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22 de Julho de 2024
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    As crianças de Trump e a xenofobia nacionalista

    Publicado por Justificando
    há 6 anos

    Desde que foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos, Donald Trump dividiu opiniões e espalhou temor por todo o mundo. Trump, busca resgatar um nacionalismo estadunidense, que fora estabelecido na década de 1940 pelo então presidente, Franklin Delano Roosevelt, que contava com expressões como: “América para os americanos”, expressão essa que, simbolizava a força dos Estados Unidos na segunda grande guerra.

    Com a evolução da sociedade e a chegada da contemporaneidade, esses governos nacionalistas foram se fragmentando, pois suas ideologias estavam atreladas ao extremismo, o qual não se encaixa em uma sociedade democrática. O ex-presidente Barack Obama, consolidou uma política socialista ao decorrer de seu mandato, deixando de lado esse espírito nacionalista norte-americano, contrariando assim, os mais conservadores.

    No entanto, Trump, o então presidente, não ligou para o arcaísmo do extremismo nacionalista e logo deixou claro que ressuscitava o empoderamento estadunidense, dessa vez frente aos imigrantes, que buscam na “maior” potência mundial esperança em mudar seu status social. A última sanção do republicano foi separar as crianças dos pais que estão de forma ilegal no país, essa medida adotada por Trump chocou todo o mundo, ferindo os princípios da dignidade da pessoa humana e os tratados universais de proteção e garantias às crianças e aos adolescentes.

    O Parlamento norte-americano e defensores dos Direitos Humanos, logo pressionaram a Casa Branca para que revogassem a medida extremista de Donald Trump. E essa situação se torna cada vez mais caótica devido à forma que essas crianças estão sendo tratadas, apesar de serem levadas a orfanatos sua tutela não fica garantida, colocando desse modo, dezenas de crianças diante de um caos psicológico.

    Segundo a American Civil Liberties Union (ACLU), Associação de Direitos Civis, algumas vezes a violência começa quando as crianças ainda estão sob a guarda da imigração. Há centenas de casos de abusos verbais, físicos e sexuais contra crianças e adolescentes por agentes de imigração e guardas de fronteira.Do ponto de vista médico e psicológico, o trauma é enorme. Muitas crianças são bebês em fase de aleitamento materno ou têm menos de 4 anos de idade, quando sequer possuem capacidade avançada de expressão oral.[1]

    A ação de Trump em separar as crianças dos pais automaticamente remete-nos ao capítulo triste da história da humanidade, o nazismo. Durante a Segunda Guerra Mundial o governo de Adolf Hitler promoveu um genocídio contra crianças e adolescentes filhos de judeus, os nazistas exterminaram de forma brutal o futuro de vários menores.

    Com o final da Segunda Guerra Mundial, o mundo começou a juntar os cacos manchados de sangue dos atentados nazistas, e implantaram políticas públicas a fim de zelar pela paz mundial e resguardar os direitos daqueles que estão vulneráveis ao mal maior. A criação da ONU (Organização das Nações Unidas), UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e os Tratados Internacionais visam à garantia total dos direitos de crianças e adolescentes, a importância do ceio familiar e de sua integridade física e psicológica.

    Em 1989, aconteceu a Convenção dos Direitos da Criança, no qual os Estados Unidos foi signatário, destarte observemos abaixo a redação do tratado que Trump ousou descumprir referente a um dos direitos resguardados:

    Artigo 9º, § 1 “Os Estados-partes deverão zelar para que a criança não seja separada dos pais contra a vontade dos mesmos, exceto quando, sujeita à revisão judicial, as autoridades competentes determinarem, em conformidade com a lei e os procedimentos legais cabíveis, que tal separação é necessária ao interesse maior da criança…” [3]

    A crise imigratória que invade todo continente europeu e também os EUA, não concede a permissão de sanções radicalistas como essa se sim a busca pela solução adequada com o propósito de deslindar a crise da imigração nessas grades potências. Portanto, “as heranças do primeiro ano do mandato de Trump estão sendo claras: xenofobia, unilateralismo e belicismo, adjetivos que resumem muito bem seu slogan eleitoral American First”.

    Valdivino Afonso Moreira Neto é Acadêmico de Direito na Faculdade Montes Belos.

    Tálita Vicente Parreira é Acadêmica de Direito e simultaneamente Letras, na Faculdade Montes Belos e Universidade Estadual de Goiás.

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