideração da personalidade jurídica, tal como consta da nova redação do artigo 50, §§ 1º, , e 3º, do Código Civil. Haveria ainda a chancela do Poder Judiciário à prática da concorrência desleal, favorecendo a produção/venda de produtos/safra/alimentos por preços mais vantajosos posto que não precisariam pagar a integralidade dos débitos contraídos para aquisição de insumos (amparados pelo beneplácito da recuperação judicial), em nítida ofensa ao artigo 198, III, da Lei nº 9.279/1996 , bem como expressa violação ao direito à livre concorrência constitucionalmente garantido pela Constituição Federal, em seu artigo 170, IV, o qual expressa”. (TJMT – Segunda Câmara de Direito Privado – RAI n. 1013923­98.2020.8.11.0000,

Relatora: Desª Marilsen Andrade Addario, j. 16/09/2020, p. 09/10/2020). Os embargos de declaração opostos contra o acórdão (Ids. 61973464 e 68798985) foram acolhidos sem efeitos infringentes (Ids. 67371464 e 79025495). Na espécie, o presente recurso foi interposto contra o aresto proferido em sede de agravo de instrumento, interposto pela SINAGRO PRODUTOS AGROPECUÁRIOS S/A, em face da decisão interlocutória exarada na Ação de Recuperação Judicial nº 1000866­96.2020.8.11.0037, ajuizada por ANTÔNIO CARLOS IENERICH, CPF 011.158.441­80, IURI FRANCO ROCHA, CPF 015.231.621­39 e GILBERTO BELINATO, CPF 856.468.819­00, bem como pelas empresas BR COMÉRCIO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS LTDA, CNPJ 10.530.266/0001­08, BR PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA, CNPJ 28.392.121/0001­45, BR COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA, CNPJ 23.937.313/0001­76, e BR PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA, CNPJ 28.392.121/0001­45, que após perícia preliminar, deferiu o processamento da recuperação judicial das empresas e das pessoas físicas dos empresários rurais ­ todos acima nominados ­, sem que estes últimos tivessem inscrições na JUNTA COMERCIAL (JUCEMAT) por mais de 02 (dois) anos. A Câmara julgadora deu parcial provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida, de modo que sejam excluídos da recuperação judicial as pessoas físicas ANTÔNIO CARLOS IENERICH, IURI FRANCO ROCHA, GILBERTO BELINATO e a empresa BR PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA. O recorrente alega violação aos artigos 48, caput, e 51, inciso V, da Lei 11.101/05, artigos 966, 970 e 971, todos do Código Civil, além dos artigos 113, 116 e 117, do Código de Processo Civil, ao argumento de que comprovaram o exercício de atividade empresarial rural há mais de 02 (dois) anos e que fazem jus aos benefícios da recuperação judicial. Recurso tempestivo (id 82498482) e preparado (id 82526456). O pleito de efeito suspensivo foi indeferido na decisão id 83058991. Contrarrazões no id 84801967. É o relatório. Decido. Da sistemática de recursos repetitivos. Não é o caso de se aplicar a sistemática de precedentes qualificados no presente caso, porquanto não foi verificada a existência, no Superior Tribunal de Justiça, de tema que se relacione às questões discutidas neste recurso, não incidindo, portanto, a regra do artigo 1.030, I, b, II e III, do CPC. Passo ao exame dos demais pressupostos de admissibilidade. Pressupostos satisfeitos Conforme relatado, a Câmara julgadora deu provimento ao Agravo de Instrumento n. 1013923­ 98.2020.8.11.0000, para excluir da recuperação judicial as pessoas físicas ANTÔNIO CARLOS IENERICH, IURI FRANCO ROCHA, GILBERTO BELINATO e a empresa BR PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA., ao fundamento de que “impõe­se a aplicação, ipsis literis, da Lei nº. 11.101/05, a qual estabelece que a recuperação judicial somente poderá ser utilizada por quem for empresário ou sociedade empresária, cuja prova se dá mediante a regular inscrição no Registro Público de Empresas ou Junta Comercial para o caso do empresário se pessoa física há mais de 02 (dois) anos”. Nesse contexto, a partir da provável ofensa aos artigos aos artigos 48, caput, e 51, inciso V, da Lei 11.101/05, artigos 966, 970 e 971, todos do Código Civil, além dos artigos 113, 116 e 117, do Código de Processo Civil, os recorrentes sustentam que comprovaram o exercício de atividade empresarial rural há mais de 02 (dois) anos e que fazem jus aos benefícios da recuperação judicial. Argumentam que “a Lei 11.101/05 não exige para o protocolo da petição inicial que haja registro na Junta Comercial das atividades do requerente há mais de 02 (dois) anos, e sim que haja exercício da atividade empresarial por mais de 02 (dois) anos, o que são exigências diferentes”. Diante desse quadro, constata­se que a matéria acima mencionada, além de ter sido discutida no aresto impugnado, o que impede a incidência das Súmulas 211 do STJ, 282 e 356, do STF, é exclusivamente de direito, porquanto não se pretende reexaminar fatos e provas, (não aplicação da Súmula 7 do STJ), não incidindo, também, no caso concreto, nenhuma outra súmula impeditiva. Quanto ás demais questões, em interpretação conjunta do artigo 1.034, parágrafo único, do CPC, e à Súmula 292/STF, fica dispensado o exame dos demais dispositivos supostamente violados. Ante o exposto, com fundamento no artigo 1.030, V, a, do CPC, dou seguimento ao recurso pela aduzida afronta legal. Por fim, compulsando os autos, verifica­se que houve um equívoco no lançamento da decisão id 85121989, uma vez que constou o movimento “recurso especial não admitido”, quando deveria ter constado o movimento “recurso especial admitido”. Logo, é certo que não houve alteração de conteúdo decisório anterior mas tão somente lançamento de código equivocado do movimento “433” (recurso especial não admitido), razão pela qual determino se risque do sistema PJE o lançamento anterior para evitar duplicidade de movimentos Publique­se. Cumpra­se. Desembargadora MARIA APARECIDA RIBEIRO Vice­Presidente do Tribunal de Justiça.