Andamento do Processo n. 1004843-15.2017.8.26.0157 - Procedimento Comum - 20/02/2018 do TJSP

Cubatão

Cível

4ª Vara

JUÍZO DE DIREITO DA 4ª VARA

JUIZ (A) DE DIREITO SUZANA PEREIRA DA SILVA

ESCRIVÃ(O) JUDICIAL CRISTIANE DOS SANTOS CASTRO

EDITAL DE INTIMAÇÃO DE ADVOGADOS

Relação Nº 0103/2018

Processo 1004843-15.2017.8.26.0157 - Procedimento Comum - Guarda - S.B.P.M. - Vistos.SOLANGE BARROS PINHEIRO MOREIRA ingressou perante este juÍzo com a presente AÇÃO GUARDA CUMULADA COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA em face de DRELLY DE OLIVEIRA SILVÉRIO, pretendendo a guarda do menor Irwing Diogo Oliveira Pinheiro, tendo a pretensão como fundamentos as razões delineadas em petição inicial de fls.01/05.Instruiu a exordial com a procuração e documentos de fls. 06/12. Com vista dos autos, o Ministério Público opinou pela indeferimento da tutela de urgência e requereu a citação e designação de audiência de conciliação, tudo conforme parecer de fls.15. Deferiu-se a gratuidade de justiça à autora (fls.17, item “1”).A tutela de urgência foi indeferida (fls.17, item “2”).Determinou-se a emenda da inicial, para o fim de incluir no polo passivo da ação o genitor do menor (fls.17, item “3”).Emenda à inicial de fls.19/21, noticiando a mudança de endereço da guardião de fato do menor.Manifestação do Ministério Público de fls.25.Após, vieram os autos conclusos. E, sucintamente, o que importa relatar. Passo a fundamentar e decidir.De acordo com a lei processual vigente é competente o foro de domicílio do guardião de filho incapaz (art. 53, I, a, do CPC). A jurisprudência, por sua vez, é pacífica no sentido de que “a competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de menor é, em princípio, do foro do domicílio do detentor de sua guarda” (Súmula

nº 383, do STJ). O Estatuto da Criança e do Adolescente, por sua vez, determina que a competência será determinada pelo domicílio dos pais ou responsável ou pelo lugar em que se encontre a criança ou adolescente, à falta dos pais ou responsável (art. 147, incisos I e II).Conforme se depreende da inicial, a guarda de fato do menor Irwing Diogo Oliveira Pinheiro, vem sendo exercida pela avó paterna, ora autora, desde o nascimento do menor, a qual, reside, atualmente, na Avenida Sambaiatura, nº 13, Bloco 02, Apto: 03, Vila Jockey Clube, na cidade de São Vicente/SP, conforme documento de fls.21. O processamento da ação de guarda em foro diverso e distante daquele em que residem os detentores da guarda e a própria criança cuja guarda é pretendida gera inevitáveis embaraços ao regular andamento do feito, cuja tramitação é prioritária (art. , parágrafo único, b e art. 47, § 9º, ambos do ECA), com reflexos evidentes no atendimento dos principios da eficiência e da razoável duração do processo, podendo-se mencionar as dificuldades para a realização do estudos psicossocial (a cargo de profissionais de outra comarca, mediante precatória), para o acompanhamento por parte do Conselho Tutelar local e para as diligências e atos concernentes ao feito, tais como intimações e audiências.Assim, envolvendo a ação o interesse de incapaz, a necessária observância do princípio do melhor interesse da criança recomenda o reconhecimento da competência do juízo do domicilio do infante, inclusive de oficio, a fim de facilitar a colheita da prova e o desenrolar da ação de modo prioritário, com eficiência e celeridade, cumprindo a todos os sujeitos do processo cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. , do CPC). A jurisprudência deste Egrégio TJSP e de outros tribunais tem adotado o mesmo entendimento. Confira-se: “Ação de modificação de guarda. Competência. prevalência do domicílio da criança. possibilidade de decretação de ofício da incompetência do juízo. Insurgência contra decisão que declinou a competência e determinou a remessa dos autos a uma das Varas de Família da Comarca da Capital. Alegação de que não poderia ter ocorrido a declinação ex officio da competência. Súmula 33 do STJ. Pretende o Agravante manter a competência no Juízo de Caraguatatuba. Ação ajuizada quando a criança já estava em São Paulo com a mãe. Prevalência do domicílio da criança com fundamento no art. 147, I, da Lei 8.069/90 e nos seus melhores interesses. Agravo não provido.” (TJ-SP - AI: 01648242520138260000 SP 0164824-25.2013.8.26.0000, Relator: Carlos Alberto de Salles, Data de Julgamento: 03/12/2013, 3ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 05/12/2013).”AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO CAUTELAR INOMINADA. DISPUTA DE GUARDA ENTRE OS GENITORES. FORO DO DOMICÍLIO DA CRIANÇA. Conforme a Súmula 383 do STJ, a competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de menor é, em princípio, o foro do domicílio do detentor da sua guarda. Logo, correta a decisão que declina da competência para o foro de domicílio da atual guardiã da infante. Precedentes da Corte. NEGARAM PROVIMENTO AO AGRAVO.” (Agravo de Instrumento Nº 70066033895, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Alzir Felippe Schmitz, Julgado em 29/10/2015) (TJ-RS - AI: 70066033895 RS, Relator: Alzir Felippe Schmitz, Data de Julgamento: 29/10/2015, Oitava Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 04/11/2015).”CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO DE GUARDA. DOMICÍLIO DO INFANTE. DECISÃO EM FACE DO INTERESSE DA CRIANÇA. De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, o princípio do juízo imediato previsto no art. 147, inciso I, do Estatuto da Criança e do Adolescente, se sobrepõe às regras gerais previstas no Código de Processo Civil, privilegiando a celeridade e eficácia em relação à criança. Na mesma senda, os termos da súmula 383 do STJ, segundo a qual “a competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de menor é, em princípio, do foro do domicílio do detentor de sua guarda” também devem ser considerados para o deslinde da questão, razão pela qual o feito deve ser processado e julgado na comarca onde é exercida a guarda fática da criança. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA ACOLHIDO.” (Conflito de Competência Nº 70065170276, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Alzir Felippe Schmitz, Julgado em 16/07/2015). (TJ-RS - CC: 70065170276 RS,

Relator: Alzir Felippe Schmitz, Data de Julgamento: 16/07/2015, Oitava Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 22/07/2015).Também a jurisprudência do Egrégio STJ, para quem: “A determinação da competência, em casos de disputa judicial sobre a guarda - ou mesmo adoção - de infante deve garantir primazia ao melhor interesse da criança, mesmo que isso implique em flexibilização de outras normas. O princípio do juízo imediato estabelece que a competência para apreciar e julgar medidas, ações e procedimentos que tutelam interesses, direitos e garantias positivados no ECA é determinada pelo lugar onde a criança ou o adolescente exerce, com regularidade, seu direito à convivência familiar e comunitária. Embora seja compreendido como regra de competência territorial, o art. 147, I e II, do ECA apresenta natureza de competência absoluta. Isso porque a necessidade de assegurar ao infante a convivência familiar e comunitária, bem como de lhe ofertar a prestação jurisdicional de forma prioritária, conferem caráter imperativo à determinação da competência.” (STJ-2ª Seção, CC 111130-SC, rel. Min. NANCY ANDRIGHI, DJe 01/02/2011). Por estas razões, DECLINO a competência deste juízo para determinar a remessa dos autos ao Juízo da Comarca de São Vicente/SP. Sem recurso, remetam-se os autos a Uma das Varas de Família e Sucessões da comarca de São Vicente/SP, com as cautelas de estilo. Ciência ao Ministério.Intime-se. - ADV: LIBERATO MANRIQUE DA SILVA (OAB 100249/SP)