Busca sem resultado
Esg: O Cisne Verde e o Capitalismo de Stakeholder - Ed. 2023

Esg: O Cisne Verde e o Capitalismo de Stakeholder - Ed. 2023

1. Esg Vivo: A Nova Jornada da Globalização Pela Transformação do Capitalismo Regenerativo e de Stakeholder no Mundo dos Negócios

Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Capítulo 1 - A Jornada ESG

Sumário:

Juliana Oliveira Nascimento 1

1. Introdução

Um tema que tem pairado pelo mundo dos negócios está fundado em três letras: ESG, cujo significado é abrangente e passa a ser essencial no mundo corporativo atual.

O termo ESG foi cunhado na publicação realizada pelo Pacto Global, em parceria com o Banco Mundial, denominada “Who Cares Wins” 2 . A publicação foi uma forma de desafio proposto pelo então secretário, Kofi Annan, para 50 CEOs das maiores instituições financeiras com o propósito de integrar os aspectos sociais, ambientais e de governança no mercado de capitais 3 .

Diante disso, vale evidenciar que os temas ambientais (E – environmental), sociais (S – Social) e de governança (G – Governance) formam o tripé basilar na nova visão organizacional global, para uma perspectiva de criação de valor a longo prazo, além de proporcionar uma visão muito positiva perante os investidores e stakeholders .

Agora, tem-se um mercado movimentado e um “ESG Vivo” que passa a ser o cerne da perspectiva dos investidores e dos executivos ao redor do mundo.

Destaca-se que não se trata de algo totalmente novo, visto que observar os aspectos ambientais, sociais e de governança em uma organização já era, em muitas delas, realizado, entretanto, de maneira segregada. Nesse contexto, tendo, agora, os temas uma perspectiva de maior valor agregado, em detrimento de outro, na visão da alta administração e investidores, de acordo com o mercado e setor que a companhia se encontra.

Nota-se que todo o contexto que se apresenta atualmente, inclusive a própria pandemia, acelerou essa mudança, que já inicialmente estava sendo disseminada antes mesmo desta crise global. Mas, foi no entremeio da agitação social que tudo ocorreu, o ressalto da desigualdade econômica, a injustiça racial em pauta, além de temas de inclusão, diversidade e ambientais que corroboraram para os últimos tempos, além da Covid-19. Sendo que essas temáticas passaram também a ser o foco, não somente por parte das empresas, mas, também, investidores, governos, órgãos e ONGs.

É nesse escopo que se apresenta a vertente do ESG no presente artigo, a visão de um ESG Vivo 4 . Nesse sentido, inicia-se a presente reflexão do tema com a visão acerca do desenvolvimento sustentável e das mudanças climáticas.

2. Desenvolvimento Sustentável e Mudanças Climáticas

As tratativas acerca do desenvolvimento sustentável e a questão das mudanças climáticas permeiam anos, muito embora apresentem mais enfoque agora.

Os gases de efeito estufa possuem existência constatada desde 1820 5 , pelo matemático francês Joseph Fourier, que, já naquela época, descobriu que a Terra estava mais quente do que costumeiramente, em decorrência da distância com relação ao Sol.

Ainda, o termo “aquecimento global” foi cunhado por Wallace Smith Broecker em 1975. Na sequência, houve a emissão do Relatório Brundtland em 1987, denominado “Nosso Futuro Comum” 6 .

Nessa jornada, se destaca também, a primeira reunião de relevância sobre o assunto, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo no ano de 1972. O evento foi um verdadeiro marco na conscientização ecológica mundial. Na época, se destacou o alerta realizado aos países para a necessidade de cooperação internacional, principalmente, para a proteção “transfronteiriça do ar”, uma das maiores inquietações no campo da poluição do ar. Nessa Conferência foram elencados vinte e seis princípios contendo direitos e obrigações, que culminou na Declaração para a Preservação do Meio Ambiente 7 .

Mas, somente após 20 anos, na ECO 92, realizada no Brasil, que se consolidou, com fundamento nos princípios da Declaração do Rio e da Agenda 21, a promoção do desenvolvimento sustentável 8 .

Consoante o Relatório Brundtland o desenvolvimento sustentável “é o desenvolvimento que atende às necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades” 9 .

Nesse mesmo evento, foi firmada a Declaração de Princípios sobre Florestas, além de serem abertas para assinatura a Convenção sobre Diversidade Biológica e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a qual tem como documento acessório o notável Protocolo de Kyoto.

Tem-se ainda o Acordo de Paris de 2015, que é um Tratado Internacional, parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que dispõe do comprometimento dos países no que se refere às mudanças climáticas. O objetivo do Acordo, tem como principais pontos, o compromisso dos países com as questões climáticas; o alcance da emissão zero ao longo do prazo; a transparência e integridade no cumprimento dos compromissos, além dos financiamentos para auxílio do alcance das metas pelos países em desenvolvimento 10 .

Inclusive, esse documento foi pauta política apresentada no momento da disputa presidencial entre Donald Trump e Joe Biden. Com a saída dos Estados Unidos do Tratado com Trump, um dos primeiros atos presidenciais do novo presidente eleito foi novamente recolocar o país como signatário do referido acordo, uma ação fortemente apoiada e elogiada, inclusive pela ONU.

Nesse prisma, a Organização das Nações Unidas – ONU sempre atuou profundamente no tema da sustentabilidade, tendo o assunto como uma questão imprescindível de ser observada em contexto mundial. Ressalta-se que a pauta se encontra também consolidada nos princípios do Pacto Global, uma ação relacionada às empresas internacionais para que estas adotem valores fundamentais nos negócios, ademais, isso também está na Agenda de cumprimento até 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS, essas práticas envolvem um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade, apresentado nos seus 17 (dezessete) Objetivos que compreendem 169 (cento e sessenta e nove) metas.

Laurence C. Smith, geocientista americano e especialista em impactos geofísicos da mudança climática, apontou em seu Livro “O Mundo em 2050” 11 acerca da existência de quatro forças globais: a demografia, a demanda de recursos naturais, a globalização e as mudanças climáticas, tendo essas forças uma interligação com o poder de moldar o futuro do planeta.

Note-se que os gases, com o passar dos anos, em razão do seu aumento, são os responsáveis pelo aquecimento global advindo da exploração de recursos naturais, logo, afetam a economia. Interessante que, há muito tempo, em diversos estudos, fala-se em mudanças climáticas e iniciativas em todo o planeta. Todavia, agora o tema retorna com força triplicada para a sua concretização, com responsabilidade de todos: sociedade, governos e organizações.

Nessa linha, importante destacar a publicação do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima – IPCC, da ONU, emitido em 2021, que evidenciou acerca da quantificação do nível de influência no globo terrestre relativamente às secas, ondas de calor intenso, tal qual de tempestades e furacões. Ainda, divulgou que a temperatura do planeta está com uma tendência de aumento de 1,5º C para as próximas duas décadas, o que repercutirá muito no meio ambiente. Ademais, constatou-se que as mudanças climáticas, em razão da influência das ações humanas, estão conduzindo a Terra a eventos climáticos extremos, sendo que alguns impactos poderão ser irreversíveis e permanecerão por muito tempo. Sendo assim, a estabilização do clima irá exigir reduções substanciais na emissão dos gases efeito estufa para que se alcance emissões zero de carbono. 12

Sabe-se que o estilo de vida proveniente da modernização e a prosperidade foram fundamentais para que se chegasse na evolução que se encontra no nível atual da sociedade, mas, por outro lado, levaram a consequências substanciais sobre o mundo natural, que demanda agora respostas prementes.

Por isso, cabe agora a demanda de ações efetivas que criem valor para as organizações com o propósito de assegurar a sustentabilidade e perenidade global.

3. ESG: Criação de valor e premissa de mercado

Com a nova era pós-pandemia se revelou a característica de uma sociedade muito mais voltada para valores e princípios alinhados a uma concepção de sustentabilidade planetária, para as presentes e futuras gerações. Portanto, isso se reflete consideravelmente nas organizações e no posicionamento dos investidores, desse modo, modificando a forma de realizar os negócios.

Isso tem uma relação total com o conceito da modernidade líquida relatada na visão do mundo globalizado por parte de Zygmunt Bauman 13 , em que a sociedade seria marcada pela “liquidez, volatilidade e fluidez”. Bauman evidencia a ocorrência de sucessivas mutações em um mundo que não é mais tão estático, mas maleável, e, tudo é muito rápido, a velocidade da luz.

Assim, essa metamorfose contínua impacta diretamente o modelo de gestão, cabendo aos líderes esse olhar e adaptação. As transformações são rápidas, o que demanda ajustes breves e respostas mais céleres para as situações. Esse pressuposto faz todo sentido para a gestão das organizações na visão em prol de um ESG Vivo, o que se configura na premente quebra de paradigma dos conceitos que existiam anteriormente. A resiliência é premissa, para quem desejar permanecer no mercado, isso em conjunto com a integridade e a transparência.

Diante disso, com a aceleração da democratização do acesso digital, tem-se o progresso mais contundente da tecnologia, considerada a quinta força global na visão do Laurence C. Smith, detendo esta o papel de ser a propulsora da melhor forma de atuação e condução das quatro forças acima descritas pelo autor. A tecnologia, no cenário presente, vem por meio do desenvolvimento da biotecnologia, nanotecnologia, evolução digital, novas fontes de energia e matéria-prima renovável, entre outras ações.

Logo convém um novo olhar sob o contexto da Governança Corporativa e da Inovação frente aos novos desafios que permeiam esse novo cenário no mundo ESG. Diante disso, abordar-se-á esses temas na sequência.

4. A visão da gestão, os desafios e a perspectiva da inovação na nova realidade

Os dias atuais transpõem um novel panorama a respeito da gestão com um contexto voltado à visão do futuro corporativo e à sua efetiva perenidade. Nesse sentido, as mudanças da nova realidade proporcionaram um relevante avanço no cenário corporativo e de gestão organizacional.

Diante disso, enfatiza-se que a nova realidade trouxe outro contexto para a realidade atual, dentre eles os avanços nas formas de trabalho, com o home office , que antes não era aceito e/ou bem-visto, pois era interpretado como algo que poderia não ser produtivo. Além disso, o mercado mudou a condição do ponto de vista de uma gestão somente para o lucro, sem responsabilidade social, de governança e ambiental 14 por parte dos acionistas e investidores não tem mais espaço para as empresas do amanhã.

Peter Drucker, considerado o Pai da Administração, já indicava que conhecimento é tudo para a nova …

Uma nova experiência de pesquisa jurídica em Doutrina. Toda informação que você precisa em um só lugar, a um clique.

Com o Pesquisa Jurídica Avançada, você acessa o acervo de Doutrina da Revista dos Tribunais e busca rapidamente o conteúdo que precisa dentro de cada obra.

  • Acesse até 03 capítulos gratuitamente.
  • Busca otimizada dentro de cada título.
Ilustração de computador e livro
jusbrasil.com.br
23 de Abril de 2024
Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/doutrina/secao/1-introducao-1-esg-vivo-a-nova-jornada-da-globalizacao-pela-transformacao-do-capitalismo-regenerativo-e-de-stakeholder-no-mundo-dos-negocios/2030258640