Página 3691 da Judicial - 1ª Instância - Capital do Diário de Justiça do Estado de São Paulo (DJSP) de 17 de Setembro de 2019

do direito da parte autora, eis que o negócio jurídico celebrado, em tese, obedeceu aos requisitos legais, pois firmado por agente capaz, possui objeto lícito e não vedado pelo ordenamento jurídico, devendo vigorar o princípio do “pacta sunt servanda”. A discussão travada nos autos envolve análise e interpretação de disposições contratuais (juros abusivos, encargos excessivos, etc), não se podendo concluir, neste momento processual e com a segurança necessária, que as cobranças questionadas sejam ilegais ou abusivas, carecendo a questão de dilação probatória, inclusive, manifestação da parte contrária, para que seja assegurado o contraditório. De outro lado, preceitua o art. 397 do Código Civil que o inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor; e a Súmula nº 380 do STJ dispõe que: “A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor”. Nestes termos, o depósito das parcelas no valor que o autor entende como incontroverso, frise-se, em montante inferior ao contratado, não tem o condão de afastar os efeitos da mora. Até porque, pelo disposto no art. 330,§ 2º, do CPC, mesmo sendo interposta a revisão contratual o valor incontroverso deverá ser pago na forma contratada, o que reforça o indeferimento da tutela de urgência. As cláusulas do contrato ora discutido já eram de seu pleno conhecimento desde a data da assinatura e não consta tenha sido surpreendido por qualquer situação nova. Além disso, a propositura de ação visando a revisão do contrato, por si só, não impede o credor de buscar recuperar o bem alienado fiduciariamente, como entendo E. Tribunal de Justiça em casos similares: “TUTELA ANTECIPADA. Revisional de contrato de empréstimo. Abstenção de inscrição nos órgãos de proteção ao crédito do nome do devedor. Inadmissibilidade, vez que ausentes os requisitos autorizadores para sua concessão. Suspensão das cobranças. Impossibilidade. Ausência dos requisitos autorizadores da medida. Inteligência do artigo 585, § 1º, do CPC. É defeso ao Juízo impedir o credor de recorrer ao Judiciário à possível lesão ou ameaça de direito (artigo , XXXV, da CF) (...)” (TJSP Agravo de Instrumento nº 0165139-24.2011.8.26.0000 - 38ª Câmara de Direito Privado Relator Desembargador Fernando Sastre Redondo, J. 14/09/2011). “CONTRATO BANCÁRIO. Possibilidade da sua revisão em busca do equilíbrio econômico. Tutela antecipada. DESCABIMENTO: O ajuizamento da ação por si só não é suficiente para antecipar os efeitos da tutela pleiteada. Necessidade do exercício do contraditório e da ampla defesa. Decisão mantida. RECURSO DESPROVIDO.” (Agravo de Instrumento nº 0174333-14.2012.8.26.0000, rel. ISRAEL GÓES DOS ANJOS,j.04.09.12). “CONTRATO BANCÁRIO. Financiamento para aquisição de veículo. Ação revisional de contrato. Pedido de antecipação de tutela para inibir a negativação do nome do autor nos cadastros de inadimplentes e consignação em pagamento das parcelas no valor que entende devido. Inviabilidade. Ausência dos requisitos do art. 273 do Código de Processo Civil. Recurso não provido.” (AI nº 0126589-23.2012.8.26.0000, 11ª Câmara de Direito Privado, Relator Gilberto dos Santos, j. 19.07.2012). Desta feita, ficam vedados os depósitos judiciais. Os depósitos apenas tumultuarão o regular andamento do feito. Todavia, caso a parte queira depositar, desde logo, fica ciente de que é por sua conta e risco, uma vez que tal depósito não afasta a mora, na forma da fundamentação. De outra parte, caso caracterizada a mora, ainda que a questão esteja “sub judice”, admitida a negativação do nome do devedor junto aos órgãos de proteção ao crédito, pois esse apontamento, por si só, não se presta à configuração de abusividade de direito nem de coação. Cumpre transcrever o resultado do julgamento do REsp 1.061.530 RS, relatado pela Min. Nancy Andrighi, efetivado nos termos do art. 543-C, do CPC: “ORIENTAÇÃO 4 - INSCRIÇÃO/MANUTENÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES a) A abstenção da inscrição/manutenção em cadastro de inadimplentes, requerida em antecipação de tutela e/ou medida cautelar, somente será deferida se, cumulativamente: i) a ação for fundada em questionamento integral ou parcial do débito; ii) houver demonstração de que a cobrança indevida se funda na aparência do bom direito e em jurisprudência consolidada do STF ou STJ; iii) houver depósito da parcela incontroversa ou for prestada a caução fixada conforme o prudente arbítrio do juiz; b) A inscrição/manutenção do nome do devedor em cadastro de inadimplentes decidida na sentença ou no acórdão observará o que for decidido no mérito do processo. Caracterizada a mora, correta a inscrição/manutenção.” A propósito da matéria, julgando caso análogo envolvendo negativação do nome de devedor nos cadastros de inadimplentes, o ilustre Desembargador Cerqueira Leite analisou a questão com propriedade e assim decidiu: “Excetuada a disseminação de informações sem o menor controle, ressalvada a massificação de registros falsos, enganosos ou simplesmente desconectados da finalidade de proteção ao crédito, não é jurídico impedir o acesso aos usuários desses serviços. 0 desabono do nome de devedores nos serviços de proteção ao crédito não é providência abusiva ou ilegal. A providência é prevista no Código de Defesa do Consumidor, que admite, no seu art. 43, § 1º, o cadastro negativo por período de até cinco anos. Aliás, nos termos do § 4odo artigoo citado, os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os Serviços de Proteção ao Crédito e congêneres são considerados entidades de caráter público, “v.g.” SPC, SERASA, CENAR, etc. Essas entidades privadas, de caráter público, mantêm cadastro de pessoas físicas e jurídicas para prestação de serviços exclusivamente a seus associados, interessados na obtenção de todas as informações disponíveis sobre o perfil econômico-financeiro dos clientes, assim precavendo-se contra os riscos de cada negócio Tampouco a circunstância dos agravantes terem motivos para questionar a divida faz do desabono atitude de constrangimento e retaliação. A publicidade emana tão-só do ajuizamento de uma ação pelo devedor contra o credor e pode operar, “tout court”, como negativação ou forma de restrição ao crédito, a juízo dos usuários dessa via de informação. É que, conforme o art. , inciso XXXIII, da Constituição Federal, a todos é assegurado o direito de receber dos órgãos públicos informações de seu particular interesse, de interesse coletivo ou geral, ressalvadas, no âmbito do Poder Judiciário, as informações protegidas pelo segredo de justiça em prol da intimidade e do interesse social (art. , inciso LX, da CF).” (AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0056691-83.2013.8.26.0000). Assim, em sede de mera cognição sumária, não se verifica a presença da prova inequívoca das alegações. A apontada abusividade da cobrança dos juros e demais encargos, como também a validade das cláusulas contratuais serão apreciadas no curso da demanda, após a análise das provas produzidas, tudo sob o crivo do contraditório. E mais, para a concessão da tutela de urgência antecipada é essencial a existência de prova que não enfrente qualquer discussão,o que não é o caso dos autos, sendo mister, repita-se, a aplicação do princípio do contraditório. Indefiro, pois o pedido. 3) Diante das especificidades do caso e, de modo a adequar o rito processual às necessidades do conflito objeto da ação, e considerando que não trará quaisquer prejuízos às partes, deixo para momento oportuno a análise da conveniência da audiência de conciliação, na forma do art. 139, VI, do C.P.C., garantindo o direito fundamental constitucional à duração razoável do processo. Ademais, é cediço que a conciliação neste tipo de demanda é deveras remota, recomendando-se a não aplicação do art. 334, do C.P.C. 4) Cite-se e intime-se, ficando o (s) réu (s) advertindo (s) do prazo de 15 (quinze) dias para apresentar (em) a defesa, sob pena de serem presumidos como verdadeiros os fatos articulados na inicial, nos termos do artigo 344, do CPC. Intime-se. - ADV: LENNON DO NASCIMENTO SAAD (OAB 386676/SP)

Processo 1020821-26.2019.8.26.0007 - Procedimento Comum Cível - Práticas Abusivas - Katia Cristina Lima da Costa -Adminstradora de Cartão de Crédito Palma Ltda - Lojas Caedu - 1) Defiro os benefícios da Justiça Gratuita à autora. Anote-se. 2) Trata-se de Ação Declaratória de Inexigibilidade de Débito cumulada com Indenização por Danos Morais com pedido de tutela provisória de urgência, visando a parte autora, desde logo, a exclusão de seu nome do cadastro de inadimplentes relativo ao contrato de nº AVTA4016936 no valor total de R$ 130,24, que está sendo cobrada indevidamente, e desconhece, sendo a restrição indevida. INDEFIRO o pedido de antecipação dos efeitos da tutela de urgência, porquanto ausentes os requisitos legais (art. 300, do CPC). Com efeito, por ora, não está demonstrado “prima facie” o fumus boni juris do direito da autora, ante