Página 2013 da Judicial - 1ª Instância - Capital do Diário de Justiça do Estado de São Paulo (DJSP) de 7 de Dezembro de 2017

opostos antes da vigência do atual Código de Processo Civil, motivo pelo qual eventuais requisitos quanto a sua oposição serão aqueles constantes na Lei nº 5.869/73, vigente à época do ajuizamento.Dessa forma, à luz da supracitada lei, afasta-se a preliminar de inépcia da inicial, bem como da inadequação da via eleita, uma vez que a petição dos embargos à execução possui pedido, causa de pedir e da narração dos fatos decorre logicamente a conclusão, nos termos do art. 295 da Lei nº 5.869/73.Assim, afastadas as preliminares, passa-se à análise do mérito.Muito embora o princípio da obrigatoriedade dos contratos esteja atualmente relativizado por força de normas de ordem pública e, por consequência, de caráter cogente, como as aplicáveis às relações de consumo, a força vinculante do pacto, em geral, prevalece, sobretudo quando não apontado vício que macule o quanto livremente pactuado pelas partes. Nesse sentido, segundo ensina Antônio Junqueira de Azevedo, “a declaração de vontade, tomada primeiramente como um todo, deverá ser: a) resultante de um processo volitivo; b) querida com plena consciência da realidade; c) escolhida com liberdade; d) deliberada sem má-fé” (Negócio Jurídico - Existência, Validade e Eficácia, 4a ed., São Paulo: 2002, p. 43).Na hipótese sub judice, inegável, pois, a obrigatoriedade do contrato, especialmente em razão da completa ausência de vício a macular a manifestação de vontade da embargante. Não prospera, por conseguinte, seu pedido de tutela jurisdicional no sentido da relativização do negócio jurídico entabulado. De fato, a parte embargante, necessitando de numerário, procurou uma instituição financeira para obtê-lo. Tinha plena consciência da necessidade de pagamento da contraprestação correspondente, assim como dos encargos remuneratórios e moratórios, além das demais tarifas inerentes à contratação, os quais deveria suportar em conformidade ao contratado. Escolheu a embargada, conscientemente, para celebrar o negócio jurídico concretizado. Não agiram as partes contratantes com o intuito de prejudicar terceiros ao entabular a avença. Destarte, a declaração jurídico-negocial não se reveste de vício de consentimento ou social.No mais, é sabido que a cédula de crédito bancário constitui título executivo extrajudicial, conforme art. 28 da Lei 10.931/04. Destarte, a alegação de nulidade da execução não merece prosperar, pois amparada na suposta ausência de certeza, liquidez e exigibilidade do título.Nesse ponto, cumpre destacar que o referido dispositivo legal estabelece que a cédula de crédito bancário representa dívida em dinheiro, apresentando as três características essenciais dos títulos executivos extrajudiciais, “seja pela soma nela indicada, seja pelo saldo devedor demonstrado em planilha de cálculo, ou nos extratos da conta corrente”.Sendo assim, ante a juntada da cédula de crédito bancário e seu respectivo anexo, com força legal de título executivo extrajudicial, não há que se falar em nulidade da execução.Cumpre ressaltar que a questão aventada pela embargante, no que tange à suposta nulidade do título, restou superada em pronunciamento do E. Superior Tribunal de Justiça, nos autos do REsp nº 1.291.575- PR, processado na forma e para os fins do art. 543-C do CPC, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, j. 14.08.2013, quando reafirmada a eficácia executiva das Cédulas de Crédito Bancário, mesmo em relação às hipóteses de crédito rotativo:”DIREITO BANCÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO VINCULADA A CONTRATO DE CRÉDITO ROTATIVO. EXEQUIBILIDADE. LEI N. 10.931/2004. POSSIBILIDADE DE QUESTIONAMENTO ACERCA DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS RELATIVOS AOS DEMONSTRATIVOS DA DÍVIDA. INCISOS I E IIDO § 2º DO ART. 28 DA LEI REGENTE. 1. Para fins do art. 543-C do CPC: A Cédula de Crédito Bancário é título executivo extrajudicial, representativo de operações de crédito de qualquer natureza, circunstância que autoriza sua emissão para documentar a abertura de crédito em conta-corrente, nas modalidades de crédito rotativo ou cheque especial. O título de crédito deve vir acompanhado de claro demonstrativo acerca dos valores utilizados pelo cliente, trazendo o diploma legal, de maneira taxativa, a relação de exigências que o credor deverá cumprir, de modo a conferir liquidez e exequibilidade à Cédula (art. 28, § 2º, incisos I e II, da Lei n. 10.931/2004). 3. No caso concreto, recurso especial não provido”.Demais disso, faz a embargante alegações genéricas a respeito dos encargos contratados, todavia sequer indica o valor que entende devido.Com efeito, não há que se falar em ilegalidade da capitalização dos juros ou excesso de juros remuneratórios, conforme será a seguir apreciado.Os juros contratados foram pré-fixados e calculados pelo período do empréstimo, salientando-se que é possível observar a pactuação capitalizada do encargo. Além disso, o E. Superior Tribunal de Justiça vem igualmente sedimentando a questão no sentido de que é possível a capitalização dos juros nos contratos bancários celebrados a partir de 31 de março de 2000, data da publicação da Medida Provisória nº 1.963-17, de 30 de março de 2000, atualmente reeditada sob o nº 2.170-36/2001 (cf. RESP nº 2.003/0191967-5). O art. 5º da Medida Provisória nº 2.170-36/01 é expresso no sentido de que “Nas operações realizadas pelas instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional é admissível a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano”. Ainda, esta última Medida Provisória está vigente por força do disposto no art. da Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001. No caso dos autos, o contrato foi firmado quando já não era mais vedada a capitalização em período inferior a um ano. A propósito, decidiu o E. Superior Tribunal de Justiça que “aos contratos de mútuo bancário, celebrados a partir de 31 de março de 2.000, data da primitiva publicação do artigo 5º da MP nº 1.963-19/2000, atualmente reeditada sob o nº 2.170-36/2001, incide a capitalização mensal, desde que pactuada. A perenização da sua vigência deve-se ao artigo da Emenda Constitucional nº 32, de 12 de setembro de 2.001” (RESP nº 629487/RS, 4ª T., Rel. Min. FERNANDO GONÇALVES).Assim, ainda que diária, nada obsta a capitalização inferior à periodicidade anual.De seu turno, os juros contratuais foram fixados de acordo com a legislação vigente e não comportam limitação de 12% ao ano, seja com base na Lei de Usura ou com lastro no hoje revogado § 3º do art. 192 da Constituição Federal. Deveras, o art. 192, § 3º, da Constituição Federal, revogado pela Emenda Constitucional 40/2003, continha, quando em vigor, norma não autoaplicável, mas sim de eficácia limitada, condicionada a norma complementar nunca editada, conforme Súmula 648 do Supremo Tribunal Federal. Por sua vez, as disposições do Decreto nº 22.626/33 não são aplicáveis às instituições financeiras, como, aliás, já reconheceu o C. Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula 596.Enfim, a matéria de limitação de juros nos contratos bancários é regulada pelo Conselho Monetário Nacional, que através de sua Resolução 1064/85 estabeleceu que nas operações bancárias em geral será aplicada a taxa de juros livremente pactuada pelas partes. Veja-se que não se pode dizer abusiva a taxa de juros pura e simplesmente em razão de seu percentual, desconsiderando os diversos componentes do custo final do dinheiro emprestado, tais como o custo de captação, a taxa de risco, os custos administrativos e tributários e o lucro do banco. Bem assim que o C. Superior Tribunal de Justiça decidiu que a limitação da taxa de juros em face da suposta abusividade somente teria razão diante de uma demonstração cabal da excessividade do lucro da intermediação financeira.No mais, importa lembrar que, o E. Superior Tribunal de Justiça deixou assentado que não implica capitalização de juros a tão só formação da taxa de juros pelo método composto, o que não é proibido pelo Decreto 22.626/1933 (REsp nº 973.827-RS, Rel. MIN. MARIA ISABEL GALLOTTI). Concluiu-se, por corolário, que “A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada.”Por fim, ressalte-se que a parte autora teve pleno conhecimento das regras da contratação, não havendo razão para reconhecer a infração à boa-fé ou à função social, ou qualquer outro motivo suficiente para o afastamento da obrigação, subsistindo o quanto pactuado em seus próprios termos.Feitas essas considerações, não se há de negar que houve um empréstimo de certa quantia sem a devida amortização do quantum disponibilizado, não podendo a embargante se eximir da responsabilidade pelo adimplemento do débito.Por outro lado, melhor sorte assiste à parte embargante quanto à impossibilidade de penhora dos valores constantes em suas contas correntes.Denota-se dos extratos bancários que a quantia de R$ 438,88 correspondente ao salário da embargante, qualifica-se