Página 696 da Judicial I - TRF do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) de 15 de Setembro de 2020

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APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 5000939-67.2018.4.03.6005

RELATOR:Gab. 03 - DES. FED. HELIO NOGUEIRA

APELANTE:JOSE LUIS TOESCADEAQUINO, CLODOALDO EDER EVANGELISTA, DAYSE LAGO DEAQUINO, ROSANACRISTINADO ESPIRITO SANTO DEAQUINO, VALDINEI APARECIDO DE OLIVEIRA, FABIO CUNHAFERNANDES, FERNANDO CUNHAFERNANDES, ESPÓLIO DE DIOGENES TOESCADEAQUINO - CPF 005.026.138-07 REPRESENTANTE:DAYSE LAGO DEAQUINO

Advogados do (a) APELANTE:JOSE LUIZ RICHETTI - MS5648-A, CARLO DANIELCOLDIBELLI FRANCISCO - MS6701-B

Advogados do (a) APELANTE:JOSE LUIZ RICHETTI - MS5648-A, CARLO DANIELCOLDIBELLI FRANCISCO - MS6701-B

Advogados do (a) APELANTE:JOSE LUIZ RICHETTI - MS5648-A, CARLO DANIELCOLDIBELLI FRANCISCO - MS6701-B

Advogados do (a) APELANTE:JOSE LUIZ RICHETTI - MS5648-A, CARLO DANIELCOLDIBELLI FRANCISCO - MS6701-B

Advogados do (a) APELANTE:CARLO DANIELCOLDIBELLI FRANCISCO - MS6701-B, JOSE LUIZ RICHETTI - MS5648-A

Advogados do (a) APELANTE:CARLO DANIELCOLDIBELLI FRANCISCO - MS6701-B, JOSE LUIZ RICHETTI - MS5648-A

Advogados do (a) APELANTE:CARLO DANIELCOLDIBELLI FRANCISCO - MS6701-B, JOSE LUIZ RICHETTI - MS5648-A

APELADO:UNIÃO FEDERAL- FAZENDANACIONAL

OUTROS PARTICIPANTES:

R E LATÓ R I O

O EXMO DESEMBARGADOR FEDERALHÉLIO NOGUEIRA (RELATOR):

Trata-se de embargos de declaração opostos por José Luis Toesca deAquino e outros (Id. 131649089) contra o acórdão proferido por esta Turma, que, por unanimidade, assimdeliberou (Id. 125604872):

TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO ORDINÁRIA. FUNRURAL. CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ART. 25, I E II, DA LEI Nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DAS REDAÇÕES DADAS PELAS LEIS DA DÉCADA DE 90, SOBRETUDO PELA LEI Nº 9.528/1997 (RE 363.852). LEI Nº 10.256/2001 ALTEROU APENAS A REDAÇÃO DO CAPUT DO ART. 25 DA LEI Nº 8.212/91, NÃO MODIFICANDO OS INCISOS, QUE PERMANECERAM COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.528/1997. CONSTITUCIONALIDADE A PARTIR DA LEI Nº 10.256/2001 (RE 718.874). RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL Nº 15/2017 NÃO RETIROU A EFICÁCIA DOS INCISOS I E II COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.528/1997 EM RELAÇÃO AO PERÍODO POSTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 10.256/2001, SOB PENA DE EXTRAPOLAR A DECISÃO DO STF NO RE 363.852 E CONTRARIAR A DECISÃO DO STF NO RE 718.874. APELAÇÃO DESPROVIDA. HONORÁRIOS MAJORADOS.

1. O Supremo Tribunal Federal, nos REs 363.852 e 596.177, reconheceu a invalidade da exação do art. 25 da Lei nº 8.212/1991 apenas no que tange ao produtor pessoa física que fosse empregador, e expressamente ressalvou-se lei posterior que tivesse fundamento de validade na Emenda Constitucional nº 20/1998.

2. A Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao dispositivo, foi considerada constitucional pelo Pretório Excelso, em sede de repercussão geral (RE 718.874).

3. A novel redação do dispositivo não padece mais da hipotética dupla tributação sobre o produtor pessoa física, motivo primordial para a primeva declaração de inconstitucionalidade, eis que o art. 25 ora é expresso no sentido de que a contribuição sobre a comercialização substitui a contribuição de que trata os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial. Ademais, o produtor rural pessoa física não está sujeito à exação da COFINS (art. 23, § 2º, da Lei nº 8.212/1991).

4. A parte autora sustenta que o fato de a Resolução nº 15/2017 do Senado Federal ter suspendido a execução dos incisos I e II do artigo 25 da Lei 8.212/91 com redação dada pela Lei nº 9.528/1997 e não haver redação posterior, até janeiro de 2018. Isso porque a Lei nº 10.256/2001 alterou a redação apenas do caput do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, não modificando os incisos I e II deste dispositivo, razão pela qual permanecia vigente, até a Resolução nº 15/2017 do Senado Federal, a redação dos incisos dada pela Lei nº 9.528/1997. E somente a partir de 01/01/2018 sobreveio nova redação dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, dada pela Lei nº 13.606/2018 – e, mesmo após isso, defende que persiste a inconstitucionalidade.

5. A tese não prospera. O STF, ao entender pela constitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física na redação dada pela Lei nº 10.256/2001 (RE 718.874)- mesmo ciente de que a Lei nº 10.256/2001 não havia dado nova redação aos incisos do art. 25 da Lei nº 8.212/1991 -, adotou como premissa que a redação dada aos incisos do art. 25 da Lei nº 8.212/1991 pela Lei nº 9.528/1997 tem validade após a edição da Lei nº 10.256/2001, eis que fundamentada na alteração do art. 195 da CF promovida pela EC nº 20/1998.

6. A Resolução do Senado Federal nº 15, que suspendeu a execução do art. da Lei nº 8.540/1992, que deu nova redação ao art. 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/1997, em razão da decisão de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE nº 363.852, não pode ser interpretada de maneira diversa do decido pelo STF. Isso porque a Resolução do Senado Federal de suspensão da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, é decorrente e limitada aos termos da declaração de inconstitucionalidade.

7. Assim, a Resolução do Senado Federal nº 15 não poderia - como pretende a impetrante – dar interpretação diversa e mais abrangente que a decisão do STF, isto é, a contribuição do produtor rural pessoa física é inconstitucional nas redações dadas pelas leis da década de 90 (RE nº 363.852), porém é constitucional na redação dada pela Lei nº 10.256/2001 (RE 718.874).

8. Deve ser adotada a interpretação de que a Resolução do Senado Federal nº 15, apesar de suspender a execução dos incisos do art. 25 da Lei nº 8.212/1991 com redação dada pela Lei nº 9.528/1997, não o fez em relação ao período posterior à vigência da Lei nº 10.256/2001, sob pena de extrapolar a decisão do STF no RE nº 363.852 e, ainda, contrariar a decisão do STF no RE 718.874. E os incisos do art. 25 da Lei nº 8.212/1991 com redação dada pela Lei nº 9.528/1997 permaneceram válidos do advento da Lei nº 10.256/2001 até a superveniência da Lei nº 13.606/2018, inexistindo qualquer período em que a contribuição em questão não teve base de cálculo ou alíquotas definidas em lei. Precedentes do TRF4.

9. Ademais, com relação à alegação de que persiste a inconstitucionalidade mesmo após o advento da Lei nº 13.606/2018, tem-se que, considerando que o STF reconheceu a constitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física após a redação dada pela Lei 10.256/2001, com fundamento de validade no art. 195, I, b da Carta Magna, incluído pela EC nº 20/1998, não há que se falar que remanesce a inconstitucionalidade reconhecida nas redações antigas da década de 1990.

10. Não procede a alegação de que supressão do § 4º do art. 25 da Lei 8.212/91, que previa a não incidência da contribuição sobre a comercialização ocorrida nas etapas intermediárias das cadeias produtivas rurais, não poderia ter sido feita por meio de medida provisória, pois se trata de regulamentação da contribuição, não consistindo em “não incidência” ou “imunidade”. Também não há qualquer demonstração de indevida cumulatividade da contribuição. Ademais, a Lei nº 13.606/2018 reintroduziu a regra no § 12 do mesmo artigo.

11. Apelação desprovida. Honorários majorados.

Sustenta a embargante, emsíntese, que há erro materialno v. acórdão quanto à conclusão de que o STF teria analisado a questão das sucessivas alterações legislativas. Tambémalega que há omissão quanto às seguintes alegações:“a) Impossibilidade e inconstitucionalidade de cumulação das contribuições previdenciárias; b) Inconstitucionalidade da revogação do § 4º do artigo 25 da Lei 8212 (que excluía da base de cálculo as comercializações intermediárias da produção rural); c) Inaplicabilidade da contribuição prevista para a empresa sobre o empregador pessoa física; d) Suspensão do prazo prescrição de repetição de indébito em razão do ajuizamento de medidas coletivas propostas por entidades representativas do setor rural; e) Vício por aproveitamento indevido de dispositivo declarado de execução suspensa por Resolução do Senado”. Ainda, alega que há omissão quanto à ausência de resistência da ré.

É o relatório.

APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 5000939-67.2018.4.03.6005

RELATOR:Gab.03- DES.FED.HELIO NOGUEIRA