Página 162 do Diário de Justiça do Estado do Mato Grosso (DJMT) de 2 de Junho de 2020

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ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO PRIMEIRA CÂMARA

DE DIREITO PÚBLICO E COLETIVO Número Único: 0005670­

69.2015.8.11.0015 Classe: APELAÇÃO CÍVEL (198) Assunto: [Sistema

Remuneratório e Benefícios, Adicional de Insalubridade] Relator: DR.

GILBERTO LOPES BUSSIKI Turma Julgadora: [DES (A). MARIA EROTIDES

KNEIP BARANJAK, DES (A). MARCIO APARECIDO GUEDES, DES (A).

MARCIO VIDAL, DES (A). MARIA APARECIDA RIBEIRO] Parte (s): [JURACI

FERREIRA DO CARMO ­ CPF: 288.540.391­87 (APELANTE), EDISON

PAULO DOS SANTOS ROBERTS ­ CPF: 101.756.440­04 (ADVOGADO),

THIAGO VIZZOTTO ROBERTS ­ CPF: 907.064.391­04 (ADVOGADO),

MUNICIPIO DE SINOP ­ CNPJ: 15.024.003/0001­32 (APELADO), LUIS

CARLOS CORTES ­ CPF: 636.329.850­49 (ADVOGADO), LUIS CARLOS

CORTES ­ CPF: 636.329.850­49 (ADVOGADO), MUNICIPIO DE SINOP ­

CNPJ: 15.024.003/0001­32 (APELANTE), THIAGO VIZZOTTO ROBERTS ­

CPF: 907.064.391­04 (ADVOGADO), EDISON PAULO DOS SANTOS

ROBERTS ­ CPF: 101.756.440­04 (ADVOGADO), JURACI FERREIRA DO

CARMO ­ CPF: 288.540.391­87 (APELADO), MINISTÉRIO PÚBLICO DO

ESTADO DE MATO GROSSO (CUSTOS LEGIS)] A C Ó R D Ã O Vistos,

relatados e discutidos os autos em epígrafe, a PRIMEIRA CÂMARA DE

DIREITO PÚBLICO E COLETIVO do Tribunal de Justiça do Estado de Mato

Grosso, sob a Presidência Des (a). MARIA APARECIDA RIBEIRO, por meio

da Turma Julgadora, proferiu a seguinte decisão: À unanimidade, não

conheceu do apelo do Município e desproveu da parte autora. E M E N T A

APELAÇÕES CÍVEIS ­ PRELIMINAR DE OFÍCIO ­ IRREGULARIDADE NA

REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL ­ NÃO CONHECIMENTO DO

RECURSO DO MUNICÍPIO ­ AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA ­

SERVIDORA PÚBLICA MUNICIPAL ­ ADICIONAL DE INSALUBRIDADE ­

BASE DE CÁLCULO ­ VALOR DA REFERÊNCIA INICIAL DA TABELA

GERAL DE VENCIMENTOS ­ ARTIGO 97 DA LEI DO MUNICÍPIO DE

SINOP Nº 254, DE 29 DE MARÇO DE 1993 ALTERADO PELA LEI Nº 1.670,

DE 4 DE ABRIL DE 2012 ­ APLICAÇÃO ­ RECURSO DESPROVIDO ­

SENTENÇA MANTIDA. Não se conhece recurso firmado por advogado que

não detém poderes para defesa do patrocinado nos autos. Conforme dispõe o

artigo 97 da Lei do Município de Sinop nº 254/1993, alterado pela Lei nº

1670/2012, para as atividades insalubres o cálculo será efetuado com base no

valor da referência inicial da tabela geral de vencimentos. R E L A T Ó R I O

Egrégia Câmara: Recursos de Apelação Cíveis interpostos por Juraci

Ferreira do Carmo e Município de Sinop contra sentença proferida nos autos

da Ação Ordinária de Cobrança intentada contra o Município de Sinop, onde o

Juízo Singular julgou improcedentes os pedidos contidos na inicial e julgou

extinto o processo, com resolução de mérito, nos termos do artigo 487, I, do

CPC. Em suas razões recursais, a parte autora insurge­se contra a sentença

em relação à base de cálculo do adicional de insalubridade, sustentando que o

referido benefício deve incidir sobre o seu salário­base, conforme a nova

redação dada pela Lei municipal 1.670/2012, que alterou os artigos 95 e 97 da

Lei municipal nº. 254/1993 e arrimado no princípio que tutela o trabalho e sua

valia. Por esses motivos, requer o provimento do recurso interposto para

reformar a sentença de primeiro grau. De outro modo, o Município de Sinop,

em seu apelo, sustenta a inconstitucionalidade das Leis Municipais nºs 568/99

e 663/01, uma vez que criam despesas, vantagens e aumentos de

remuneração sem prévia dotação orçamentária, suficiente para atender as

projeções de despesa de pessoal e aos acréscimos dela decorrentes, bem

como a observância da prescrição quinquenal. Em contrarrazões,

apresentadas no Id. 1714491, a parte autora refutou as alegações do

Município de Sinop e pugnou pelo desprovimento do recurso. O Município de

Sinop não apresentou contrarrazões. A douta Procuradoria­Geral de Justiça,

manifestou­se pela inexistência de interesse público a justificar a intervenção

ministerial (Id. 1989305). É o relatório. V O T O R E L A T O R V O T O

(PRELIMINAR ­ DE NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE APELAÇÃO

DO MUNICÍPIO DE SINOP) Egrégia Câmara: Em suas razões recursais, o

Município de Sinop aduz, em síntese, que as Leis Municipais ns. 568/99 e

663/01 são inconstitucionais, por não respeitarem a Constituição Federal, bem

como a Lei nº. 101/2000, por isso, os atos delas decorrentes são nulos.

Ocorre que, o recurso de apelação fora subscrito por Assessor Jurídico, sem

procuração nos autos. Pois bem. O artigo 76, em seu § 2º, I, do CPC, é bem

claro, ao dispor que, se o vício não for sanado, o recurso não deve ser

conhecido, in verbis: “Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a

irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e

designará prazo razoável para que seja sanado o vício. [...] § 2º Descumprida

a determinação em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal regional

federal ou tribunal superior, o relator: I ­ não conhecerá do recurso, se a

providência couber ao recorrente;” (destaquei) Sendo assim, o recurso

interposto não deve ser conhecido, ante a irregularidade de representação do

Município de Sinop. Aliás, este é o entendimento do Superior Tribunal de

Justiça, in verbis: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO INTERNO.

AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE

PROCURAÇÃO OUTORGADA AO SUBSCRITOR DOS EMBARGOS DE

DECLARAÇÃO. INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAÇÃO DA

REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. NÃO ATENDIMENTO.NÃO

CONHECIMENTO. 1. Nos termos do artigo 76, § 2º, I, do Código de Processo

Civil, não se conhece do recurso quando a parte recorrente descumpre a

determinação para regularização da representação processual. 2. Embargos

de declaração não conhecidos.” (EDcl no AgRg no Ag 1090116/RJ, Rel.

Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em

01/12/2016, DJe 7/12/2016). (destaquei) Nesse sentido também é o

Disponibilizado 2/06/2020 Diário da Justiça Eletrônico ­ MT ­ Ed. nº 10746 entendimento deste Sodalício, in verbis: “APELAÇÃO CÍVEL COM REMESSA NECESSÁRIA – AÇÃO DE COBRANÇA – RECURSO DO MUNICÍPIO NÃO CONHECIDO ­ AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO OUTORGADA AO ADVOGADO DO MUNICÍPIO ­ INTIMAÇÃO ­ ASSISTENTE JURÍDICO NOMEADO PARA CARGO COMISSIONADO ­ NÃO REGULARIZAÇÃO PROCESSUAL ­ PRESCRIÇÃO DO PERCENTUAL DE CUMULATIVIDADE INICIADO NA VIGÊNCIA DA LEI ­ FUNDO DE DIREITO ­ RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO ­ ATINGE APENAS OS EFEITOS FINANCEIROS ­ INCONSTITUCIONALIDADE ­ DESPESA DE PESSOAL ­ AUSÊNCIA DE PREVISÃO ORÇAMENTÁRIA ­ OFENSA AO ARTIGO 169, § 1º, I DA CF E AOS ARTIGOS 16 E 21 DA LC 101/2000 ­ ENQUADRAMENTO FUNCIONAL ­ PROGRESSÃO VERTICAL – ARTIGO 17 DA LEI MUNICIPAL 568/99, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI MUNICIPAL 663/2001 ­ INOCORRÊNCIA – PRECEDENTES DO STF E STJ ­ DIREITO À PROGRESSÃO INALTERADO ­ HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – MAJORAÇÃO – DESCABIMENTO – JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA ­ OBSERVÂNCIA DO TEMA 810/STF ­ APELO DO MUNICÍPIO NÃO CONHECIDO ­ SENTENÇA RETIFICADA EM PARTE.1.[...]"O não cumprimento da ordem de correção de defeito de capacidade processual implica o não conhecimento do recurso, se o vício diz respeito ao recorrente, ou o desentranhamento de eventuais contrarrazões oferecidas, se o vício disser respeito ao recorrido."(Apelação / Remessa Necessária 88690/2017, Desa. Antônia Siqueira Gonçalves Rodrigues, Segunda Câmara de Direito Público e Coletivo, Julgado em 19/12/2017, Publicado no DJE 24/01/2018). [...] 9.Recurso do Município não conhecido.10.Sentença parcialmente retificada.” (Apelação / Remessa Necessária 151568/2017, DESA. MARIA EROTIDES KNEIP BARANJAK, PRIMEIRA CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO E COLETIVO, Julgado em 09/04/2018, Publicado no DJE 25/04/2018) (destaquei) Com essas considerações, não conheço o recurso apresentado pelo Município de Sinop. É como voto. V O T O MÉRITO EXMO. SR. DR. GILBERTO LOPES BUSSIKI Egrégia Câmara: Cuida­se de recurso de apelação cível interposto por JURACI FERREIRA DO CARMO, com o objetivo de reformar a sentença proferida nos autos da Ação Ordinária de Cobrança, ajuizada em face do MUNICÍPIO DE SINOP, que julgou improcedentes os pedidos formulados na inicial, que visava a condenação do Apelado ao pagamento do adicional por insalubridade. Da análise dos autos verifica­se que o autor ajuizou ação ordinária de cobrança em desfavor do Município de Sinop, objetivando o pagamento da diferença salarial referente ao adicional de insalubridade utilizando o vencimento efetivo como base de cálculo. Analisando os pedidos da inicial, o Magistrado a quo julgou improcedente a pretensão autoral, ao fundamento de que a gratificação deverá ser calculada com base no valor de referência inicial da tabela geral de vencimentos do município. Inconformado, o apelante insiste na tese de que a base de cálculo do adicional de insalubridade deve incidir sobre o seu salário­ base, conforme a nova redação dada pela Lei 1.670/2012, que alterou os artigos 95 e 97 da Lei 254/1993, razão pela qual reitera o pedido postulado na inicial. Vejamos. A matéria do apelo refere­se tão somente à base de cálculo do adicional de insalubridade, haja vista que a parte autora, ora apelante, sustenta que o referido benefício deve incidir sobre o seu salário­base. Sabe­ se que a concessão de quaisquer vantagens ao servidor depende de expressa previsão legal, nos termos do artigo 37, “caput”, da Constituição Federal, in verbis: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) X ­ a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices;” O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que, em caso de omissão legislativa, o vencimento básico do servidor servirá de base de cálculo do adicional de insalubridade, já que não viola a Constituição Federal. A propósito: “EMENTA: DIREITO ADMINISTRATIVO. SEGUNDO AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SERVIDOR PÚBLICO. MUNICÍPIO DE IPATINGA/MG. BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. DECISÃO QUE ESTÁ ALINHADA À JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. PRECEDENTES. 1. Em casos análogos, o Supremo Tribunal Federal decidiu no sentido de que não viola a Constituição a decisão do Tribunal que, em razão da omissão legislativa, fixa o vencimento básico do servidor como base de cálculo do adicional de insalubridade. Precedentes. 2. Agravo regimental a que se nega provimento”. (RE 672687 AgR­segundo, Relator (a): Min. ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 04/08/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe­204 DIVULG 09­10­2015 PUBLIC 13­10­2015). (destaquei) Contudo, o artigo 97 da Lei Municipal nº 254/1993, alterada pela Lei nº 1.670/2012, estabelece que: Art. 97. Os valores dos adicionais de insalubridade e periculosidade serão calculados conforme segue: I ­ para as atividades insalubres, o cálculo será efetuado com base no valor da referência inicial da tabela geral de vencimentos, nos seguintes percentuais: a) 20% (vinte por cento) em grau mínimo; b) 30% (trinta) por cento em grau médio; c) para as atividades que operem com raios­X ou substâncias radioativas, na base de 40 % (quarenta por cento). Desse modo, é possível concluir que a base de cálculo terá como supedâneo o valor da referência inicial da tabela geral de vencimentos do município de Sinop. Sobre o tema, está Colenda Câmara assim se pronunciou, vejamos: “RECURSO DE APELAÇÃO ­ AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA ­ SERVIDORA PÚBLI

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