Página 20 da Legislativo do Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOSP) de 3 de Outubro de 2019

Então, é muito importante que o governo tome esse debate, como uma maneira de ilustração, no dever de colocar nos projetos com clareza o que se pretende fazer. Infelizmente tem sido prática reiterada do governo mandar projetos muito genéricos. E nós é que temos que correr atrás da informação. Não tem problema fazer as visitas, receber os técnicos, fazer as reuniões, longas reuniões, não tem problema.

O problema é votar um texto que não diz o que os técnicos dizem que vai acontecer. Então, nós não podemos partir do pressuposto de que a lei, que não diz o que os técnicos dizem que vai acontecer, vai ser concretizada da maneira que os técnicos dizem que vai acontecer.

Então, é importante que tenha esse cuidado, por parte do governo, de escrever exatamente o que é que se quer. É uma maneira de respeitar a Casa, mas, principalmente, uma maneira de respeitar a população e de nos permitir trabalhar de maneira mais eficaz.

Então, seriam essas as minhas considerações. Novamente reiterando o respeito ao trabalho do colega, deputado Carlão, o respeito aos técnicos que estiveram aqui e, também, de maneira respeitosa, externar essa divergência no mérito.

Muito obrigada, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE - CAUÊ MACRIS - PSDB - Para falar contra o projeto, nobre deputado Campos Machado.

O SR. CAMPOS MACHADO - PTB - Meu caro presidente, deputado Cauê Macris, que, com muita dignidade, assumiu por seis dias o Governo do Estado e soube honrar o mister que lhe foi confiado. E, principalmente, deu-nos a alegria, o orgulho e a honra de ter escolhido a pessoa certa, o homem certo, para presidir a Assembleia Legislativa.

Srs. Deputados, sou obrigado a buscar de novo, em Guimarães Rosa, alguma coisa que me explique. Diz Guimarães Rosa:

..... “Não sei de nada.......... (pausa)

Se eu estiver atrapalhando a conversa aí na frente eu posso parar. Estou atrapalhando?

Disse Guimarães Rosa, “não sei de nada, mas desconfio de muita coisa”. Eu pensei, eu meditei, eu refleti, olhei para as estrelas, conversei comigo mesmo e não cheguei a uma conclusão sobre esse projeto, desculpe-me a sinceridade. Para mim é teleguiado. Para mim foi devidamente encaminhado em fins de propósitos. A Caoa vai receber mais de um bilhão de reais.

Aí eu fico imaginando que a Caoa era cantada em prosa e verso por alguns personagens do governo. E, coincidentemente, ela vai receber. Estamos votando aqui, estamos entregando para uma empresa particular, um bilhão de reais.

Para mim, vou repetir, sem ter receio de ser leviano, para mim esse projeto está endereçado, foi endereçado, foi selado, encaminhado e carimbado.

Agora, vamos passar por ingênuos? Vamos? Se existe esse liame e essa ligação entre o líder do Governo e alguns deputados do PSL, eu verifico: será que o presidente Bolsonaro está contente quando os seus deputados e os seus integrantes pisam em duas canoas?

O líder do Governo virou mágico, virou um Mandrake que, num passe mandraquiano, conseguiu convencer, primeiramente, os deputados a estarem aqui, nesta noite. Qual é o milagre, qual é a força do perfume “morumbiano”, que faz com que os deputados, mesmo intimamente contrários ao projeto, estejam aqui?

Aqui tem pessoas ingênuas? Dizia um ditado popular que, na porta da Assembleia, tem um mata-bobo. Então, aqui não tem ninguém ingênuo, mas parece que eles estão acreditando em milagre, um projeto mal discutido, mal conversado, mal elaborado, encaminhado para uma única empresa, de um bilhão de reais.

Pode dizer o líder do Governo, com as suas ponderações mediúnicas, que podem convencer, por exemplo, a Sra. Paschoal, mas não me convencem. Eu fico imaginando que eu vou sair deste plenário me sentindo fraco da memória, ruim da cabeça. Não estou entendendo, deputado Barros Munhoz. Eu acho que eu não estou entendendo, eu sou muito ingênuo, porque devia ter visto isso antes, só vi isso agora, de mão beijada, de mãos estendidas, um bilhão de reais para a Caoa, um bilhão de reais, que poderia ter outra finalidade, e não está tendo.

O Estado está doando, com o dinheiro do povo, um bilhão de reais para a Caoa. Mas eu acho, deputado Carlão Pignatari, que o mundo não é feito apenas daqueles que desconfiam. Eu acho que eu não estou tendo a percepção divina de entender o porquê deste projeto, e eu preciso. Quem sabe, à noite, no recanto do meu lar, eu possa entender a finalidade e o propósito deste projeto, porque hoje, aqui em plenário, não.

Mas cá estamos, deputados de várias bancadas, todos perfumados. É o velho perfume que vem lá do Morumbi. Que força tem esse perfume, deputado Barba? São dez horas, deputado Barba, 22 horas da noite, e os deputados sorridente e felizes. O que é que aconteceu? O que está acontecendo? Quando eu vejo o deputado Carlão Pignatari ser reconhecido, conclamado e aplaudido pela Sra. Paschoal, cabe-me mais uma dúvida:

será que ela é contra mesmo o projeto? Como ela não está aqui, eu vou parar de falar dela. Mas eu estava pensando de novo, deputado Barba, eu acho que eu vou procurar amanhã um terapeuta. Vou sim. Vou procurar um médico, deputada Adriana, porque talvez eu esteja enxergando mais do que devia.

Vou perguntar para a terapeuta: “Doutora, por favor, eu estou com algum transtorno? Eu estou doente, doutora? Responda-me porque eu não estou entendendo por que os deputados querem dar um bilhão para a Caoa. Diga-me, doutora”. Diz a doutora para mim: “Primeiro pague a consulta de mil reais e depois eu lhe respondo”. Fui lá. Vou pagar a consulta e voltar de novo, deputado José Américo. “E agora, doutora? Já paguei a consulta. O que me diz?”

Aí ela põe a mão numa bola de cristal e diz: “Conhece Carlão Pignatari?” “Conheço, é o líder do Governo”. “Conheceu onde o deputado Carlão Pignatari?” “Conheci na Assembleia”. E ela passando a mão na bola branca: “Sr. Campos, o senhor sabe os poderes mágicos que tem o deputado Carlão Pignatari?”. “Não, doutora. Não sei”. “Você não sabe, Sr. Campos? Como é que o senhor quer entender um bilhão de reais? Se não sabe o simples, quer saber o complicado?”

Está certo, deputado José Américo. Se eu não entendi o porquê dessa estrela cintilante chamada deputado Carlão Pignatari, como é que eu vou entender um bilhão de reais? Um bilhão de reais para uma empresa privada. Aí eu quero questionar aqui os homens da Segurança, os homens da Polícia Militar.

Vocês estão contentes com os salários da Polícia Militar? Estão contentes com o salário da Polícia Civil? Estão contentes com a Saúde, com a Educação, com o Transporte, com a Habitação? Devem estar contentes, um bilhão não faz falta.

Deputado Olim, o que é um bilhão de reais? Se eu começar a contar hoje, eu fico dez anos contando. Mas aí eu falo para a terapeuta de novo: “Doutora, eu estou pagando tão caro esta consulta. Elucida-me esse drama. Diga para mim, doutora”. “O senhor não está dando o devido respeito ao Dr. Carlão Pignatari”. “Eu?” “Sim”. “Se tivesse, você sentiria o perfume. Você tem problema no nariz, Sr. Campos?” Falei: “Não”. “Ah, está aí um dos defeitos. Não conseguiu sentir o perfume ‘morumbiano’”.

Deputado Barba, V. Exa. pensa que eu estou falando coisas equivocadas? A terapeuta não me disse isso não. Ela me chamou de ingênuo só por eu não dar o devido valor para o líder do Governo, que anda com vários frasquinhos na mão de perfume. Eu quando venho daquela porta para cá sou inebriado pelo perfume.

Outro dia eu perguntei para o Arthur Mamãe Falei: você também gosta do perfume, deputado Arthur? Aí ele me disse, ele com aquela simplicidade de gente que venceu sozinha na vida - orgulho do pai dele: “Nunca ninguém me ofereceu nada. Esse perfume me deixa alucinado”. E de perfume em perfume nós estamos jogando fora um bilhão de reais. Também não entendi ainda se o PT e o líder do Governo têm alguma afinidade nesse projeto.

Diz o líder do Governo, muitas. Essas afinidades eu também desconheço. Estou tomando conhecimento hoje à noite. Estou achando o PT estranho hoje. O PT está, segundo a deputada (para mim, grande deputada, mulher de respeito, minha amiga, conceituadíssima em Araraquara), deputada Márcia Lia, segundo ela me disse, há que se construir um caminho. Há sim. Vamos construir um caminho.

E 1 bilhão, doutor José Américo? Vai para onde, 1 bilhão de reais? Vossa Excelência está convicto de que esse dinheiro está tendo o destino sonhado pelo povo de São Paulo? Alguém aqui acredita, em sã consciência, que esse 1 bilhão de reais não teve o seu destino traçado anteriormente? O silêncio cai sobre o plenário como o aroma da madrugada cai sobre nós. Ninguém diz nada. Todos tranquilos, todos sossegados.

O estado não tem problema nenhum. A PM ganha bem. A Polícia Militar ganha demais. A Polícia Civil está muito reconhecida. Volto a dizer: o SUS, os hospitais, não têm fila. Não, o estado de São Paulo não tem fila não. Educação, não tem criança fora da escola. Está tudo em perfeita ordem. E 1 bilhão? Onde vai 1 bilhão de reais?

Não quero ser pedante. Mas já vou mencionar as catilinárias. Cícero, discutindo no Senado romano. "Quosque tandem, João Agripino, abutere patientia nostra?" Até quando, enfim, ó João Agripino, abusarás da nossa paciência?

Sr. Presidente, estou descendo da tribuna. Cumprimentando-lhe uma vez mais. E dizendo: viva este 1 bilhão de reais, que não faz falta ao povo de São Paulo.

O SR. PRESIDENTE - CAUÊ MACRIS - PSDB - Para falar contra, nobre deputada Marina Helou. (Ausente.)

Para falar contra, nobre deputado Arthur. Tem a palavra Vossa Excelência.

O SR. TEONILIO BARBA LULA - PT - Pela ordem, Sr. Presidente. Para uma comunicação.

O SR. PRESIDENTE - CAUÊ MACRIS - PSDB - Pois não, deputado Barba.

O SR. TEONILIO BARBA LULA - PT - Para uma comunicação, com a anuência do próximo orador.

O SR. PRESIDENTE - CAUÊ MACRIS - PSDB - Comunicação, V. Exa. tem a palavra.

O SR. TEONILIO BARBA LULA - PT - PARA COMUNICAÇÃO -Sr. Presidente, agora há pouco foi citada novamente a representação que fiz contra o deputado Frederico d’Avila, em função de um vídeo falso, ou fake news, como as pessoas gostam de chamar, que ele veiculava nas suas redes sociais. O vídeo atacava, exatamente, Fernando Santa Cruz, que é o pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.

A nossa representação é em função de ser, aqui na Casa... Como não posso, lá fora, representar a família... Que lá fora, quando uma família é atacada, só ela pode se defender perante a lei. Ninguém pode ir lá defendê-la no Ministério Público ou em qualquer outro lugar. Mas nesta Casa eu posso.

Por que a representação? É uma defesa contra o ataque de extrema direita. De extrema direita, contra a esquerda. E eu sou uma pessoa de esquerda. Portanto, sempre vou utilizar a defesa da esquerda, seja aqui no estado de São Paulo, no ABC e no Brasil. Então, em função disso, fiz a representação contra o deputado Frederico d’Avila. Tanto é verdade que depois ele acabou retirando o vídeo, que era fake, das suas redes sociais.

E qualquer deputado que atacar a esquerda, se eu estiver aqui nesta tribuna. Se for lá fora, nas redes sociais, vou defender. Porque é um direito nosso. Como quando eu ataco a direita, a direita tem o direito de se defender também, fazer a representação que quiser contra mim. Muito obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE - CAUÊ MACRIS - PSDB - Com a palavra, o deputado Arthur.

O SR. ARTHUR DO VAL - DEM - SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa noite a todos. Eu quero mandar um recado para o João Doria e para todos os deputados que vão votar a favor desse projeto aqui. O mercado... eu não preciso nem dos 15 minutos; vai ser rápido, porque eu pretendo falar rapidamente. A verdade é curta, mas ela é grossa. E eu quero que todo mundo entenda bem o que vai estar votando se votar “sim” nesse projeto do João Doria.

O IncentivAuto, que é um caminho para o desastre econômico, é mais um daqueles projetos que, quando vêm do governo, nessa Casa, já me dão até calafrio. Porque o Doria - com raras exceções, como a extinção da Dersa etc. -, quando manda projeto para essa Casa, eu já sei que não é projeto liberal. Eu já sei que é projeto “acelera” para algum amiguinho dele lá.

E o que acontece é o seguinte: ele já mandou o projeto do salário dos fiscais, para aumentar o salário dos fiscais de renda. Aumenta custo para quê? Para aumentar salário de policial? Não. Para aumentar salário de médico? Não. Para aumentar salário de professor? Não. Para aumentar salário de quem já ganha acima do teto. O cara tem a cara de pau de mandar um projeto desse aqui.

E agora ele mandou mais um que é muito parecido com o tal dos Campeões Nacionais, da Dilma Rousseff. Não sei se vocês lembram: a grandiosa Dilma, a economista Dilma, junto com o Guido Mantega, junto com a turma do PT, fez um projeto que até o nome é parecido, que era o Inovar-Auto. Até o nome o Doria parece que copiou. O cara se elegeu falando mal do PT, chegou ao Governo do Estado e está fazendo igualzinho ao PT. Vai fazer agora o IncentivAuto, que nada mais é do que um programa dos campeões, mas não dos nacionais; dos campeões estaduais.

Eu queria até que colocasse a foto no 1, por favor, se possível. Nós, brasileiros, temos o fetiche de subsidiar essa indústria automobilística; e, depois de 60 anos subsidiando essa indústria, o que a gente conseguiu para o brasileiro? Um lixo desse, feito de plástico, custando 74 mil reais. Vai explicar para um americano que você paga 70 pau numa porcaria dessa, de plástico. Com 70 mil reais, o equivalente a isso, se compra um Camaro nos Estados Unidos. Isso é política econômica de Dilma Rousseff. Isso é política econômica de protecionismo. Isso aqui de liberalismo não tem nada.

E aí ele faz o seguinte: terão o incentivo os escolhidos do rei Doria, porque são aqueles que vão poder investir mais de um bilhão de reais aqui no estado. Eu fui procurar a lista. Vamos ver quem são os grandes empresários que vão conseguir investir nisso daqui. Tem um cara. Esse projeto tem nome. O nome do cara é Carlos Alberto de Oliveira e Andrade. Para quem não conhece, é o famoso Caoa. Coincidentemente, o cara acabou de comprar a fábrica que fabrica essa porcaria de 74 mil reais, feita de plástico.

E aí é o seguinte, cara. Põe a foto no 2, por favor. Deve ser uma outra coincidência do Brasil. Em fevereiro desse ano, o senhor Caoa disse que queria comprar a fábrica da Ford. O homem quer comprar a fábrica. Coincidentemente, o governador do estado de São Paulo, no mês seguinte, dá um decreto que favorece isso daí. Mas deve ser uma sorte... Esse cara deve ter virado para a lua mesmo, porque essa sorte eu não dou. Eu já investi em sucata, já investi em caminhão, já investi em empresa, já investi em “bitcoin”, já investi em fundo de ação, e eu não dou essa sorte, cara. Eu não dou essa sorte de o governador do maior estado do país fazer um decreto para me ajudar em alguma coisa aqui.

Aí, beleza. Eu tenho que tomar cuidado com as palavras, aqui, para não tomar processo, não tomar Conselho de Ética. Aí, eu tenho que perguntar: Sr. João Doria... Por favor, põe a foto no 3. Isso é ou não é um decreto para beneficiar o seu amiguinho aí? Esse projeto tem ou não tem nome? Fale-me mais uma indústria que vai conseguir se beneficiar por essa porcaria. Aí, o cara vai, tira fotinha abraçadinho com o Caoa.

E o que para mim é o pior de tudo é a cara de pau do governador de falar: “Não, eu só estou sendo liberal aqui; só estou dando descontinho de imposto”. Ah, para cima de mim, meu. Pelo amor de Deus, cara. Ele vem falar que o negócio é para dar desconto de ICMS. Eu desafio qualquer deputado aqui, principalmente os que vão votar “sim”, a me mostrar, no PL, se tem a palavra “desconto” e se tem a palavra “ICMS”. Não tem! É mentira do governador. E nós vamos votar “sim” para isso?

Todo mundo aqui já sabe que isso aqui é um esticadinho do Palácio do Governo; toda hora que vem projeto do governo aqui é atropelo na certa. Isso aqui dá quórum pra caramba, é todo mundo votando "sim" sem nem saber, sem nem ter lido a porcaria do projeto.

O projeto é ruim. O projeto é ruim. Aí, eu quero perguntar para vocês o seguinte: o que o projeto faz? O cara vai lá, pega um empréstimo, e, aí, ele não vai ter desconto no produto que ele vai... Não tem nada disso.

O cara vai ter desconto pela produção no principal. E, eu pergunto para você, que está em casa: quando você vai ao banco pegar um empréstimo para fazer das tripas coração para o seu negócio dar certo, você vai pagar os juros mais caros do mundo.

Você vai ter algum desconto? Você não vai ter desconto no juro, mas muito menos no principal. Vai no banco pegar, sei lá, mil reais para você fazer alguma coisa, vê se o banco vai te dar desconto nos mil que você pegou.

Você está ferrado. Você vai passar o resto da sua vida pagando juros, multa e o caramba para o banco. Aí, o cara quer pegar dinheiro do pagador de imposto, principalmente o do mais pobre, que é quem paga mais ICMS aqui, e dar na mão de um bilionário. De um bilionário.

O projeto tem nome. O projeto tem nome. Quem votar "sim" aqui está votando "sim" para o Caoa, e sabe disso. E, sabe disso. Está bom? Agora, é o seguinte, eu quero saber se cada um de vocês aqui que estão me assistindo em casa, se cada um de vocês votou no Doria para tirar dinheiro do nosso bolso para dar dinheiro para bilionário.

Eu quero saber se alguém daqui votou no Doria para isso, se alguém daqui tem apoio popular para chegar no teu eleitor e falar: "Olha, você vai pagar mais imposto, sim, porque o Estado está dando dinheiro para o Caoa". Eu quero ver um cara só chegar no seu eleitor e falar que está fazendo isso. Aí, não faz.

"Veja, é um desconto, é uma manobra, é não sei o que lá." É o famoso xadrez 4D, que a gente fala, para ficar disfarçando as verdadeiras intenções.

Então, para finalizar aqui, é o seguinte: eu não admito de jeito nenhum que a gente fique enchendo o bolso do Caoa por pagar mais imposto. Eu não quero isso de jeito nenhum, e eu espero que os deputados desta Casa votem "não" a este projeto.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE - CAUÊ MACRIS - PSDB - Para falar a favor, nobre deputado Carlão Pignatari.

O SR. CARLÃO PIGNATARI - PSDB - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, eu não tenho nenhuma rede de YouTube com dois milhões, e não sei fazer toda essa fita que fazem os youtubers no Brasil.

Infelizmente eu não tenho essa; gostaria até de ter, para poder viver desse tipo de atividade no Brasil, que é lícita, que é correta. E, vejo, completamente, o equívoco dos deputados que vieram aqui.

Um deputado que eu respeito muito, nosso decano aqui na Casa, o deputado Campos Machado, nós vamos dar um bilhão. Não existe isso de dar um bilhão. Ninguém vai recolher imposto. A gente tem que... Que dê um desconto de um bilhão, em nenhum dos nossos tributos.

Eu fico envergonhado, às vezes, de umas pessoas tão esclarecidas virem aqui e falarem inverdades. Não dizer "é verdade" para as pessoas. Eu acho que nós fizemos até então um ótimo debate nesta Casa, com as pessoas do Novo.

Tanto com o Daniel, quanto aqui com o nosso querido Mellão. Fizemos uma discussão de alto nível, discutindo o que é que nós queremos, qual é o caminho. A deputada Monica fez um discurso defendendo as suas bandeiras, o que ela defende do meio ambiente.

Eu acho que é importante. É importante, mas, vir aqui falar de perfume uma pessoa que viveu a vida inteira do perfume do Palácio dos Bandeirantes. A vida toda política foi construída em cima dos perfumes que chegaram a gastar a escadaria do Palácio dos Bandeirantes.

Então, é isso que me entristece. É isso que vejo que o Parlamento tem que mudar, tem que alterar. Isso não é mais possível. Nesse governo do Sr. João Doria, isso não acontecerá.

Nós não mais podemos deixar as pessoas virem aqui e fazerem um discurso de poesias, de histórias, de 20, de 30, de 50 anos atrás. Nós temos que falar o seguinte: eu apoio esse projeto porque é o melhor projeto de incentivo fiscal que já chegou na Assembleia Legislativa de São Paulo.

E, nós temos que ter respeito por todas as pessoas que aqui passaram, por todos os oradores. Mas, eu vejo, às vezes, as pessoas ou não leram ou não entenderam o projeto.

É lógico. É lógico que um projeto aonde começa o incentivo fiscal para quem possa investir um bilhão, não é nenhum pobre. São pessoas que acreditam no Brasil, que querem gerar emprego, que querem gerar renda. E esse projeto, deputado Arthur do Val, não tem nome. Eu até gostaria que tivesse, que o Carlos Alberto Caoa fizesse algum investimento nesse sentido. Mas esse projeto, nós temos aqui a Mitsubishi, que tem interesse de fazer um novo carro híbrido. Nós temos aqui a Honda, a Scania, a Hyundai de Piracicaba; nós temos aqui a Chevrolet, que tem interesse de fazer. Então, isso, como incentivo a esse fundo que está se constituindo, foi feito de um empréstimo feito em 2013/2014, aonde a Sky montou uma empresa de tecnologia. Então, isso é projeto que você traz benefício, sim.

E eu não acredito que a automobilística, que a fábrica, as montadoras, ou enfim, toda a cadeia produtiva seja uma cadeia falida, como afirmam vários integrantes aqui do Novo. Eu fico muito triste. Isso quebra algumas das grandes cidades do Grande ABC: São Bernardo, São Caetano, Santo André vivem... Piracicaba, hoje, Indaiatuba, hoje, São Carlos, hoje, São José dos Campos, vivem às custas desta indústria falida, como diz alguém, mas eu não posso acreditar que as pessoas venham aqui nesta tribuna fazer uma defesa, ou falar contra um projeto sem ter nenhum fundo de verdade.

E acho que a discussão estava indo bem. Falei que estou tratando disso com o deputado Barba desde a semana passada. Por isso quando o deputado Campos falou, temos algumas afinidades e temos muitas diferenças com o PT, aonde eu vejo o interesse do deputado Barba e da própria bancada do PT de a gente tentar melhorar o projeto que veio do Governo de São Paulo, que eu não acho errado, não acho difícil. Não acho. Mas as pessoas virem falar aqui, vocês não estão conseguindo entender que as pessoas que estão ficando aqui, ou que têm interesse de votar “sim”, a indução que alguns deputados estão fazendo é que vocês foram comprados pelo governo. Eu não posso aqui, como líder do Governo, aonde eu já disse mais de uma vez que eu defendo aqui o Governo de São Paulo e defendo lá no Palácio os nossos deputados. Não posso deixar que isso, nem por um pouco, possa passar pela cabeça de qualquer uma das pessoas que estão aqui.

Eu vi aqui a deputada Janaina Paschoal, Dra. Janaina Paschoal, fazer uma crítica ideológica ao projeto, sem nenhum tipo de agressão, em nenhum momento, a esse projeto. Mas agora vir aqui fazer ilações, fazer ironias baratas, dizendo que o perfume palaciano de pessoas que viveram os últimos 30 anos do perfume palaciano. É isso mais que não podemos deixar que aconteça aqui na Assembleia Legislativa de São Paulo. É um projeto de extrema importância para a geração de emprego e geração de renda do povo paulista. É a defesa do interesse do povo paulista. É a defesa do emprego do nosso povo de São Paulo.

Então, eu fico muito feliz quando a gente consegue fazer um debate de alto nível, de história, ponto a ponto, como o deputado Mellão fez, como o deputado Daniel, mesmo eu discordando, e mesmo eles discordando da minha opinião, mas de alto nível. Nós não podemos ter aqui discussões baratas sobre ilações ou ironias que não cabem mais no maior Parlamento de São Paulo. Acho que as pessoas que votam “sim”, ou que votam “não”, votam com convicção, porque uns acreditam que o projeto é bom, outros votam “não” achando que o projeto é ruim.

É um direito do Parlamento, da história do Parlamento brasileiro, e esse aqui, que é o maior Parlamento do Brasil, nós podemos, sim, fazer uma discussão de alto nível, mas respeitando as pessoas e respeitando os nossos governantes. O governador João Doria, o vice-governador Rodrigo Garcia, o Dr. Meirelles, o nosso ministro e nosso secretário da Fazenda, a secretária Patrícia Ellen são pessoas de grande capacidade, de história no país, de grande capacidade para desenvolver e melhorar cada vez mais a vida do nosso povo.

Então, eu não vou deixar, em momento algum, que venham aqui a esta tribuna fazer ilações ou ironias com os nossos deputados.

A SRA. CARLA MORANDO - PSDB - Deputado, um aparte? O SR. CARLÃO PIGNATARI - PSDB - Pois não, deputada Carla Morando.

A SRA. CARLA MORANDO - PSDB - COM ASSENTIMENTO DO ORADOR - Eu queria complementar, quanto ao direcionamento que foi feito um projeto para a Caoa, e dizer que, em primeiro lugar foi para a General Motors, em São Caetano do Sul. Em segundo, teve a Volkswagen, e em terceiro a Scania. Também tem a Toyota, e aí enfim, chegou a questão da Caoa.

Só para deixar aqui bem esclarecido, o próprio Carlos Alberto, dono da Caoa, disse que ele não pega dinheiro emprestado. O financiamento é do fundo próprio dele. Então, não existe um empréstimo do dinheiro do governo ou de qualquer outra coisa pública para este investimento que a Caoa está fazendo em São Bernardo do Campo, e quero aqui parabenizar mais uma vez o governador João Doria, que pegou com pulso firme e não deixou que essas indústrias saíssem do nosso grande ABC, o que, realmente seria uma catástrofe.

O SR. ROBERTO MORAIS - PPS - Um aparte, deputado.

O SR. CARLÃO PIGNATARI - PSDB - Um aparte ao deputado Roberto Morais.

O SR. ROBERTO MORAIS - PPS - COM ASSENTIMENTO DO ORADOR - Deputado Carlão Pignatari, deputada Carla, abraço ao nosso querido prefeito, Orlando Morando. Eu estive em Seul há dez anos atrás, acertando, temos intenção da ida da Hyundai a Piracicaba, e lá nós sentimos a potência dessa empresa. Hoje, nós temos dois carros fabricados em Piracicaba. O HB20, que é um carro nacional, um carro “caipiracicabano”, para nós motivo de orgulho. Esse carro é fabricado em Piracicaba.

E parabenizar aqui o nosso querido prefeito, Orlando Morando, por manter essa empresa. Então, parabéns, Carlão. Nós sabemos da importância de manter. Eu falei com o pessoal da Hyundai hoje. Eles sabem da importância da aprovação desse projeto.

Então, nosso partido, PPS, hoje, aprova a aprovação desse projeto aqui. Estamos votando fechados com o governo. Parabéns ao governador João Doria, parabéns ao Carlão Pignatari, que é o nosso grande líder do Governo.

O SR. CARLÃO PIGNATARI - PSDB - Obrigado, deputado Roberto Morais. Só fazendo uma complementação, que eu acho que é importante. Isso é um projeto de benefício progressivo. Se a pessoa, porventura, construir uma fábrica de um bilhão de reais, ou de dois, ou de cinco, ou de dez, ou de 100 bilhões de reais, e gerar um imposto, no mês subsequente, que antes disso ele vai demorar um ano ou dois anos para fazer o investimento, deputado Marcio da Farmácia, com seu recurso.

Não sei se é de financiamento, ou de matriz no exterior, mas ele tem que fazer o investimento. Isso é um investimento que demora uns dois anos. O Governo de São Paulo, obrigatoriamente, tem que mandar, na Lei Orçamentária, qual vai ser o aporte que fará no Funac, no fundo, para poder subsistir, se, porventura, gerar imposto.

Então, uma empresa, por exemplo, que faturou x, e que vai gerar um imposto de um milhão de reais no ano. Automaticamente, ele tem que pagar 200 mil reais desse um milhão. Ele tem que pagar os 200 mil reais de recurso dele. É isso o projeto. Os outros 80% ele vai fazer um financiamento no fundo a juro de mercado, como é o juro, e aí sim, em 30 dias, deputado Marcio, ele tem a opção de poder quitar esse financiamento com 80%, tendo um desconto de 20% sobre os oitenta.

Quer dizer, isso, no máximo, ele vai ter um desconto de 4% nos 12% que é o ICMS da indústria automotiva hoje. Então é muito claro. É que as pessoas não querem entender. Vêm aqui: “nós não podemos dar um bilhão, porque vai faltar para a Saúde, para a Educação”. Isso é um discurso político, eleitoreiro, que, graças a Deus, não é isso que elegeu, na última eleição, os políticos que aqui estão. São pessoas que tiveram compromisso. Compromisso com a verdade ou com suas cidades.

Eu defendo. Quem vota “não” vota contra o emprego paulista. Quem vota “não” não quer o crescimento de uma indústria que gera, hoje, mais de 60 mil empregos no estado de São Paulo. Quem vota “não” não acha isso importante, porque quem vota “não” viveu a grande parte da sua vida fora do Brasil, morando no exterior, e é muito fácil, muito bonito.

Lá, deputado Arthur, um Camaro custa 30 mil dólares, 120 mil reais, sim senhor, porque não tem os impostos que tem no Brasil. Isso tem que ser dito, e isso é importante, mas é muito fácil você ser criado. Tem pessoas que vêm aqui fazer discurso contra e a favor que jogaram bolinha de gude a vida toda, deputado André, em cima de carpete. Não sabem o que é uma rua de terra. Nunca pisaram. Não conhece o que é a dificuldade de a pessoa perder o emprego, de não ter emprego.

Isso, o deputado Barba pode ser a favor ou contra, mas ele sabe, porque ele já foi o chão de fábrica, e isso é importante. Agora, vir aqui, começar a fazer ilação, dizer que é um bilhão direcionado.

Isso não é verdade, para não falar uma palavra que eu não gosto de dizer, mas isso é uma inverdade que estão querendo colocar na cabeça e na boca de cada um. (Fala fora do microfone.) Eu não falo, eu tenho respeito pelas pessoas que estão aqui, por todos os nossos membros. Eu tenho respeito. Se a carapuça serviu ao senhor, deputado, que o senhor use a carapuça. O senhor use a carapuça! Se ela serviu ao senhor, que o senhor use a carapuça. Essa é a história que temos que fazer.

Então, isso não é uma discussão que temos que fazer aqui. Tem muitas pessoas que estão muito tristes de estarem afastadas do poder. Ficaram a vida toda ali, subindo e descendo aquelas escadas do Palácio dos Bandeirantes. Quase gastaram. Tiveram perfumes muito melhores do que qualquer um de nós que estamos aqui tivemos.

Então, acho de extrema importância. Vamos fazer um debate. O deputado Arthur, com toda a franqueza, ele veio e mostrou: “Eu acho porcaria os carros nacionais, temos que incentivar para que melhorem, que tenham projetos de carros híbridos, que poluam menos”. Acho que isso é importante. Mas a gente fazer uma discussão sem ironias, sem brincadeira. Não é vir aqui... Toda hora estou escutando: “Quando o líder do Governo entra, os perfumes palacianos...” Pelo amor de Deus.

Quem conhece a história sabe que esse deputado que fala isso insistentemente nesta tribuna - e vou voltar a dizer, a quem sempre respeitei e respeito, porque é o decano desta Casa -usou muito mais dos perfumes palacianos do que todos nós juntos. Essa é a verdade.