Página 779 da Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) de 25 de Novembro de 2021

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por sua vez, não altera o enquadramento sindical dos empregados das filiais.

Nessa linha, cito parte de acórdão proferido pelo Tribunal Superior do Trabalho, in litteris:

"(...) Sustenta a Recorrente que as convenções coletivas colacionadas pelo Reclamante são inaplicáveis à categoria profissional do Autor, eis que a unidade à qual estava vinculado não explora qualquer atividade de indústria, mas meramente o comércio, pelo que o representante da sua categoria é o Sindicato dos Empregados Vendedores Viajantes do Comércio de Propaganda e Propagandista Vendedores e Vendedores de Produtos Farmacêuticos do Estado de Pernambuco. Indica ofensa aos arts. 577 e 611 da CLT, contrariedade à Súmula 55 do TST e transcreve paradigmas de divergência.

Nos termos do art. 581, § 2º da CLT, não há dúvidas de que o enquadramento sindical se faz de acordo com a atividade preponderante da empresa, erigindo-se categorias profissionais em correspondência com as categorias econômicas, a teor do que disciplinam os §§ 1º e do art. 511 consolidado.

Do quadro fático revelado pelo Eg. Regional, ora transcrito, concluo que a atividade preponderante desenvolvida pela Reclamada enquadra-se como a de fabricação de bebidas, conforme evidenciado na própria decisão regional.

Daí porque não se vislumbra violação dos dispositivos legais indicados, quando a Corte de origem deixou claro que - o sindicato representativo da categoria profissional do autor é o Sindicato dos Empregados em Indústria de Bebidas do Estado de Pernambuco -SINDBEB/PE, tendo em vista a atividade preponderante da empresa para a qual trabalha (art. 518, § 2º, da CLT), referendada no Protocolo de Justificação de Incorporação que fizeram a Companhia de Bebidas das Américas - AMBEV, ora reclamada, e a Companhia Brasileira de Bebidas - CBB, às fls. 1060/1065, onde restou estabelecido que a AMBEV continuará a dedicar-se à produção e ao comércio de cervejas, concentrados, refrigerantes e demais bebidas, passando, entretanto, após a incorporação, a fazêlo diretamente e não mais através de sua controlada CBB- - (fls. 271/272).

A modificação da decisão somente seria possível mediante o reexame do conjunto probatório, em especial no que tange ao objeto social da Reclamada, contrato de prestação de serviços e instrumentos coletivos, o que é incompatível com o atual estágio do processo, a teor da Súmula 126 desta Corte.

Por outro lado, os arestos de fls. 292/294 são inespecíficos (Súmula 296/TST), eis que, no caso em apreço, restou confirmado que o enquadramento sindical se faz de acordo com a atividade preponderante da empresa, pelo que aplicáveis à categoria profissional do Autor a norma coletiva firmada pelo SINDBEB/PE. Não conheço. (RR - 147240- 47.2007.5.06.0101, Relator Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 3ª Turma, DEJT 6/8/2010).

Registro, ainda, que o demandante não integrava categoria profissional diferenciada nos moldes dos arts. 511, § 3.º, 570 e 577 da CLT. Aliás, sobre essa questão, adoto a fundamentação já acolhida pela 3.ª Turma deste Tribunal, em acórdão de lavra da Excelentíssima Desembargadora Gisane Barbosa de Araújo, textual:

(...)"

Entretanto, o reclamante, embora contratado como vendedor, não se insere dentre os trabalhadores a que se refere à Lei 3207/57, pois o que define a figura desse tipo de empregado é o tipo de remuneração ajustada, basicamente por comissões, com regras peculiares, enquanto o autor foi contratado para receber salário mensal fixo, consoante se infere da própria defesa, pois a demandada afirma que não havia comissões sobre vendas, existindo prêmios, mas verba de natureza distinta, paga segundo critérios estabelecidos em norma interna, não guardando proporcionalidade com as vendas efetuadas. Vale dizer, nem todos os empregados vendedores integram essa categoria diferenciada. A propósito da categoria dos empregados vendedores regulamentados pela Lei 3207/57, integrantes de categoria profissional diferenciada, ensina ALICE MONTEIRO DE BARROS: 'Os vendedores, sejam eles pracistas ou viajantes, em regra, recebem salário a base de comissões, quer como forma exclusiva de remuneração (comissionista puro), quer sob a forma de salário composto, isto é, um fixo acrescido de comissões' (in 'CONTRATOS E REGULAMENTAÇÕES ESPECIAIS DE TRABALHO -Peculiaridades, Aspectos Controvertidos e Tendências', Ed. LTr, 2a. ed., pág. 427). Por sua vez, diz MAURÍCIO GODINHO DELGADO: 'O empregado vendedor tem sua situação jurídica regulada por lei trabalhista especial (nº 3207, de 1957)' - 'CONTRATO DE TRABALHO - Caracterização, Distinções, Efeitos' - Ed. LTr , pág.203.

Como visto, a situação do reclamante não era regulada pela Lei 3207/57, não sendo remunerado nos moldes ali previstos , e sim mediante salário fixo mensal.

Assim, o demandante, repita-se, embora vendedor, não integrava a categoria profissional diferenciada regulamentada pela Lei 3207/57 e seu enquadramento deve observar a regra geral, guiando-se pela atividade preponderante da empregadora, indústria de bebidas, estando representado pelo respectivo sindicato profissional correlato, lhe sendo aplicáveis as convenções coletivas de fls.412 e seguintes e não aqueles acordos coletivos apresentados pela