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Temas Atuais de Proteção de Dados - Ed. 2022

Temas Atuais de Proteção de Dados - Ed. 2022

Capítulo 19. Big Data, Pandemia e Proteção de Dados Pessoais

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Sumário:

Aline Fuke Fachinetti

Gerente de Proteção de Dados Pessoais. Reconhecida como 40 under 40 pelo Global Data Review e como Fellow of Information Privacy pela International Association of Privacy Professionals – IAPP. Cofundadora e Diretora da Associação Juventude Privada. Certificada pela IAPP como Privacy Manager (CIPM), Privacy Profissional (CIPP/E) e DPO Brasil (CDPO/BR). Certificada pela EXIN em Privacy & Data Protection . Vice-presidente da Comissão de Direito Digital e Compliance da 17ª subseção da OAB-SP. Membro do conselho consultivo Women Leading Privacy da IAPP. Advogada graduada pela PUC e especialista em Direito Empresarial pela FGV. Candidata ao LL.M em Innovation, Technology and Law na University of Edinburgh . Chevening Scholar. Atuou em consultoria Big4, com período de atuação em Londres e Manchester (Reino Unido), em projetos de GDPR e Digital Law .

alineff@adv.oabsp.org.br

1. Big Data

A capacidade de captar, manipular e transmitir informações foi a maior inovação do século XX e representa a força dominante do século atual, fomentada pela questão do big data . O Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de ­Janeiro – ITS 1 , define big data da seguinte forma:

“(...) conjunto de dados cuja existência só é possível em consequência da coleta massiva de dados que se tornou possível nos últimos anos, graças à onipresença de aparelhos e sensores na vida cotidiana e do número crescente de pessoas conectadas a tais tecnologias por meio de redes digitais e também de sensores.”

Não há, no momento, um consenso acerca da definição do termo big data , embora muitos descrevam como sendo um “oceano de informações” ou grandes conjuntos de dados que cresceram além da capacidade de serem gerenciados e analisados com ferramentas tradicionais. O tratamento de um número tão vasto de dados variáveis, em tempo real, requer a adoção e o uso de novos métodos e ferramentas tecnológicas (por exemplo, com utilização de processadores, softwares e algoritmos).

Conforme os conceitos apresentados, percebe-se que big data possui como suas principais características (conhecidas como os “3 Vs”), notadamente: (i) volume – quantidade volumosa de transações, informações, comunicações e, por conseguinte, dados; (ii) variedade – os dados assumem diferentes formas, incluindo bancos de dados tradicionais, imagens, documentos e registros complexos, são aleatórios e provêm de diferentes ferramentas, como celulares, sistemas integrados, mídias sociais, documentos etc.; e (iii) velocidade – os dados estão em processo de evolução, atualização e mudança contínua e são criados de forma acelerada.

Para melhor entendimento do conceito de big data , é possível analisar o mecanismo de pesquisa de buscadores, como o Google, que permitem a obtenção de informações específicas de forma praticamente instantânea, mediante acesso a um enorme banco de dados.

O principal objetivo do big data é extrair pequenas quantidades de dados de grandes bancos de dados para atingir um objetivo específico. Na prática, isso pode ser exemplificado ao utilizar um aplicativo que pesquisa um grande banco de dados para recomendar ao usuário lojas ou serviços abertos.

Além dos usos corriqueiros de big data , que englobam desde decisões de negócio até uma simples busca na internet, a verdade é que análises baseadas em dados podem ser uma ferramenta importantíssima na tomada de decisões e utilização de dados na forma preditiva, principalmente num cenário de crise, como pandemias.

2. Uso de dados no contexto da pandemia da Covid-19

Há pouco mais de dez anos, a pandemia que decorreu da gripe H1N1, que eclodiu no México e se espalhou pelo mundo, pôde ser prevista e analisada pelo Google, que publicou um artigo demonstrando a previsão da evolução da gripe nos Estados Unidos com base na análise do histórico de pesquisa de seus usuários embasado em determinadas palavras, como “remédio para tosse” e “remédio para febre” 2 . A mera análise desse histórico de pesquisas possibilitou a verificação do aumento de casos por região e, portanto, o acompanhamento do crescimento do surto e sua evolução para uma pandemia.

Uma década depois, em janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde – OMS, declarou o surto do coronavírus (“Covid-19”), uma emergência de saúde pública de interesse internacional. Menos de seis semanas depois, o surto foi classificado como uma pandemia. Comparado ao cenário do surto da H1N1, a Covid-19 está ocorrendo em um mundo muitíssimo mais digitalizado e notadamente movido a dados. Com o passar da década, em muito se evoluiu no contexto tecnológico, principalmente no que tange à capacidade de análise preditiva baseada em dados e potencial para análises envolvendo inteligência artificial. Conforme se demonstrou ao longo dos meses desde que a crise do coronavírus se tornou uma pandemia, essas análises …

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jusbrasil.com.br
24 de Junho de 2024
Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1-big-data-capitulo-19-big-data-pandemia-e-protecao-de-dados-pessoais-temas-atuais-de-protecao-de-dados-ed-2022/1643176505