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21 de Setembro de 2021

Peça extraída do processo n°XXXXXXX-XX.2017.8.10.0014

Petição - Ação Acidente de Trânsito

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29/07/2021

Número: 0000000-00.0000.0.00.0000

Classe: PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL

Órgão julgador: 9o Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo de São Luís

Última distribuição : 24/05/2017

Valor da causa: R$ 00.000,00

Assuntos: Acidente de Trânsito

Segredo de justiça? NÃO Justiça gratuita? SIM Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO

Partes Procurador/Terceiro vinculado Nome(DEMANDANTE) Nome(ADVOGADO) BRADESCO SEGUROS S/A (CNPJ=00.000.000/0000-00) Nome(ADVOGADO) (DEMANDADO)

Documentos Id. Data da Documento Tipo

Assinatura 22/06/2017 18:01 Contestação 66437 Contestação

19

EXCELENTÍSSIMO (A) SR (A). DR (A). JUIZ (A) DE DIREITO DO 9o JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE SÃO LUÍS – MA

Processo no. 0000000-00.0000.0.00.0000

BRADESCO AUTO/RÉ COMPANHIA DE SEGUROS, pessoa jurídica de direito privado, com sede na EndereçoBairro

Centro/Norte, CEP: 00000-000– Teresina - PI, inscrita no CNPJ/MF sob o no 00.000.000/0000-00, representando a BRADESCO SEGUROS S/A,

neste ato representada por seus advogados que esta subscrevem, nos autos da AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO OBRIGATÓRIO DPVAT , que

lhe promove Nomeem trâmite perante este Douto Juízo e Respectivo Cartório, vem, mui respeitosamente, à presença de

V. Exa., com fulcro nos artigos 30 e seguintes da Lei 9099/1995 e, demais cominações legais pertinentes à espécie, apresentar sua

CONTESTAÇÃO consoante as razões de fato e de direito que passará a declinar

DOS FATOS ALEGADOS NA EXORDIAL

Alega a autora na exordial ter sido vítima de acidente automobilístico em 08/06/2016, na cidade de São Luís/MA. Aduz que o ocorrido teria

lhe causado suposta debilidade em caráter permanente sem, contudo, juntar meios de prova aptos a provar o alegado de maneira robusta e inconteste. Na

tentativa de comprovar a existência do acidente de trânsito, a parte autora junta Boletim de Ocorrência no 3242/2016 em que se afirma, simploriamente, que

autor foi vítima de acidente de trânsito .

Assim sendo, por entender, equivocadamente, e contrariamente à jurisprudência pacífica, que o valor da indenização corresponde a R$

11.137,50 (onze mil, cento e trinta e sete reais e cinquenta centavos), ingressou com a presente ação para pleitear o valor que entende devido.

PRELIMINARMENTE

DA IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DO AUTOR

Inicialmente, verifica-se que o Autor não está regularmente representado no processo, visto que não foi juntada procuração.

Desta forma, requer seja o Autor intimado a REGULARIZAR SUA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL, dentro de prazo conferido por V.

Exa., sob pena de extinção da ação, sem julgamento do mérito, com base no artigo 337, IX do Código de Processo Civil.

DA SUBSTITUIÇÃO DA SEGURADORA RÉ PELA SEGURADORA LÍDER DOS CONSÓRCIOS DO SEGURO DPVAT S/A

O Seguro DPVAT foi criado em 1974 para amparar as vítimas de acidentes com veículos em todo território nacional. Visando aprimorá-lo, o

Conselho Nacional de Seguros Privados, através da Resolução nº 154/06, determinou a constituição de dois Consórcios a serem administrados por uma

seguradora especializada, na qualidade de líder:

Art. 5o. Para operar no seguro DPVAT, as sociedades seguradoras deverão aderir, simultaneamente, aos dois Consórcios

específicos [..]

(...)

§ 3o. Cada um dos Consórcios terá como entidade líder uma seguradora especializada em seguro DPVAT, podendo a mesma seguradora ser a entidade líder dos dois Consórcios previstos no caput deste artigo.

(...)

§ 8o. Os pagamentos de indenizações serão realizados pelos Consórcios, representados por seus respectivos líderes.”

Para tanto, criou-se a Seguradora Líder dos Consórcios do Seguro DPVAT, através da Portaria nº 2.797/07, cujo art. 2º dispõe : “Ratificar

que a SEGURADORA LÍDER DOS CONSÓRCIOS DO SEGURO DPVAT S.A. exerce a função de entidade líder dos consórcios de que trata o art. 5º da

Resolução CNSP No 154”

Ante o exposto, requer a V. Exa. se digne determinar a substituição da seguradora ora demandada pela Seguradora Líder dos Consórcios

do Seguro DPVAT S/A no polo passivo desta demanda.

DA INCOMPETÊNCIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS PARA APRECIAR MATÉRIA QUE CAREÇA DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL TÉCNICA

Conforme se observa da exordial, a natureza do pedido é a invalidez do autor. O ponto controverso que motivou a lide em questão é a

existência e o grau dessa suposta invalidez. Trata-se, portanto, de matéria eminentemente técnica, carecedora da produção de prova pericial para ser

dirimida. Daí emerge a incompetência dos Juizados Especiais Cíveis para apreciar essa questão.

Deve ser apontado, Nobres Julgadores, que o precedente do STJ consubstanciado na Súmula 474 ordena a obrigatoriedade de

aplicação proporcional da indenização em casos de invalidez permanente, razão pela qual o Laudo do IML deve obrigatoriamente especificar,

graduar e quantificar a suposta INCAPACIDADE, visto que se configura como único meio capaz de garantir a plena aplicação da Legislação em

vigor e da orientação da súmula supracitada .

Os doutrinadores que cuidam da Lei 9.099/95 destacam que causas de menor complexidade devem ser entendidas aquelas que não

exigem realização de prova pericial. Nesse sentido, cabe relevante mencionar o magistério de Jorge Alberto Quadros de Carvalho Silva: “Muitas vezes,

então, é recomendável uma prova pericial que venha a esclarecer a respeito da origem, da causa, da natureza e da extensão do dano. E a prova desse tipo

é incompatível com o espírito norteador dos Juizados Especiais Cíveis” (In “Lei dos Juizados Especiais Cíveis Anotada”. – pág. 9 – Ed. Saraiva – 1999).

Vislumbrando-se o entendimento doutrinário retro reportado, resta claro que a sede judicial apropriada para o Autor pleitear seu suposto

direito à verba indenizatória, oriunda do seguro DPVAT, é uma das Varas Cíveis da Justiça Comum, onde a reclamada pode defender-se tecnicamente,

formulando quesitos e nomeando assistente técnico.

Irrelevante que conste dos autos prova pretendendo atestar grau de invalidez parcial permanente, pois essa pretensa prova passaria a ter o

inaceitável caráter de verdade absoluto, eis que não poderia ser convenientemente impugnada pela Ré, impedida que está de contraditá-la tecnicamente em

sede de Juizado Especial Cível.

Não resta dúvida de que esta restrição fere o Princípio Constitucional do Contraditório e do Amplo Direito de Defesa.

Em virtude do exposto, requer a reclamada que Vossa Excelência se digne a determinar o indeferimento da petição inicial, vindo a

determinar a extinção do processo sem resolução de mérito, na forma do artigo 51, II, da Lei 9.099/95. No entanto, caso assim não compreenda,

requer expressamente a realização de perícia médica judicial, visando quantificar o grau de invalidez do Autor, dirimindo as dúvidas que pairam sobre o

suposto direito a indenização.

DO MÉRITO

Sem embargo das preliminares suscitadas, vem a ré, em homenagem ao princípio da eventualidade debater o mérito da demanda.

DA INCONSISTÊNCIA DOCUMENTAL – DATAS DIVERGENTES – DA AUSÊNCIA DE NEXO CAUSAL

Consoante se depreende dos autos, o autor alega em sua exordial que foi vítima de acidente de trânsito em 08/06/2016, constando também no

BOLETIM DE OCORRÊNCIA . Entretanto, junta Laudo do IML que informa que o mesmo fora periciado na data de 24/03/2016 , vejamos:

1) DATA DO ACIDENTE NA INICIAL (08/06/2016):

2) DATA DO ACIDENTE NO BOLETIM DE OCORRÊNCIA (08/06/2016)

3) DATA DA CONCLUSÃO DO IML (24/03/2016):

Dessa forma, não há qualquer consistência nos documentos juntado aos autos , t endo em vista que a data da perícia antecede o acidente . Assim ,

não há qualquer nexo de causalidade entre o suposto acidente e a lesão apontada, uma vez que não dá para atestar se a lesão sofrida pela parte

autora foi decorrente do acidente de trânsito descrito no Boletim de Ocorrência .

Assim, requer-se a improcedência da demanda, nos termos do art. art. 487, inciso I do CPC/2015.

DO PAGAMENTO EFETUADO PELA VIA ADMINISTRATIVA E SUA PLENA VALIDADE

A despeito da presente postulação judicial, impende registrar que a indenização devida pelo Convênio DPVAT foi paga em âmbito

administrativo no montante de R$ 00.000,00, o que, claramente, evidencia a

impropriedade desta Ação, notadamente porque o montante pago obedeceu aos limites estabelecidos com relação ao grau de invalidez do Autor.

De fato, a realização de pagamento pela via administrativa é precedida, em qualquer circunstância, de criteriosa análise quantitativa e

qualitativa da invalidez acometida pelo autor, à luz dos critérios de proporcionalidade estabelecidos pela tabela estatuída pela Medida Provisória no. 451/08,

posteriormente convertida em Lei , a qual, in casu , foi conclusivamente fixada por perícia médica no percentual de 70%, com repercussão Leve , a teor do

Processo Administrativo ora anexado, o que equivale ao valor já pago.

O precedente do STJ consubstanciado na Súmula 474 ( A indenização do seguro DPVAT, em caso de invalidez parcial do beneficiário,

será paga de forma proporcional ao grau da invalidez.”) foi obedecido integralmente, pois foi feita perícia médica acima indicada que aponta a invalidez

do autor nos parâmetros estabelecidos pela Lei 6.194/1974.

Destarte, a parte autora firmou recibo de quitação, no qual outorgou à Ré plena e irrevogável quitação, para mais nada reclamar, seja a que

título fosse, com fundamento no sinistro objeto da presente lide. Ademais, em nenhum momento posterior à assinatura do recibo questionou a validade ou

pleiteou a desconstituição da quitação por ela outorgada.

Tendo recebido, sem ressalvas, a indenização devida, falece-lhe o direito de requerer a alegada diferença, porquanto a quitação tem o

efeito jurídico de desonerar o devedor de toda e qualquer responsabilidade acerca da obrigação quitada, a teor do parágrafo único do artigo 320 do Código

Civil : Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo, valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida.

Deste modo, resta comprovada na lei, na doutrina e na jurisprudência a improcedência da presente demanda.

IMPUGNAÇÃO AO BOLETIM DE OCORRÊNCIA SEM ASSINATURA

O Boletim de Ocorrência não merece ser considerado pois contém falha formal no sentido de não conter a assinatura do comunicante,

sendo imprescindível tal elemento para que seja considerado crível seu relato, conforme o art. 219 do 00.000 OAB/UF:

Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários.

Para melhor ilustrar a alegação, colaciona-se o trecho do B.O. no qual se vê a ausência de assinaturas:

Para os fins do art. 411 do CPC/2015, impugna-se a autoria do Boletim de Ocorrência, cabendo ao autor demonstrar sua autenticidade, nos

termos do art. 429, II, do CPC/2015.

A parte autora não diligenciou para juntar aos autos documentos apto a comprovar seu direito, razão pela qual deve arcar com sua desídia,

devendo o processo ser extinto pela ausência de provas.

Caso assim não se entenda, invoca-se o art. 438, I, do CPC/2015 (Art. 438. O juiz requisitará às repartições públicas, em qualquer tempo ou

grau de jurisdição: I - as certidões necessárias à prova das alegações das partes), requerendo que o julgador remeta ofício ao órgão que prolatou o

documento a fim de aferir sua correção.

IMPUGNAÇÃO AO LAUDO DO IML – AUSÊNCIA DE QUANTIFICAÇÃO

O Laudo do IML acostado aos autos não se presta a comprovar devidamente a suposta invalidez alegada pelo autor, já que não

consta no Laudo do IML o grau de redução funcional que porventura atingiu a parte autora, elemento imprescindível para que possa ser fixada a

indenização correspondente, de acordo com a tabela específica, legislação de regência e precedentes, notadamente a Súmula 474 DO STJ (A

indenização do seguro DPVAT, em caso de invalidez parcial do beneficiário, será paga de forma proporcional ao grau da invalidez).

Para suprir a deficiência no Laudo do IML, invoca-se o art. 438, I, do CPC/2015 (Art. 438. O juiz requisitará às repartições públicas, em

qualquer tempo ou grau de jurisdição: I - as certidões necessárias à prova das alegações das partes), requerendo que o julgador remeta ofício ao órgão para

que complemente a quantificação da invalidez para obedecer o regramento legal.

Caso assim não entenda, que seja imputado ao autor o ônus de carrear aos autos documento que não comprova o dano e sua

repercussão, esperando que a presente demanda seja julgada improcedente, COM RESOLUÇÃO DO MÉRITO.

DO VALOR INDENIZÁVEL – UTILIZAÇÃO DA TABELA DA LEI 11.945/2009 E APLICAÇÃO DA REPERCUSSÃO NO CÁLCULO DA INDENIZAÇÃO

Nome

Nobre Julgador, cumpre ressaltar que o acidente automobilístico in casu ocorreu sob a vigência da Lei 11.945/2009, a qual veio a estabelecer a

necessidade de gradação da invalidez para aplicação proporcional da indenização depevatária, de acordo a tabela trazida pelo dispositivo legal supracitado

(tabela anexa).

Ressalte-se que o Supremo Tribunal Federal, em julgamento conjunto da ADI 00.000 OAB/UFe da ADI 00.000 OAB/UF, ambas de relatoria do Ministro LUIZ

FUX, e do ARE 00.000 OAB/UF, relator Ministro GILMAR MENDES, reconheceu a constitucionalidade das alterações procedidas pelas Leis 11.482/2007 e

11.945/2009 na Lei 6.194/1974.

As decisões da ADI 00.000 OAB/UFe ADI 00.000 OAB/UFproferidas pelo STF se revestem de força normativa obrigatória na categoria de precedente

conforme o art. 927, I, do CPC/2015.

No que diz respeito a isso, ressalta-se mais uma vez o precedente do STJ contido da SÚMULA 474 , que veio determina que “a indenização do

seguro DPVAT, em caso de invalidez parcial do beneficiário, será paga de forma proporcional ao grau da invalidez”.

Cumpre esclarecer que as alterações introduzidas pela Lei 11.945/2009 implicam na fixação de indenização conforme o GRAU DE INVALIDEZ

além da REPERCUSSÃO DAS LESÕES, isto é, reduzidas em 75% (setenta e cinco por cento) se a invalidez for incompleta com perdas de repercussão

intensa, e em 50% (cinquenta por cento), 25% (vinte e cinco por cento) e 10% (dez por cento) se a perda for média, leve ou residual, respectivamente, nos

termos do art. 3o, § 1o, II, da Lei.

Em análise aos documentos acostados autos, o laudo pericial atesta que o autor sofreu DEBILIDADE PERMANENTE NO MEMBRO

SUPERIOR ESQUERDO , e de acordo com a tabela de cálculo de indenização introduzida pela Lei no 11.945/2009 dá direito a 70% do valor máximo

indenizável de R$ 00.000,00. Constata-se que a lesão foi de REPERCUSSÃO LEVE , e portanto, deve-se aplicar o percentual de 25% sobre o valor da

indenização. Assim, teremos o seguinte cálculo de indenização:

LESÃO CONFORME O LAUDO: DEBILIDADE PERMANENTE NO MEMBRO SUPERIOR ESQUERDO

GRAU CONFORME A TABELA DA LEI No 11.945/2009: 70%

VALOR MÁXIMO INDENIZÁVEL: R$ 00.000,00(70% de R$ 00.000,00).

REPERCUSSÃO DA LESÃO: LEVE

GRAU DA REPERCUSSÃO: 25%

APLICAÇÃO DA REPERCUSSÃO SOBRE VALOR MÁXIMO INDENIZÁVEL: 25% sobre R$ 00.000,00.

VALOR MÁXIMO DA INDENIZAÇÃO: R$ 00.000,00(VALOR ESTE JÁ PAGO ADMINISTRATIVAMENTE).

Imperioso ressaltar, que o valor acima demonstrado já foi recebido administrativamente pelo autor, conforme processo

administrativo em anexo, não sendo mais devido ao autor, qualquer valor a título de indenização do Seguro Dpvat.

Ressalta-se que o Autor não juntou LAUDO DO IML DEVIDAMENTE QUANTIFICADO, documento essencial para comprovar que o

mesmo possui alguma invalidez permanente decorrente de acidente automobilístico. Como o ônus probatório compete a quem pleiteia, e o Autor

não comprovou que faz jus a qualquer indenização de DPVAT, devendo ser julgado extinto com resolução de mérito o pedido do Autor, nos

termos do art. 373, inciso I, do CPC/2015.

DA LIQUIDEZ DE EVENTUAL CONDENAÇÃO E DOS JUROS LEGAIS E DA CORREÇÃO MONETÁRIA

O art. 491 do CPC/2015 apregoa:

Art. 491. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda que formulado pedido genérico, a decisão definirá desde

logo a extensão da obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de ambos (...).

O seguro DPVAT materializa-se por meio de um contrato, de imposição legal, mas sempre um contrato. E sendo, como é, um contrato de

seguro, não foge à índole eminentemente indenizatória que o caracteriza, nos exatos termos dos arts. 757 e 781 do Código Civil, de vez que o interesse

legítimo do segurado não pode ser superior aos seus reais prejuízos, e a indenização não pode ultrapassar o valor desse interesse.

A responsabilidade que daí decorre, para ambas as partes (a bilateralidade também é da essência do contrato de seguro), é

CONTRATUAL, e não extra-contratual. Não se aplica, dessa forma, in casu , a Súmula 54 do STJ (“ Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em

caso de responsabilidade extracontratual).

Assim, conclui-se que a seguradora não é inadimplente, não podendo ser sancionada com juros de mora, porque inadimplente só é quem

não cumpriu a obrigação. Desta feita, não tendo a seguradora praticado qualquer ilicitude, não são os juros moratórios devidos, cabendo contar-se a

incidência dos mesmos, quando muito, A PARTIR DA CITAÇÃO INICIAL, conforme disposição expressa do art. 405 do Código Civil e súmula 426 do STJ:

Súmula 426: Os juros de mora na indenização do seguro DPVAT fluem a partir da citação.

Acerca da CORREÇÃO MONETÁRIA, espera a Ré que seja observada a DATA DA PROPOSITURA DA PRESENTE DEMANDA, como

termo inicial para a sua incidência, face ao disposto da lei 6.899/81:

Art 1o - A correção monetária incide sobre qualquer débito resultante de decisão judicial, inclusive sobre custas e honorários advocatícios.

(...)

§ 2o - Nos demais casos, o cálculo far-se-á a partir do ajuizamento da ação.

Por outro lado, Excelência, vale trazer à baila a novel súmula no 580 do STJ, que, apesar de não ser vinculante, parametriza a incidência da

"A correção monetária nas indenizações do seguro DPVAT por morte ou invalidez, prevista no parágrafo 7, artigo

5o da lei 6.194/74 redação dada pela lei 11.482/07 incide desde a data do evento danoso".

Dessa forma, espera-se que em eventual condenação, a sentença seja líquida e certa, com a extensão da obrigação, a fixação dos juros da citação e a

correção monetária do ajuizamento ou da data do sinistro.

CONCLUSÃO

Ante o exposto, aguarda-se, serenamente, pela extinção do feito sem julgamento do mérito, tendo em vista as preliminares arguidas.

Caso Vossa Excelência não entenda, o que se admite apenas por argumentar, pugna pela improcedência da Ação, tendo a Ré

amplamente demonstrado o total descabimento da indenização pleiteada , face ao correto pagamento administrativo da indenização, realizado em

estrita conformidade com os parâmetros estabelecidos no art. 3o, § 1o, inciso II, da lei 6.194/74, razão pela qual não há de se falar no pagamento da

diferença pleiteada pela parte demandante, mesmo porque, não existe, até o momento, prova pericial em sentido contrário, pelo que requer seja a demanda

ao final julgada TOTALMENTE IMPROCEDENTE , com julgamento de mérito, nos exatos termos do artigo 487, inciso I, do CPC/2015.

Assevera-se a inconsistência documental, uma vez que autor alega em sua exordial que foi vítima de acidente de trânsito em

08/06/2016, confirmado pelo Boletim de Ocorrência. Entretanto, junta Laudo do IML, no qual consta que o mesmo periciado em 24/03/2016, data

esta que antecede ao acidente, não demonstrando o nexo de causalidade entre a lesão sofrida e o acidente de trânsito. Assim, requer-se a

improcedência da ação com resolução de mérito, nos termos do art. 487, inciso I do CPC/2015.

Caso, Vossa Excelência não entenda pela extinção, requer que seja oficiado o IML, a fim de comprovar a veracidade do Laudo e as

informações contidas.

Ressalta-se que o Autor não juntou laudo do IML devidamente quantificado, que comprove que este faz jus a valor superior àquele

pago administrativamente. Assim, não há que se falar em pagamento de diferença, uma vez que o Autor não junta provas que comprovem que a

sua lesão teve uma perda superior à apontada no Laudo da Seguradora.

Requer o indeferimento do pedido de condenação em honorários advocatícios, uma vez que tal ação processa-se através do rito

sumaríssimo (Art. 55, 1a parte, Lei no 9.099/95). Acredita no indeferimento da solicitação de concessão da justiça gratuita, uma vez que resta explícita e

inegável a contradição entre a suposta condição econômica do proponente e o ajuizamento de ação por meio de patrono particular.

Requer-se o depoimento pessoal do autor para elucidar a dinâmica do acidente, data em que ocorreu, local do evento, veículos

envolvidos, data na qual foi realizado o exame pericial, além de sanar quaisquer lacunas documentais e garantir a comprovação inequívoca do

nexo causal.

Protesta, ainda, por todo o gênero de provas admitido em direito, especialmente documental, suplementar e depoimento pessoal do Autor,

sob pena de confissão.

Nos termos do ART. 272, § 5o, DO CPC/2015 (Constando dos autos pedido expresso para que as comunicações dos atos processuais

sejam feitas em nome dos advogados indicados, o seu desatendimento implicará nulidade), requer-se que as comunicações dos atos processuais sejam

dirigidas EXCLUSIVAMENTE a advogada Nome, 00.000 OAB/UF-A, com Escritório Profissional à

EndereçoCEP 00000-000, sob pena de nulidade.

Nestes Termos,

Pede e Espera Deferimento.

São Luís/MA, 22 de junho de 2017.

Nome

00.000 OAB/UF

Por fim, apresenta os seguintes quesitos para a realização da perícia médica:

1- Há algum membro/órgão do periciando danificado? Qual?

2- O periciando já foi submetida a tratamentos médicos capazes de minimizar o dano?

3- O periciando é acometido de invalidez permanente? O periciando está incapacitada para o desempenho do exercício de toda e qualquer profissão? (Art. 3o, § 1o da Lei no. 6.194/74)

4- Em caso de invalidez permanente, esta decorre do acidente narrado pela parte autora na petição inicial ou é oriunda de circunstância anterior?

5- Restando configurada a invalidez permanente, esta se configura como total ou parcial?

6- Em sendo comprovada a invalidez permanente parcial, esta é completa ou incompleta? (Art. 3o, § 1o inciso I e II da Lei no. 6.194/74)

7- Em sendo incompleta, qual a repercussão dos danos (intensa - 70%, média - 50%, leve - 25% ou por sequelas residuais - 10%)? (Art. 3o, § 1o inciso II da Lei no. 6.194/74)

Por fim, a seguradora ré informa não ter nomes A indicar para o cargo de “assistente de perito”.

Anexo

GRAU PORCENTAGEM RESIDUAL 10%

LEVE 25% MÉDIO 50%

INTENSO 75%

TOTAL 100%