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29 de Fevereiro de 2024

Saiba o que é quociente eleitoral, quociente partidário e voto em legenda

Os cálculos realizados na eleição proporcional, sistema pelo qual são eleitos os representantes da Câmara Federal, das Assembleias Legislativas e também das Câmaras Municipais, consistem em uma das principais dúvidas dos eleitores. Quociente eleitoral, voto em legenda e quociente partidário são assuntos não dominados até mesmo por aqueles que participam ativamente das campanhas políticas.

O eleitor muitas vezes não entende por que um candidato bem votado não consegue uma vaga no Poder Legislativo, enquanto outro que tenha recebido menos votos, acaba eleito. Ou seja, neste caso é eleito o candidato que esteja no partido que recebeu o maior número de votos. Esse fato ocorre porque, nas casas legislativas (Câmara Federal, Assembleia Legislativa e Câmaras Municipais), as vagas são distribuídas de acordo com a votação recebida por cada partido ou coligação.

Ao escolher o candidato para esses cargos, o eleitor está votando, antes de mais nada, em um partido. É por isso que o número do partido vem antes do número do candidato. Se o eleitor quer votar apenas na legenda, sem especificar qual dos candidatos daquele partido ele quer eleger, é preciso digitar apenas os dois primeiros números.

QUOCIENTE ELEITORAL

A escolha dos deputados, sejam estaduais ou federais, só é concretizada após a aplicação das fórmulas que regem o sistema proporcional de eleições, cujo cálculo se inicia com a obtenção do número total de votos válidos. Esse número é então dividido pelo número de vagas em disputa. Essa divisão é conhecida como Quociente Eleitoral.

Em Mato Grosso, o numero total de votos para a Câmara Federal será dividido por oito, que equivale ao número de vagas que cada Estado tem direito, naquela Casa de Leis.

Os votos destinados aos candidatos e partidos políticos que concorrerão à Assembleia Legislativa serão divididos por 24, número de vagas para deputado estadual.

Como o resultado dessa divisão nem sempre é exata, a legislação brasileira determina que caso a fração sejam igual ou menor que 0,5 ela será desprezada. Sendo maior que 0,5 somamos um voto ao quociente eleitoral final.

QUOCIENTE PARTIDÁRIO

Para chegar aos nomes dos candidatos eleitos, é preciso determinar o quociente partidário, dividindo-se a votação obtida por cada partido (votos nominais + votos na legenda) pelo quociente eleitoral. Neste caso, despreza-se a fração, qualquer que seja.

O número obtido dessa divisão, desprezando as frações, é o número de deputados que ocuparão, em nome do partido/coligação, as cadeiras do Poder Legislativo. O mesmo cálculo se faz para as eleições das Câmaras Municipais. Os mais votados serão os titulares do mandato, que neste caso foram eleitos pelo quociente eleitoral.

PREENCHIMENTO DAS VAGAS PELO CÁLCULO DAS MÉDIAS

Realizado o cálculo para definir quem ocupa as cadeiras do Poder Legislativo por meio do quociente partidário, é comum restarem vagas não preenchidas, porque a divisão nem sempre resulta em números inteiros. Paras as vagas não ocupadas, realiza-se um novo cálculo.

O cálculo para ocupação das vagas remanescentes, ou cálculo das sobras, como é conhecido nos ambientes de apuração, é definido pelo artigo 109 do Código Eleitoral Brasileiro, e é talvez um dos cálculos que mais provocam dúvidas nos candidatos e eleitores. O artigo determina que vagas não preenchidas pelos quocientes partidários devem ser ocupadas considerando o desempenho médio dos partidos, que é calculado da seguinte forma:

1- Divide-se o número de votos obtidos pelo partido ou coligação pelo número de vagas obtidas pelo quociente partidário, somando-se mais uma vaga ao número obtido pelo quociente partidário. Com soma de mais uma vaga ao número final de vagas obtidas pelo partido, evita-se que o partido/coligação que tenha obtido apenas uma vaga seja automaticamente contemplado, pois a divisão dos votos obtidos pelo número 1 não geraria um quociente médio.

2- O cálculo das médias deve ser aplicado a todo partido coligação. Aquele que possuir o maior quociente médio é contemplado com a primeira vaga remanescente.

3- Distribuída a primeira vaga remanescente, refaz-se o cálculo, agora considerando a vaga já ocupada pelo partido, que terá que somar ao divisor a vaga conquistada. Assim, o partido contemplado pelo primeiro cálculo terá que somar vagas ao total conquistado pelo quociente partidário, sendo uma delas referente ao determinado em lei, e outra referente à vaga conquistada pela média.

4- Esse cálculo é refeito até que sejam preenchidas todas as vagas que ainda estavam abertas e que não haviam sido contempladas pelo quociente eleitoral.

Aplicadas as fórmulas, define-se os titulares das vagas. Os demais candidatos dos partidos e coligações que elegeram candidatos, serão todos suplentes, sem exceção.

O quociente eleitoral é o primeiro limitador para os partidos políticos com baixo desempenho, pois a agremiação partidária que não obter uma quantidade de votos igual ou superior ao quociente eleitoral não poderá eleger candidatos para o Poder Legislativo.

A legislação brasileira ainda permite que, a cada eleição, os partidos se unam e formem uma coligação partidária que, para efeitos dos cálculos inclusos no sistema proporcional, será tratada como um único partido político. As coligações são formadas a cada eleição, se dissolvendo após a realização do pleito.

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16 Comentários

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Este formato de cálculo impede que partidos menores consigam desmontar a máfia já estabelecida pelos grandes e ricos partidos que estão no poder. Até hoje ninguém conseguiu me apresentar um argumento factível do porquê não considerar a contagem direta dos votos, sendo eleitos os candidatos cuja soma de votos supere a dos demais. Isso sim seria democracia.

Fica clara a necessidade de uma reforma política no Brasil... continuar lendo

Isso não seria democracia porque apenas uma minoria ínfima de votos, dentro do universo total de eleitores, elegeria os parlamentares, que, deste modo, não representariam, absolutamente, a maioria da sociedade.

É por isso que existe o sistema proporcional, sendo um de seus principais propositores o grande filósofo inglês John Stuart Mill. continuar lendo

O que o Sid quis dizer é que o formato atual possibilita que candidatos fora das grandes cidades e capitais consigam ser eleitos e isso faz com que não haja uma concentração de poder em um só lugar. Em outras palavras, é mais democrático. continuar lendo

O correto seria o candidato ser eleito pelos votos recebidos, isso sim seria a mais pura democracia, respeitar-se-ia assim a vontade do eleitor, o camarada que é eleito pelos votos que a legenda recebeu está a desvirtuar o conceito de democracia, deixa assim de valer a escolha do cidadão e passa a valer o desejo do partido, até o eleito já entra sem o estímulo de lutar pelo eleitor, já que percebe não ser a escolha do povo, passa a pensar somente em si, estimula-se assim o desleixo e com ele vem a corrupção. continuar lendo

Perfeita sua colocação, é necessário urgente uma reforma política na legislação e os homens de bem devem apresentar-se para realizá-la ! continuar lendo

Tão certo como o ouro afunda no mar e madeira fica por cima, estamos longe de ver hasteado o pavilhão um sistema político justo que coiba a ocupação perene das vagas pelos mesmos personagens.
Partidos, legenda, coligações, quorum, vices, suplentes, etc, fundamentados nos preceitos legais elaborados pelos mesmos blindam os candidatos dos partidos maiores e, assim, jamais há renovação dos ocupantes do cargo. Se algum leitor da matéria identificar algum equivoco de minha parte, me submeto à devida correção. Tudo pela democracia! continuar lendo

Sua colocação também perfeita, isso que você descreveu é o que acontece na realidade: os mesmos personagens se perpetuam no poder causando todo infortúnio, atraso, pobreza, corrupção e desalento. continuar lendo

Os homens de bem, deste país, devem apresentar-se. e , não deixar as vagas para os perpétuos corruptos, pessoas que que só pensam em si. continuar lendo