Página IV da Executivo - Caderno 2 do Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOSP) de 25 de Junho de 2014

O palácio das águas

o fim do século 19, a cidade de

Santos, mais precisamente o seu

N porto, era conhecido pelos estrangeiros como “O Porto da Morte”

por causa das grandes epidemias

de febre amarela que atacavam

quem ali aportasse. Em 1896, foi

criada a Comissão de Saneamento

do Estado de São Paulo, tendo

Saturnino de Brito como primeiro diretor. Esse grupo ocupa-se,

desde então, dos projetos de saneamento de várias cidades do Estado

– Campinas, Ribeirão Preto, Limeira, Amparo.

Inaugurado no centro de

Santos no início do século

20, casarão Saturnino

de Brito conta a história

do saneamento em

território paulista

Santos apresentava, à época,

um quadro particular de problemas recorrentes de epidemias e de

saúde pública, em geral associados

à precariedade dos sistemas de

abastecimento de água e de esgotamento sanitário e pluvial. Por

outro, o município sofria as pressões exercidas pelo intenso processo de crescimento urbano, por ser

o principal porto brasileiro, onde

havia grande volume de exportação de café e intensa movimentação de mão de obra estrangeira,

com os imigrantes que chegavam

em grande número.

Nesse contexto, foi construído o edifício que hoje abriga o Palácio Saturnino de Brito.

Edificado no fim do século 19 para

sediar o escritório da Comissão de

Saneamento, o prédio foi inaugurado em 1910.

“Com os trabalhos de drenagens e de construção dos canais que

existem até hoje em Santos, os focos

de febre amarela foram controlados. A cidade se expandiu e o porto

atraiu, também, visitantes”, explica Nívio Antunes Gomes, gerente administrativo da Sabesp, em

Santos. Em janeiro de 2002, teve

início o processo que culminou no

tombamento do Palácio Saturnino

de Brito pelo Conselho de Defesa do

Patrimônio Histórico, Arqueológico,

Artístico e Turístico do Estado de

São Paulo (Condephaat).

Desde a sua abertura ao público em dezembro/2009, o local, que

oferece guias bilíngues e entrada

gratuita, foi visitado por mais de

15 mil pessoas de vários Estados e

Móveis utilizados por Saturnino no período em que trabalhou na cidade

Palácio Saturnino

de Brito,

edificado no fim

do século 19

do exterior. O palácio é uma das paradas do

roteiro oficial da linha turística do bonde, um

dos principais atrativos turísticos do município, que percorre o centro histórico de Santos.

Espaços – Do passado ao presente, o

acervo do Palácio Saturnino de Brito abriga espaço interativo destinado às obras do

Programa Onda Limpa – maior empreendimento de recuperação ambiental do

litoral do País, desenvolvido na Baixada

Santista. De maneira didática, os visitantes

conhecem as realizações do programa que

busca, até o fim desta década, universalizar

a cobertura das redes de coleta de esgoto na

Baixada Santista, mantendo o tratamento

em 100% do material coletado.

Também está em exposição o recorte

de um tramo do emissário submarino de

Santos, de 1,5 metro de diâmetro, desenvolvido em polietileno de alta densidade,

com 7 centímetros de espessura. No hall,

estão expostos os móveis utilizados pelo

sanitarista Saturnino de Brito durante o

período em que trabalhou na cidade. Ele

foi o responsável pela criação do sistema

de canais de drenagem utilizado até hoje.

Restaurados, esses móveis ajudam a contar

importante trecho da história do saneamento de Santos. Nas salas ao lado do hall,

há um acervo de livros e fotos sobre a história do saneamento da Baixada Santista.

Um século – Para comemorar o centenário da Ponte Pênsil de Santos, foi montada exposição com croquis, plantas e fotos

antigas sobre sua construção. Erguida em

1914, sua finalidade era conduzir o esgoto

coletado nas cidades de Santos e São Vicente

para seu lançamento no Oceano Atlântico,

Espaço interativo destinado às obras do Pr O engenheiro sanitarista Saturnino de Brito

na Ponta de Itaipu, área que hoje se situa no município de Praia Grande.

A Ponte Pênsil faz parte do conjunto de obras de saneamento da ilha, conduzido pelo engenheiro sanitarista Saturnino de Brito no início do século 20. Na inauguração, o então prefeito de São Paulo, Washington Luís Pereira de Sousa, atravessou-a em um automóvel acompanhado por sua comitiva. Embora seu principal objetivo tenha sido a condução do esgoto, a Ponte Pênsil, desde sua construção, sempre foi utilizada para a travessia de veículos e pedestres.

Maria Lúcia Zanelli

Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

SERVIÇO

Palácio Saturnino de Brito

Av. São Francisco, 128 – Centro – Santos Aberto de terça-feira a domingo, das 11 às 17 horas

Agendamento de grupos e escolas pelo telefone (13) 3201-2657

Entrada gratuita

ograma Onda Limpa

A grande estrela

Nada se compara à visão que o visitante tem ao entrar no Palácio Saturnino de Brito. Da sua grande porta de entrada, de ferro batido, destaca-se uma escadaria (foto abaixo), de mármore nacional, que emoldura imponente vitral que retrata a escalada da Serra do Mar pelos bandeirantes.

Com 6 metros de altura, a obra, intitulada Os Bandeirantes, retrata a escalada da Serra do Mar pelos portugueses, acompanhados de indígenas, no transporte de riquezas. Resume visualmente a formação de nossa etimologia e cultura. “Bastante colorido, com figuras bem elaboradas, transmite uma imagem que pode ser equiparada ao moderno tropicalismo,” explica Regina Lara Silveira Mello, artista plástica e professora da Universidade Mackenzie, neta da família Conrado, responsável pelos vitrais do Palácio Saturnino de Brito. Além disso, o ambiente é iluminado por uma cúpula também de vitral, com o escudo do Estado de São Paulo no centro.

Tanto o projeto do edifício como a sua construção foram executados diretamente pela Repartição de Saneamento. No acabamento, colaboraram o Liceu de Artes e Oficios de São Paulo; Sebastião Sparapani; Fischet Schwartz-Haumont; Presgrave, Melo & Cia.; S.A. Mármores Brasileiros; Oliveira Grecco & Cia. Ltda.; Casa Conrado (responsável pelos vitrais); Casa Verde; Sotema; General Electric; Manfredo Costa & Cia.; La Fonte; Casa Reingantz; e Casa Alemã.